# CID B18.2 dá Direito a Auxílio-Doença? Como Pedir em 2026

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[Direito Previdenciário](https://www.ribeirocavalcante.com.br/direito-previdenciario/) 22 min de leitura Por: [Amanda Ribeiro Cavalcante](https://www.ribeirocavalcante.com.br/autor/amanda/) | OAB/CE 51.361

# CID B18.2 dá Direito a Auxílio-Doença? Como Pedir em 2026

Publicado em: 02/09/2026

Conteúdo revisado por Amanda Ribeiro Cavalcante, advogada — OAB/CE 51.361, em 02/09/2026 Facebook WhatsApp Compartilhar **Breve resumo** O CID B18.2 não garante benefício por si só: o INSS concede auxílio por incapacidade temporária ou aposentadoria por incapacidade permanente somente se a perícia constatar que a hepatite C crônica impede o exercício do seu trabalho. Em regra são exigidas 12 contribuições mensais, e quem perdeu a qualidade de segurado pode buscar o BPC/LOAS.

Você recebeu o laudo com o CID B18.2 (hepatite C crônica), levou para a perícia do INSS confiante e ouviu que “não há incapacidade”. Ou pior: nem chegou lá, porque parou de contribuir há dois anos e não sabe se ainda tem direito a algo. Se é o seu caso, respire: o problema quase nunca é a doença. É como ela foi documentada. A resposta direta é esta: o INSS não paga benefício por CID. Paga por incapacidade. A Lei 8.213/91 (arts. 42 e 59) exige que a perícia constate que você está impedido de exercer o seu trabalho, não que você tenha um diagnóstico. Duas pessoas com o mesmo B18.2 podem sair da perícia com resultados opostos, e isso não é injustiça do sistema: é a lei funcionando como foi escrita. Por isso existem três caminhos possíveis, e você precisa saber em qual está. O **auxílio por incapacidade temporária** (o antigo [auxílio-doença](https://www.ribeirocavalcante.com.br/auxilio-doenca/)) serve para quem contribui e está afastado por um período. O **BPC/LOAS** atende quem perdeu a [qualidade de segurado](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/) ou nunca contribuiu, mas tem renda familiar baixa e impedimento de longo prazo. E a **aposentadoria por incapacidade permanente** (invalidez) vale quando o quadro evoluiu para algo irreversível, como cirrose descompensada ou hepatocarcinoma. Ao longo deste texto você vai entender qual desses caminhos é o seu, exatamente o que o seu laudo precisa dizer para o perito não negar, e o que fazer no dia em que a carta de indeferimento aparecer no aplicativo Meu INSS. Conteúdo da página

## Hepatite C crônica dá direito a auxílio-doença automaticamente?

Não. O CID B18.2 não garante benefício algum de forma automática. O auxílio por incapacidade temporária exige três coisas ao mesmo tempo: qualidade de segurado, 12 contribuições mensais de [carência](https://www.ribeirocavalcante.com.br/carencia-inss-guia-completo/) (art. 25 da Lei 8.213/91) e incapacidade para o trabalho habitual reconhecida na perícia médica federal.

O ponto que quase ninguém entende é por que a hepatite C, especificamente, tem tanta negativa. Os tratamentos atuais fornecidos pelo SUS (os antivirais de ação direta) têm ciclos curtos e altíssima taxa de cura. O perito do INSS trabalha com essa premissa: hepatite C crônica, isolada e sem complicação, em regra não incapacita ninguém.

Ou seja: se o seu laudo diz apenas “portador de hepatite viral crônica C, CID B18.2, em acompanhamento”, você vai ser negado. E vai ser negado com razão técnica, porque esse papel não descreve limitação nenhuma.

A discussão real se desloca para quatro frentes:

- **Estágio e complicações:** fibrose avançada, cirrose, hipertensão portal, ascite, encefalopatia hepática, hepatocarcinoma, fila ou pós-transplante.
- **Efeitos adversos do tratamento:** durante o ciclo terapêutico, fadiga intensa, anemia e outros efeitos podem impedir o trabalho por meses.
- **Comorbidades:** coinfecção com HIV, doença renal, quadros depressivos, manifestações fora do fígado.
- **Incompatibilidade com a sua atividade:** o mesmo quadro pode ser leve para um trabalho administrativo e grave para quem carrega peso, trabalha em pé 8 horas, é motorista profissional ou lida com produtos tóxicos ao fígado.

