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    "title": "CID D68.0 dá Direito a Auxílio-Doença? Como Pedir em 2026",
    "excerpt": "CID D68.0 (von Willebrand) dá direito a auxílio-doença, BPC ou aposentadoria por invalidez? Veja requisitos, documentos e o que fazer se o INSS negar.",
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    "content_markdown": "Você tem o CID D68.0 (Doença de von Willebrand) no atestado, está sangrando com frequência, faltando ao trabalho, e alguém disse que “esse CID não dá benefício”? Ou você já foi ao INSS, passou pela perícia e ouviu que “está apto”? Então a primeira coisa que você precisa saber é esta: o INSS não concede benefício por causa do código da doença. Ele concede por causa da **incapacidade para o trabalho**, comprovada documento por documento.\n\nNão existe na lei previdenciária nenhuma “lista de CIDs que aposentam”. O D68.0 cobre um universo enorme: tem gente com o tipo 1 leve que trabalha a vida inteira sem nenhuma limitação, e tem gente com tipo 3 ou tipo 2 grave, com hemorragias espontâneas, internações recorrentes, hemartrose e sequela articular. Mesmo CID, resultados opostos na perícia.\n\nLeia também:\n[Benefícios do INSS por Doença: Como Pedir em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/)\n\nE é exatamente aí que a maioria dos pedidos morre. A pessoa chega na perícia com um atestado de três linhas escrito “D68.0, afastar 30 dias”. O perito lê, não encontra nenhuma descrição de limitação funcional, e conclui que não há incapacidade. O problema não foi a doença. Foi o papel.\n\nNeste texto você vai entender os três caminhos possíveis: o auxílio-doença (hoje chamado de benefício por incapacidade temporária), o BPC/LOAS para quem não tem [qualidade de segurado](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/), e a aposentadoria por incapacidade permanente. Vai ver quais documentos realmente pesam, o que trava o pedido antes mesmo da perícia, e o que fazer quando vem o indeferimento. Se quiser o panorama completo de todos os benefícios, vale ler também nosso guia sobre [benefícios do INSS por doença e como pedir em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/).\n\n<a id=\"quem-tem-cid-d68-0-tem-direito-ao-auxilio-doenca\"></a>\n## Quem tem CID D68.0 tem direito ao auxílio-doença?\n\nTem direito quem preenche três requisitos simultâneos, previstos na Lei nº 8.213/91: estar incapaz para o trabalho por mais de 15 dias, ter qualidade de segurado (estar contribuindo ou dentro do [período de graça](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/)) e cumprir a carência de 12 contribuições mensais. O diagnóstico de von Willebrand, isolado, não garante nada.\n\nLeia também:\n[CID G40.4 (Síndrome de West): BPC e Auxílio-Doença 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-g40-4-sindrome-de-west/)\n\nO benefício por incapacidade temporária é o antigo auxílio-doença. Ele serve para quem está **temporariamente** sem condições de exercer a própria atividade. Não exige que você esteja incapaz para tudo na vida: exige que esteja incapaz para a função que exerce.\n\nEssa distinção é o coração do pedido. Um auxiliar administrativo com von Willebrand tipo 1 leve, que trabalha sentado, provavelmente não tem incapacidade reconhecida. Um ajudante de obra com o mesmo CID, exposto a impacto, corte e esforço físico, tem um cenário totalmente diferente, porque qualquer trauma pode virar hemorragia.\n\n<a id=\"carencia-as-12-contribuicoes-e-as-excecoes\"></a>\n### Carência: as 12 contribuições e as exceções\n\nA regra geral é 12 contribuições mensais antes do afastamento. Existem duas situações em que a carência cai:\n\n- **Acidente de qualquer natureza:** não há carência. Se o sangramento incapacitante decorreu de um acidente (inclusive de trabalho), a exigência de 12 meses não se aplica.\n- **Doenças graves listadas em ato do Ministério da Saúde e da Previdência:** também dispensam carência. Atenção: a Doença de von Willebrand *não* está nessa lista. A hemofilia e a von Willebrand são coisas distintas no CID, e o INSS trabalha com a lista literal.\n\n**Importante:** se você perdeu a qualidade de segurado e voltou a contribuir, a lei exige que você cumpra **metade** da carência (ou seja, 6 contribuições) para recuperar o direito ao benefício por incapacidade. Essa regra derruba muitos pedidos de quem ficou anos sem contribuir e voltou há poucos meses.\n\n<a id=\"quanto-voce-recebe\"></a>\n### Quanto você recebe\n\nDepois da Reforma da Previdência, o cálculo é 91% da média de todos os seus salários de contribuição desde 07/1994, respeitado o teto. O piso é o salário mínimo, fixado pelo Governo Federal em **R$ 1.621,00** para 2026, e o teto do INSS em 2026 é de **R$ 8.157,41**.\n\n**Exemplo prático:** imagine que sua média de salários de contribuição seja de R$ 3.200,00. O benefício ficaria em torno de R$ 2.912,00 (91% da média). Se a média fosse R$ 1.500,00, o cálculo daria menos que o mínimo, e o INSS pagaria o piso de R$ 1.621,00.\n\nSe você é empregado com carteira assinada, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa. O INSS só entra do 16º dia em diante. Por isso o pedido no Meu INSS deve ser feito já com o atestado cobrindo período superior a 15 dias.\n\n<a id=\"o-que-trava-o-pedido-antes-de-chegar-na-pericia\"></a>\n## O que trava o pedido antes de chegar na perícia?\n\nNa prática, três coisas travam o pedido de quem tem D68.0: documentação médica genérica (sem descrição de limitação funcional), falta de qualidade de segurado na data do afastamento, e inconsistência de datas entre o atestado, o CNIS e o pedido. Qualquer uma delas derruba o requerimento antes de qualquer discussão sobre a gravidade da doença.\n\nVamos ao primeiro ponto, que é o mais comum. O relatório médico que funciona não é o que repete o diagnóstico. É o que descreve o que você **não consegue fazer**. Compare:\n\nAtestado fraco: “Paciente portador de D68.0. Solicito afastamento por 60 dias.”\n\nRelatório forte: tipo e subtipo da doença, nível do fator de von Willebrand e do fator VIII nos exames, histórico de episódios hemorrágicos com datas, número de internações e transfusões no último ano, se há hemartrose e qual articulação, grau de limitação de movimento, medicação em uso, necessidade de reposição de fator e, no fim, a frase que importa: a descrição de que as atividades da função X são incompatíveis com o quadro, e por quê.\n\nO segundo ponto é a qualidade de segurado. Muita gente descobre na hora errada que ela já tinha sido perdida. Se você é empregado, ela existe enquanto o vínculo está ativo. Se parou de contribuir, você tem o chamado **período de graça**: em regra 12 meses após a última contribuição, que pode ir a 24 meses se você já tinha mais de 120 contribuições, e aumentar em 12 meses se comprovar desemprego (registro no sistema do Ministério do Trabalho ou outro meio de prova admitido).\n\nO terceiro ponto é mais burocrático, mas pesa. O INSS fixa a **DII** (data de início da incapacidade) com base no que está nos documentos. Se seu atestado mais antigo é de três anos atrás e você só pediu agora, o perito pode fixar a DII em período em que você não tinha mais qualidade de segurado. Resultado: indeferido por “incapacidade anterior ao reingresso”. Juntar o histórico médico completo, em ordem de datas, evita essa armadilha.\n\n**Dica de ouro:** peça ao hospital onde você já se tratou o prontuário completo e os resultados de exames antigos. Hemograma, coagulograma, dosagem de fator e relatórios de internação com data são a prova objetiva de que o quadro é recorrente, não um episódio isolado.\n\n<a id=\"e-se-voce-nunca-contribuiu-como-funciona-o-bpc-loas\"></a>\n## E se você nunca contribuiu? Como funciona o BPC/LOAS\n\nQuem nunca contribuiu ou perdeu a qualidade de segurado pode pedir o BPC/LOAS, um benefício assistencial de um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social. Exige dois requisitos: renda familiar por pessoa de até 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25) e impedimento de longo prazo de no mínimo 2 anos.\n\nPreste atenção na diferença conceitual, porque ela muda tudo. No auxílio-doença se discute **incapacidade para o trabalho**. No BPC se discute **impedimento de longo prazo** de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, obstrui a participação plena na sociedade em igualdade de condições.