Esse quarto item é o mais subestimado. A lei fala em incapacidade para a atividade habitual, não em incapacidade genérica. Quem faz o pedido sem juntar a descrição real da função (o que carrega, quantas horas, em que ambiente) entrega ao perito só metade da história.

**Exemplo prático:** imagine dois segurados com B18.2 e fibrose moderada. Um é auxiliar administrativo sentado; o outro é ajudante de carga e descarga com jornada de 9 horas. O mesmo quadro clínico pode ser compatível com o primeiro trabalho e incompatível com o segundo. A diferença no processo não é médica, é a descrição da função no pedido.

## Quanto tempo de contribuição preciso e quando a carência é dispensada?

A regra geral é 12 contribuições mensais. Mas a Lei 8.213/91 dispensa a carência para doenças graves listadas em portaria do Ministério da Saúde e da Previdência, e a **hepatopatia grave** está nessa lista. Ou seja: hepatite C que evoluiu para cirrose pode gerar benefício mesmo com poucas contribuições.

Essa é a virada jurídica mais importante do tema e muita gente desiste antes de saber dela. Enquanto o B18.2 está estável e sem complicação, você depende dos 12 meses de carência. Quando há hepatopatia grave documentada (cirrose, insuficiência hepática), a exigência de carência cai por força de lei.

Vale ainda saber outros números concretos de 2026. O piso dos benefícios do INSS é o [salário mínimo](https://www.ribeirocavalcante.com.br/salario-minimo-em-2025/), fixado pelo Governo Federal em **R$ 1.621,00**. O teto é de **R$ 8.157,41**. E o valor do auxílio por incapacidade temporária, pela regra do art. 29 da Lei 8.213/91 combinada com a Emenda Constitucional 103/2019, é de 91% da média de todos os seus salários de contribuição desde 1994, corrigidos, com um limite: não pode ultrapassar a média dos 12 últimos salários de contribuição.

**Importante:** perder o emprego não significa perder a proteção no dia seguinte. Existe o chamado [período de graça](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/), em que você continua segurado sem contribuir, em regra por 12 meses após a última contribuição, prorrogável para 24 meses em situações previstas na lei. Se a sua incapacidade começou dentro dessa janela, o pedido de auxílio ainda é possível.

Quem é MEI ou contribuinte individual precisa checar as guias em atraso. Em 2026, a contribuição do MEI ligada à Previdência é de 5% do salário mínimo (R$ 1.621,00, mais o valor de ICMS ou ISS). O facultativo de baixa renda também recolhe 5% (R$ 81,05). O contribuinte individual no plano simplificado paga 11%, cerca de R$ 178,31 por mês. Guias não pagas viram lacuna no CNIS, e lacuna no CNIS derruba pedido antes mesmo da perícia. Vale conferir seu extrato pelo [portal Meu INSS](https://meu.inss.gov.br).

## Como comprovar a incapacidade na perícia do INSS com CID B18.2?

Com um laudo que descreva limitação funcional, não diagnóstico. A perícia do INSS costuma durar de 10 a 15 minutos. Nesse tempo, o perito lê o que está escrito. Um laudo que diz “hepatite C crônica em tratamento” não prova nada. Um que diz “fadiga incapacitante, impossibilidade de esforço físico e permanência em pé por período superior a 30 minutos” muda a conversa.

O que um laudo forte precisa ter, item por item:

- CID B18.2 e, se houver, os CIDs das complicações (cirrose, ascite, encefalopatia, neoplasia).
- **Data de início da doença e data de início da incapacidade.** São coisas diferentes e o INSS decide o começo do pagamento com base na segunda.
- Descrição do **estágio**: grau de fibrose, resultado de elastografia ou biópsia, classificação Child-Pugh quando existir cirrose.
- Tratamento em curso, medicação, efeitos adversos relatados e tempo previsto do ciclo.
- **Limitações funcionais concretas:** peso máximo que pode levantar, tempo máximo em pé, tolerância a jornada, risco de queda ou desorientação, necessidade de repouso ao longo do dia.
- Prognóstico: recuperação esperada em quantos meses, ou registro expresso de que o quadro é irreversível.
- Assinatura, CRM e data recente (laudo com mais de 6 meses perde força).

Junte também os exames em papel, na ordem cronológica. Exame antigo serve para provar evolução da doença; exame novo prova o estado atual. Levar os dois é o que mostra a linha do tempo.