\n\nNa prática, o BPC tem duas avaliações: a perícia médica e a avaliação social, feita por assistente social do INSS. A avaliação social é onde entra o contexto: se você mora em zona rural longe de hemocentro, se depende de alguém para se locomover em crise, se já abandonou estudo ou trabalho por causa dos sangramentos.\n\n<a id=\"o-calculo-da-renda-que-reprova-quase-todo-mundo\"></a>\n### O cálculo da renda que reprova quase todo mundo\n\nSoma-se toda a renda de quem mora na casa e divide pelo número de pessoas. Entram no grupo familiar: o requerente, cônjuge ou companheiro, pais, padrastos, irmãos solteiros, filhos e enteados solteiros, e menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto.\n\n**Exemplo prático:** imagine uma família de 4 pessoas em que só a mãe trabalha, recebendo R$ 1.621,00. Dividido por 4, dá R$ 405,25 por pessoa, exatamente no limite de 1/4 do mínimo. Se entrar na casa mais R$ 50 de qualquer renda, o pedido é indeferido administrativamente por critério de renda.\n\nEsse é um dos pontos mais litigados na Justiça. Os tribunais admitem, em determinadas situações, descontar da renda familiar gastos permanentes e comprovados com saúde e medicamentos, e também afastar da contagem benefício assistencial já recebido por outro membro da família. Se o seu indeferimento veio por renda e você gasta por mês com medicação, transporte até hemocentro ou fraldas e insumos, guarde todas as notas fiscais.\n\n**Atenção:** sem Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, o pedido de BPC nem é analisado. Vá ao CRAS do seu município antes de abrir o requerimento, e confira se todos os moradores estão cadastrados corretamente. Cadastro com dados antigos é motivo de indeferimento automático.\n\n<a id=\"quando-a-doenca-de-von-willebrand-pode-levar-a-aposentadoria-por-invalidez\"></a>\n## Quando a Doença de von Willebrand pode levar à aposentadoria por invalidez?\n\nA aposentadoria por incapacidade permanente (nome atual da [aposentadoria por invalidez](https://www.ribeirocavalcante.com.br/aposentadoria-por-invalidez/)) exige incapacidade **total e permanente**, sem possibilidade de reabilitação para outra atividade que garanta a subsistência. O valor é 60% da média de contribuições, mais 2% por ano que exceder 20 anos de contribuição (15 anos, para mulheres).\n\nEsse é o benefício mais difícil de obter, e é honesto dizer isso. Von Willebrand é doença crônica e, na maioria dos casos, controlável com tratamento. O INSS parte da premissa de que a pessoa pode ser reabilitada para função compatível, sem exposição a trauma e esforço.\n\nO cenário muda quando existem **sequelas consolidadas**. Hemartroses de repetição que geraram artropatia e limitação de movimento, anemia crônica grave e persistente, sequela neurológica de hemorragia do sistema nervoso central, ou necessidade de internação e reposição de fator em intervalos muito curtos. Nesses casos, a discussão deixa de ser sobre a doença em si e passa a ser sobre o que ela já destruiu de capacidade funcional.\n\nEntra também o critério social. A idade, a escolaridade e o histórico profissional pesam na análise da possibilidade real de reabilitação. Um trabalhador de 56 anos, com ensino fundamental incompleto, que passou 30 anos na construção civil, não tem o mesmo prognóstico de recolocação que um jovem com curso técnico. Tribunais levam isso em conta ao avaliar a incapacidade em sentido amplo. A mesma lógica aparece em quadros neurológicos, como explicamos no texto sobre [como funciona a aposentadoria por invalidez em casos de AVC](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-i69-sequelas-de-avc/).\n\nVale lembrar o acréscimo de 25% previsto na Lei nº 8.213/91 para o aposentado por invalidez que precisa de assistência permanente de outra pessoa. Esse adicional incide sobre o valor do benefício e é devido mesmo que ultrapasse o teto.\n\n<a id=\"auxilio-doenca-bpc-ou-aposentadoria-qual-caminho-e-o-seu\"></a>\n## Auxílio-doença, BPC ou aposentadoria: qual caminho é o seu?\n\nA escolha não é livre: depende de você ter ou não contribuições e de a incapacidade ser temporária ou definitiva. Mas é possível saber, antes de abrir o pedido, qual porta bater. A tabela abaixo resume o que cada caminho exige de você e qual o valor em jogo em 2026.\n\n| Caminho | Precisa ter contribuído? | O que você precisa provar | Valor em 2026 |\n| --- | --- | --- | --- |\n| Benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença) | Sim, 12 contribuições (ou 6, se estiver recuperando a qualidade de segurado) | Incapacidade para a sua função, por mais de 15 dias | 91% da média, entre R$ 1.621,00 e R$ 8.157,41 |\n| BPC/LOAS | Não | Renda familiar por pessoa até R$ 405,25 + impedimento de pelo menos 2 anos + CadÚnico atualizado | R$ 1.621,00 fixo (sem 13º) |\n| Aposentadoria por incapacidade permanente | Sim, mesma carência de 12 contribuições | Incapacidade total, permanente e insuscetível de reabilitação | 60% da média + 2% por ano acima de 20 (homem) / 15 (mulher) |\n\nUma observação que economiza tempo: se você tem contribuições e dúvida sobre a permanência da incapacidade, peça o benefício por incapacidade temporária. Nada impede que, depois, com o quadro agravado ou após tentativa frustrada de reabilitação, o benefício seja convertido em aposentadoria por incapacidade permanente.\n\nE se você tem contribuições mas já perdeu a qualidade de segurado, e a renda da sua casa é baixa, os dois caminhos podem ser analisados em paralelo. O que não funciona é pedir BPC tendo renda familiar acima do limite e apostar que o INSS “não vai checar”. Vai: o cruzamento com o CadÚnico e com o CNIS é automático.\n\n<a id=\"como-pedir-o-beneficio-pelo-meu-inss-passo-a-passo\"></a>\n## Como pedir o benefício pelo Meu INSS: passo a passo\n\nTodo o pedido é feito pelo portal ou aplicativo [Meu INSS\r\n\r\n](https://meu.inss.gov.br/), com login gov.br. Desde a implantação do Atestmed, parte dos pedidos de incapacidade temporária pode ser analisada apenas por documentos, sem perícia presencial, para afastamentos de até 180 dias, conforme regras do INSS.\n\nO caminho na tela é este:\n\n- Entre no Meu INSS e faça login com sua conta gov.br.\n- Clique em “Novo pedido” e digite “incapacidade temporária” (ou “benefício assistencial” para o BPC).\n- Confirme seus dados de contato. É pelo telefone cadastrado que o INSS avisa de exigência.\n- Anexe os documentos em PDF legível. Documento tremido ou cortado é motivo de “exigência cumprida parcialmente”.\n- Escolha entre análise documental (Atestmed) ou perícia presencial, quando a opção aparecer.\n- Guarde o número do protocolo e acompanhe em “Consultar pedidos”.\n\n<a id=\"documentos-que-voce-precisa-separar\"></a>\n### Documentos que você precisa separar\n\n- Documento de identidade com foto e CPF;\n- Carteira de trabalho e/ou carnês de contribuição (GPS);\n- Relatório médico recente, assinado, com CRM, data e descrição da limitação funcional;\n- Exames: coagulograma, dosagem de fator de von Willebrand e fator VIII, hemogramas;\n- Relatórios de internação, transfusão e reposição de fator, com datas;\n- Receitas e notas de medicação de uso contínuo;\n- Para o BPC: CadÚnico atualizado e comprovantes de renda de todos os moradores;\n- Se houver: comunicação de acidente de trabalho (CAT) e laudos de afastamento anteriores.\n\n**Cuidado:** quando o INSS abre “exigência”, o prazo para cumprir é curto, em regra 30 dias, e o aviso chega pelo app ou pelo e-mail cadastrado. Se você não anexar o que foi pedido nesse prazo, o pedido é encerrado por falta de documentação, e você perde a data de entrada (DER), que é a data a partir da qual os valores atrasados seriam contados.\n\nAntes de abrir o requerimento, tenha em mãos três peças: o **relatório médico com descrição da limitação funcional**, os **exames de coagulação com datas** e o seu **extrato CNIS**. O erro que mais derruba esses pedidos é o relatório que só repete o CID D68.0 sem dizer o que você deixou de conseguir fazer, combinado com um CNIS que mostra lacuna de contribuição ignorada pelo requerente. Se quiser, nossa equipe pode ler esses documentos e apontar o que está faltando antes de você protocolar.\n\nFale agora com um advogado especialista\n[ Falar com Advogado no WhatsApp](https://www.ribeirocavalcante.com.br/ads/wpp.html)\n\n<a id=\"beneficio-negado-qual-e-o-erro-que-custa-caro-nessa-hora\"></a>\n## Benefício negado: qual é o erro que custa caro nessa hora?