**Dica de ouro:** peça ao seu médico que escreva no laudo a sua profissão e o que ela exige na prática. Um laudo que diz “paciente exerce função de ajudante de produção com carregamento de peso, atividade incompatível com o quadro atual” faz um trabalho que nenhum atestado genérico faz.

Um padrão que se repete em atendimentos sobre hepatopatias é este: a pessoa tem a doença grave, tem histórico de internação, mas chega à perícia com uma receita e um atestado de 3 linhas. O direito existia. A prova é que não estava na mesa. Um panorama mais amplo sobre esse tipo de exigência está no nosso guia sobre [benefícios do INSS por doença e como pedir em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/).

## E se eu não contribuo mais? O BPC/LOAS para quem tem hepatite C

Quem não tem qualidade de segurado pode pedir o BPC/LOAS, um benefício assistencial de 1 salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026), pago à pessoa com deficiência ou impedimento de longo prazo (mínimo de 2 anos) cuja renda familiar por pessoa não passe de 1/4 do salário mínimo, ou seja, R$ 405,25 em 2026.

O BPC não exige nenhuma contribuição. Ele exige duas provas diferentes, e as duas são avaliadas separadamente:

- **Impedimento de longo prazo:** o quadro precisa restringir a participação plena na vida social e no trabalho por pelo menos 2 anos. A avaliação é feita por perícia médica e por avaliação social do INSS (assistente social).
- **Critério de renda:** soma-se a renda de todos que moram na casa e divide-se pelo número de pessoas. O resultado precisa ficar dentro do limite legal.

**Exemplo prático:** imagine uma família de 4 pessoas em que apenas um filho trabalha e recebe 1 salário mínimo (R$ 1.621,00). A renda por pessoa fica em R$ 405,25, exatamente no limite de 1/4. Se esse mesmo filho ganhasse R$ 1.700,00, a renda per capita subiria para R$ 425,00 e o pedido seria negado administrativamente pelo critério de renda.

Aqui entra um ponto em que os tribunais foram além da letra da lei. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o **Tema 793**, e a jurisprudência consolidada sobre o art. 20 da LOAS admitem que o critério de 1/4 do salário mínimo não é uma barreira absoluta. É possível demonstrar em juízo a miserabilidade real, considerando gastos com medicação, transporte para tratamento, dieta e a existência de outra pessoa doente na casa. Nesses casos, tribunais têm trabalhado com a faixa de até 1/2 salário mínimo por pessoa (R$ 810,50 em 2026).

Na prática, isso significa juntar comprovantes de despesa, não só declarações. Nota de farmácia, conta de luz, recibo de aluguel, comprovante de passagem para o hospital. É a soma desses papéis que sustenta o argumento. E atenção: o cadastro no **CadÚnico** atualizado é requisito obrigatório para o BPC. Sem CadÚnico válido, o sistema nem aceita o requerimento.

**Cuidado:** quem recebe BPC não pode acumular com aposentadoria, auxílio por incapacidade ou [seguro-desemprego](https://www.ribeirocavalcante.com.br/seguro-desemprego-2026-quem-tem-direito/). E se a renda familiar aumentar depois da concessão sem que você informe, o INSS pode cortar o benefício e cobrar os valores recebidos de volta.

## Quando a hepatite C dá direito a aposentadoria por invalidez?

A aposentadoria por incapacidade permanente exige que a perícia constate incapacidade total, para qualquer trabalho, e sem possibilidade de reabilitação profissional (art. 42 da Lei 8.213/91). Nos casos de hepatite C, isso costuma aparecer quando a doença evoluiu para cirrose descompensada, insuficiência hepática, hepatocarcinoma ou situação de transplante.

Perceba a diferença de exigência. No auxílio temporário, basta a incapacidade para o seu trabalho habitual. Na aposentadoria por invalidez, é para qualquer atividade que garanta sustento. Por isso o INSS frequentemente concede o auxílio e nega a aposentadoria: entende que a pessoa pode ser reabilitada em outra função.

Nesse ponto, dois fatores pesam muito e são pouco explorados nos pedidos: **idade** e **nível de escolaridade e histórico profissional**. Um segurado de 58 anos que trabalhou a vida inteira na construção civil e tem ensino fundamental incompleto não é realisticamente reabilitável para função administrativa. Esse argumento, chamado de incapacidade social ou análise das condições pessoais, é reconhecido pela jurisprudência da Justiça Federal e deve estar escrito no pedido, não subentendido.

Dois detalhes financeiros importantes:

- **Adicional de 25%:** quem se aposenta por invalidez e precisa de assistência permanente de outra pessoa tem direito a acréscimo de 25% no valor do benefício (art. 45 da Lei 8.213/91), podendo ultrapassar o teto.
- **Isenção de Imposto de Renda:** aposentados por invalidez com hepatopatia grave têm direito à isenção de IR sobre os proventos, conforme a lista de doenças graves da legislação tributária. É preciso pedir, não é automático.

Vale lembrar que a aposentadoria por invalidez não é definitiva no papel. O INSS pode convocar para reavaliação periódica, o chamado pente-fino. Se você é chamado e não aparece, o benefício é suspenso. A lógica de reavaliação é parecida com a que descrevemos no artigo sobre [como funciona a aposentadoria por invalidez em casos de AVC](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-i69-sequelas-de-avc/).

## Auxílio-doença, BPC ou aposentadoria: qual caminho é o seu?

A escolha não é livre: depende de você ter ou não contribuições e de a incapacidade ser temporária ou permanente. A tabela abaixo compara os três caminhos pelos pontos que decidem o seu pedido, exigência de contribuição, valor em 2026 e o que a perícia precisa constatar.

| Critério | Auxílio por incapacidade temporária | BPC/LOAS | Aposentadoria por incapacidade permanente |
| --- | --- | --- | --- |
| Precisa ter contribuído? | Sim: 12 meses (dispensado se houver hepatopatia grave) | Não | Sim: 12 meses (dispensado se houver hepatopatia grave) |
| Limite de renda familiar | Não existe | Sim: até R$ 1.621,00 por pessoa (1/4 do salário mínimo) | Não existe |
| O que a perícia precisa constatar | Incapacidade para o SEU trabalho, temporária | Impedimento de longo prazo (mínimo 2 anos) | Incapacidade total e permanente, sem reabilitação |
| Valor em 2026 | 91% da média salarial, entre R$ 1.621,00 e R$ 8.157,41 | Fixo: R$ 1.621,00 | 60% da média + 2% por ano acima de 20 (homem) ou 15 (mulher); 100% se acidentário |
| Passa por avaliação social? | Não | Sim, obrigatória | Não |
| 13º salário | Não tem | Não tem | Tem |

Se você tem contribuições recentes, o caminho é o auxílio. Se não tem e a renda da casa é baixa, é o BPC. Se o quadro é irreversível e você tem contribuições, é a aposentadoria. Em muitos casos o pedido começa como auxílio e é convertido em aposentadoria depois, quando a perícia constata que a recuperação não vem.

## O erro que mais derruba pedidos com CID B18.2

É confundir gravidade da doença com incapacidade para o trabalho. O perito do INSS não avalia sofrimento, avalia capacidade funcional. Pedidos que se apoiam apenas no diagnóstico e na carga viral são negados em série, mesmo quando o paciente está em tratamento pesado, porque o formulário não pergunta “está doente?”, pergunta “está incapaz?”.

O segundo erro, quase tão frequente, é a **data de início da incapacidade (DII)**. Muita gente vai à perícia com exames apenas do mês corrente. O perito fixa a DII na data da perícia, e você perde meses de retroativo. Se você está afastado do trabalho desde o ano passado, precisa levar os atestados daquele período. Sem papel daquela época, aquele tempo não existe para o INSS.

Terceiro: o abandono do processo depois da negativa. A carta de indeferimento vem no Meu INSS com frases padronizadas como “não foi constatada incapacidade laborativa” ou “parecer contrário da perícia médica federal”. Muita gente lê isso e entende como palavra final. Não é. É apenas a opinião administrativa de um perito, revisável em recurso e na Justiça.

**Atenção:** se o seu benefício foi concedido com data de cessação (a famosa alta programada) e você não recuperou, você precisa pedir a prorrogação nos 15 dias que antecedem o fim do benefício. Passado esse prazo, não há mais prorrogação: você tem que abrir um novo pedido do zero, com nova fila e nova perícia.

## Passo a passo: como pedir o benefício pelo Meu INSS

Todo o pedido é feito online, sem ir à agência, exceto a perícia. Você agenda pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135. Segundo o INSS, a análise após a realização da perícia médica costuma ocorrer em 30 a 45 dias, variando conforme a fila da sua cidade.