\n\nO erro mais caro é simplesmente refazer o mesmo pedido, com os mesmos documentos, esperando resultado diferente. Você tem 30 dias da ciência da decisão para apresentar recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, e também pode pedir novo requerimento ou ir direto à Justiça Federal. Cada caminho serve a um problema distinto.\n\nPrimeira providência: baixe a **carta de concessão/indeferimento** no Meu INSS e leia o motivo. Ela traz uma frase curta que define sua estratégia. Pode vir “não constatada incapacidade laborativa”, “não cumprida a carência”, “perda da qualidade de segurado”, “renda familiar superior ao limite” ou “incapacidade anterior à filiação”.\n\n- **Negou por falta de incapacidade:** o problema é a prova médica. Recurso com relatório novo, detalhado e com histórico de internações faz sentido. Repetir o atestado antigo, não.\n- **Negou por carência ou qualidade de segurado:** aqui a disputa é documental, não médica. Períodos de desemprego comprovado, vínculos não lançados no CNIS e contribuições em atraso podem mudar a conta.\n- **Negou por renda no BPC:** é o cenário em que a Justiça costuma ser mais útil que o recurso administrativo, porque permite discutir a dedução de gastos com saúde.\n- **Negou dizendo que a doença é anterior à filiação:** von Willebrand é hereditária, então o INSS usa muito esse argumento. A resposta jurídica é que o que importa não é a data da doença, é a data do **agravamento** que gerou a incapacidade.\n\nEsse último ponto merece destaque, porque é o contra-argumento forte do INSS em casos de doença congênita. O art. 59 da Lei nº 8.213/91 exclui o benefício para quem já se filiou ao RGPS *já incapaz*. Mas a lei ressalva expressamente a hipótese de **progressão ou agravamento** da doença. Ou seja: nascer com von Willebrand não impede nada. Quem trabalhou e contribuiu durante anos provou, na prática, que era capaz. A incapacidade surgiu depois, com o agravamento, e é isso que o laudo precisa dizer com data.\n\nNo Judiciário, o processo tem perícia por médico nomeado pelo juiz, não vinculado ao INSS. O perito recebe os quesitos das partes e responde por escrito. Quem chega com documentação organizada em ordem cronológica aproveita muito melhor essa perícia, porque o perito tem pouco tempo e lê o que está à mão. Vale lembrar que o Superior Tribunal de Justiça já fixou entendimento sobre a necessidade de prévio requerimento administrativo antes do ajuizamento da ação ([consulte a jurisprudência no portal do STJ](https://www.stj.jus.br/)), no julgamento do Tema 626. Em outras palavras: você precisa ter pedido ao INSS e ter sido negado, antes de ir ao juiz.\n\nUma observação da lida diária com esses processos: boa parte dos indeferimentos por “ausência de incapacidade” não decorre da gravidade real do quadro, mas da ausência de qualquer ligação explícita, no relatório médico, entre o sintoma e a tarefa que a pessoa executa. Quando o laudo descreve a função (“opera serra circular”, “carrega sacos de 50 kg”, “trabalha em pé 8 horas”) e explica por que aquela tarefa é incompatível com risco hemorrágico, a conversa muda de patamar.\n\n<a id=\"o-que-mais-as-pessoas-perguntam-sobre-o-cid-d68-0-e-o-inss\"></a>\n## O que mais as pessoas perguntam sobre o CID D68.0 e o INSS\n\nAbaixo estão as dúvidas que mais aparecem depois que a pessoa já entendeu os três caminhos. São pontos práticos sobre estabilidade, isenções, acumulação de benefícios e alta programada, que não cabem nas seções anteriores.\n\n<a id=\"quem-tem-doenca-de-von-willebrand-e-isento-de-imposto-de-renda\"></a>\n### Quem tem Doença de von Willebrand é isento de Imposto de Renda?\n\nEm regra, não. A isenção de Imposto de Renda sobre proventos de aposentadoria é restrita à lista de doenças graves prevista na legislação tributária (como neoplasia maligna, [cardiopatia grave](https://www.ribeirocavalcante.com.br/cardiopatia-grave-auxilio-doenca-invalidez/), [esclerose múltipla](https://www.ribeirocavalcante.com.br/esclerose-multipla-doenca-invalidez/), entre outras). A Doença de von Willebrand não consta nessa lista. Já a isenção de IPI e IPVA para compra de veículo depende de lei estadual e de comprovação de deficiência física, o que só se aplica se houver sequela articular ou motora relevante, atestada por laudo da autoridade competente. Vale consultar a legislação do seu estado, porque os critérios variam bastante.