- Acesse o app ou o site [Meu INSS (gov.br)](https://www.gov.br/inss) com sua conta gov.br.
- Busque “Novo pedido” e escolha “Benefício por incapacidade” ou “Benefício assistencial à pessoa com deficiência (BPC)”.
- Anexe os documentos em PDF ou foto legível. Documento borrado é motivo real de exigência.
- Escolha a agência e a data da perícia. O sistema oferece as vagas disponíveis; anote o número do protocolo.
- No dia, leve os documentos ORIGINAIS em papel, mesmo tendo anexado. Perito costuma manusear o exame.
- Acompanhe pelo app. Se aparecer “exigência”, você tem prazo para responder, geralmente 30 dias. Ignorar exigência arquiva o pedido.

Documentos que você deve separar:

- RG e CPF, comprovante de residência atualizado.
- Carteira de trabalho e/ou carnês e guias de contribuição (GPS).
- Laudo médico detalhado, recente, com CID B18.2 e as limitações funcionais descritas.
- Exames: sorologia, carga viral, elastografia ou biópsia, ultrassom, endoscopia quando houver, relatórios de internação.
- Receitas e caixas de medicação em uso (mostram que o tratamento é real e contínuo).
- Para trabalhador CLT: documento da empresa descrevendo a função e o Comunicado de Acidente de Trabalho, se houver.
- Para BPC: CadÚnico atualizado e comprovantes de renda de todos os moradores da casa.

Enquanto o benefício estiver ativo, para quem é CLT, o vínculo empregatício se mantém, o FGTS continua sendo depositado nas hipóteses previstas em lei e o [plano de saúde](https://www.ribeirocavalcante.com.br/negativa-de-cirurgia-pelo-plano-de-saude-2026/) empresarial pode ser mantido quando o contrato ou a convenção coletiva prevê. Você não está demitido: está afastado.

Antes de enviar, olhe três papéis com atenção: o laudo médico (ele fala de limitação funcional ou só de diagnóstico?), o extrato CNIS (há meses em branco perto da data em que você adoeceu?) e, se já houve negativa, a carta de indeferimento com o motivo escrito. É nesses três que os pedidos com B18.2 costumam morrer, quase sempre por um laudo genérico. Se quiser, nossa equipe lê esses documentos e diz o que está faltando neles antes de você gastar uma nova perícia.

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## O INSS negou o benefício. O que fazer agora?

Você tem duas rotas. A administrativa: recurso à Junta de Recursos do INSS, com prazo de 30 dias contados da ciência da negativa. E a judicial: ação na Justiça Federal, que nos Juizados Especiais Federais atende causas de até 60 salários mínimos, ou seja, até R$ 97.260,00 em 2026, sem custas iniciais.

A primeira coisa é baixar a íntegra da negativa no Meu INSS, não só a mensagem de push. Você quer o documento em que consta o parecer da perícia e a conclusão. É nele que aparece se a negativa foi por “ausência de incapacidade”, por “falta de qualidade de segurado”, por carência ou por renda no BPC. Cada motivo pede uma estratégia diferente.

- **Negado por ausência de incapacidade:** é aqui que a prova médica vale tudo. Na Justiça, um perito nomeado pelo juiz, independente do INSS, reexamina o caso.
- **Negado por falta de qualidade de segurado:** a briga é sobre datas. Prova-se atividade no período (recibos, contratos, testemunhas) ou período de graça.
- **Negado por carência:** verifique se há hepatopatia grave documentada, o que dispensa a carência.
- **Negado por renda no BPC:** aqui entra a tese da miserabilidade concreta, com comprovantes de gasto com saúde.

Na via judicial existe ainda o pedido de tutela de urgência, previsto no Código de Processo Civil, para que o benefício comece a ser pago antes do fim do processo, quando há risco à subsistência e prova forte da doença. Não é automático, mas em quadros de hepatopatia com internações é um pedido que se sustenta. Vale conhecer também a orientação do Superior Tribunal de Justiça em matéria previdenciária no [portal do STJ](https://www.stj.jus.br).

Um detalhe que faz diferença na prática: entre o pedido e a resposta final, é comum surgir uma segunda solicitação de documentos. É nessa etapa que a maioria das pessoas desiste, achando que o INSS está apenas empurrando. Não é. Responder à exigência dentro do prazo mantém a data de entrada do requerimento, e essa data define quanto de retroativo você recebe.