\n\n<a id=\"posso-ser-demitido-estando-com-o-cid-d68-0-no-atestado\"></a>\n### Posso ser demitido estando com o CID D68.0 no atestado?\n\nDurante o período em que você está recebendo benefício por incapacidade temporária, o contrato de trabalho fica suspenso e a [demissão sem justa causa](https://www.ribeirocavalcante.com.br/demissao-sem-justa-causa-direitos/) não pode ocorrer. Depois da alta, só existe estabilidade legal de 12 meses se o afastamento tiver sido reconhecido como **acidentário** (código 91), não previdenciário (código 31). Além disso, o Tribunal Superior do Trabalho entende como discriminatória a dispensa de empregado portador de doença grave que gere estigma ou preconceito, o que pode gerar direito a reintegração ou indenização, a depender da prova.\n\n<a id=\"posso-trabalhar-recebendo-bpc-loas\"></a>\n### Posso trabalhar recebendo BPC/LOAS?\n\nSim, em uma hipótese específica: a lei prevê que a contratação da pessoa com deficiência como aprendiz não extingue o BPC, que fica suspenso por até dois anos. Fora disso, se você começar a trabalhar com carteira assinada, o benefício é suspenso, mas não cessa definitivamente. Terminado o vínculo, é possível pedir a reativação sem precisar passar por nova avaliação médica e social, desde que mantidas as condições. Importante: o BPC não dá direito a 13º salário e não gera [pensão por morte](https://www.ribeirocavalcante.com.br/pensao-por-morte-2026/) para dependentes.\n\n<a id=\"o-inss-marcou-alta-e-eu-continuo-incapaz-o-que-faco\"></a>\n### O INSS marcou alta e eu continuo incapaz. O que faço?\n\nA alta programada (DCB, data de cessação do benefício) vem na carta de concessão. Se você continua incapaz, precisa pedir a **prorrogação** nos 15 dias anteriores à data da cessação, pelo Meu INSS, opção “Pedido de Prorrogação”. Perdeu esse prazo, só resta abrir novo requerimento, o que reinicia a fila. Se o pedido de prorrogação for negado, você tem 30 dias para pedir reconsideração, com novo relatório médico. É aqui que muita gente desiste e fica sem renda no meio do tratamento.\n\n<a id=\"da-para-acumular-auxilio-doenca-com-outro-beneficio\"></a>\n### Dá para acumular auxílio-doença com outro benefício?\n\nNão com outro benefício por incapacidade, nem com aposentadoria. O benefício por incapacidade temporária não pode ser acumulado com aposentadoria de qualquer espécie nem com [seguro-desemprego](https://www.ribeirocavalcante.com.br/seguro-desemprego-2026-quem-tem-direito/). Pode ser acumulado com pensão por morte e com salário-família, que em 2026 é de R$ 65,57 por filho, para quem recebe até R$ 1.819,26, segundo a tabela do INSS. O BPC, por ser assistencial, não pode ser acumulado com nenhum outro benefício previdenciário, salvo pensão especial de natureza indenizatória.\n\n<a id=\"a-pericia-do-inss-pode-dar-incapacidade-so-parcial\"></a>\n### A perícia do INSS pode dar incapacidade só parcial?\n\nPode. Nesse caso, o INSS costuma encaminhar o segurado para **reabilitação profissional**, programa em que a pessoa é treinada para outra função compatível com sua limitação. Enquanto está em reabilitação, continua recebendo o benefício. Ao fim do processo, recebe certificado e é desligado. Se a reabilitação se mostrar inviável (por idade, escolaridade ou pela própria gravidade do quadro), o caminho é a aposentadoria por incapacidade permanente. Recusar-se a participar sem justificativa, por outro lado, pode levar à suspensão do benefício.\n\n<a id=\"cid-d68-0-como-garantir-seu-beneficio-do-inss-em-2026\"></a>\n## CID D68.0: Como Garantir seu Benefício do INSS em 2026\n\nSe você chegou até aqui, o próximo passo é físico e dá para fazer esta semana. Separe três coisas em uma pasta: (1) o relatório médico mais recente, com CRM, data e descrição do que você não consegue mais fazer no trabalho; (2) todos os exames de coagulação e relatórios de internação com data, do mais antigo ao mais novo; (3) o extrato CNIS, que você baixa em PDF no Meu INSS, para conferir se há lacuna de contribuição.