## Perguntas frequentes sobre CID B18.2 e benefícios do INSS

### Se eu me curar da hepatite C, perco o benefício?

O benefício acompanha a incapacidade, não o vírus. Se você obteve resposta virológica sustentada (cura virológica) mas já tem dano hepático estabelecido, como cirrose ou fibrose avançada, a limitação funcional continua existindo e o benefício pode ser mantido. O erro é acreditar que a cura da infecção apaga a sequela. Leve para a perícia de revisão os exames de imagem e a classificação do estágio da doença hepática, não apenas o resultado de carga viral indetectável. É a função do fígado que interessa ao perito, não o exame do vírus.

### Posso trabalhar recebendo auxílio por incapacidade temporária?

Não na atividade pela qual você está afastado. Voltar a trabalhar na mesma função é entendido pelo INSS como recuperação da capacidade e cessa o benefício, com risco de cobrança dos valores pagos no período. Existe uma discussão sobre atividades distintas e vínculos diferentes, mas é terreno arriscado. Se você tem dois empregos e está incapaz para um só, informe isso no requerimento desde o início, com descrição das duas funções. Descobrir depois, por cruzamento de dados no CNIS, é o pior cenário possível.

### Hepatite C contraída no trabalho é acidentária? Muda algo?

Muda bastante. Profissionais de saúde, laboratório, limpeza hospitalar, dentistas e agentes de segurança expostos a material biológico podem ter a hepatite C reconhecida como doença ocupacional, equiparada a acidente de trabalho. Nesse caso o benefício é o B91 (acidentário), não o B31: você não precisa de carência, tem estabilidade de 12 meses no emprego após a alta, mantém o depósito do FGTS durante o afastamento e a aposentadoria por invalidez acidentária é calculada em 100% da média. É indispensável exigir a emissão do CAT pela empresa.

### O INSS pode cortar meu benefício sem me avisar?

O corte precisa ser precedido de comunicação e oportunidade de defesa, mas na prática a convocação muitas vezes chega por carta ao endereço antigo ou por aviso no aplicativo que a pessoa não abre. Mantenha o endereço atualizado no Meu INSS e cheque o app pelo menos uma vez por mês. Se o benefício foi cessado sem que você fosse chamado à perícia de revisão, há base para questionar o ato administrativo, inclusive judicialmente, por falta de contraditório.

### Quanto tempo demora a ação judicial previdenciária?

Não existe prazo garantido e desconfie de quem promete data. O que se pode dizer é o desenho do processo: distribuição, contestação do INSS, nomeação de perito judicial, agendamento de perícia, laudo, manifestação das partes e sentença. A etapa mais lenta é normalmente a fila do perito judicial. Nos Juizados Especiais Federais, causas de até R$ 97.260,00 tramitam sem custas iniciais e com procedimento mais enxuto. O pedido de tutela de urgência pode antecipar o pagamento antes da sentença, quando a prova documental é robusta.

### Preciso de advogado para pedir o benefício no INSS?

Para o pedido administrativo, não. Você mesmo faz pelo Meu INSS e não paga nada ao INSS por isso. Advogado passa a ser necessário na ação judicial e é bastante útil antes do primeiro pedido, para revisar se o laudo descreve limitação funcional e se o CNIS não tem lacunas. A logica é a mesma que vale para outras doenças crônicas, como explicamos no artigo sobre [auxílio-doença na doença de Parkinson](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-g20-doenca-de-parkinson/): o pedido bem montado na origem evita anos de discussão.

## CID B18.2 e INSS: Não Deixe o Prazo Passar

Faça isso hoje, na ordem: separe o laudo médico mais recente, os exames que mostram o estágio da doença (elastografia, biópsia, ultrassom, endoscopia) e o extrato CNIS baixado no Meu INSS. Se você é CLT, junte também os atestados que entregou à empresa. Se já houve negativa, baixe a carta de indeferimento com o parecer da perícia: esse é o documento mais importante do seu caso, porque é ele que diz exatamente onde o pedido travou.

Com esses papéis em mãos, mande mensagem. O que acontece em concreto é isto: a gente lê os documentos, diz se o caso tem base legal, aponta o que falta no laudo e indica qual dos três caminhos (auxílio, BPC ou aposentadoria) se encaixa na sua situação, antes de qualquer contratação. Sem promessa de resultado e sem enrolação.

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