\n\nSe o benefício já foi negado, baixe a carta de indeferimento. Ela é a peça mais importante do seu caso, porque o motivo escrito ali define se a briga é médica, documental ou de renda. Sem esse papel, qualquer orientação é chute.\n\nQuando você manda mensagem, o que acontece é concreto: a gente lê esses documentos, diz se o caso tem base legal, aponta qual dos três caminhos se encaixa na sua situação e o que ainda falta de prova, antes de qualquer contratação. Se o caso não tiver fundamento, você vai ouvir isso também. Para entender como esse raciocínio se aplica a outros quadros crônicos, veja nosso texto sobre [auxílio-doença na Doença de Parkinson](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-g20-doenca-de-parkinson/), e consulte sempre o texto da [Lei nº 8.213/91 no portal do Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm) para conferir os artigos citados aqui.\n\nFale agora com um advogado especialista\n[ Falar com Advogado no WhatsApp](https://www.ribeirocavalcante.com.br/ads/wpp.html)",
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        {
            "question": "O CID D68.0 aposenta por invalidez?",
            "answer": "Só nos quadros mais graves, como o tipo 3 ou tipo 2 com hemorragias espontâneas, hemartrose e sequela articular que impeçam qualquer trabalho de forma definitiva. O perito avalia idade, escolaridade e possibilidade de reabilitação profissional, nunca apenas o código da doença."
        },
        {
            "question": "Quantas contribuições preciso para pedir auxílio-doença com CID D68.0?",
            "answer": "Em regra, 12 contribuições mensais e qualidade de segurado na data do afastamento. Se a incapacidade decorrer de acidente de qualquer natureza ou de doença enquadrada na lista do Ministério da Saúde/Previdência, a carência é dispensada."
        },
        {
            "question": "Quem tem doença de von Willebrand e nunca contribuiu tem direito a algum benefício?",
            "answer": "Pode requerer o BPC/LOAS, de um salário mínimo, desde que comprove deficiência de longo prazo (mais de 2 anos de impedimento) e renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo, com CadÚnico atualizado."
        },
        {
            "question": "O INSS negou meu pedido com CID D68.0. O que fazer agora?",
            "answer": "Baixe a carta de indeferimento no Meu INSS e leia o motivo: se foi perícia, cabe recurso ao CRPS em 30 dias com laudos novos e detalhados; se foi falta de carência ou de documentos, o caminho é corrigir o CNIS ou reunir provas antes de novo requerimento."
        },
        {
            "question": "Posso ser demitido afastado pelo CID D68.0?",
            "answer": "Enquanto você recebe benefício por incapacidade temporária o contrato fica suspenso e não cabe demissão sem justa causa. Após a alta, se o afastamento tiver sido por doença equiparada a acidente de trabalho, ainda há 12 meses de estabilidade."
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            "text": "Quem tem CID D68.0 tem direito ao auxílio-doença?",
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            "text": "Carência: as 12 contribuições e as exceções",
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            "text": "O que trava o pedido antes de chegar na perícia?",
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            "text": "E se você nunca contribuiu? Como funciona o BPC/LOAS",
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            "text": "O cálculo da renda que reprova quase todo mundo",
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            "text": "Quando a Doença de von Willebrand pode levar à aposentadoria por invalidez?",
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            "text": "Auxílio-doença, BPC ou aposentadoria: qual caminho é o seu?",
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            "text": "Como pedir o benefício pelo Meu INSS: passo a passo",
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            "text": "Benefício negado: qual é o erro que custa caro nessa hora?",
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            "text": "O que mais as pessoas perguntam sobre o CID D68.0 e o INSS",
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