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    "excerpt": "CID K91.2 (síndrome do intestino curto) não garante benefício automático: veja como provar incapacidade, documentos e o que fazer se o INSS negar.",
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    "content_markdown": "Você fez uma cirurgia que retirou boa parte do intestino delgado, recebeu um laudo com o código CID K91.2 (Síndrome do Intestino Curto) e agora não consegue mais segurar um dia inteiro de trabalho. Diarreia constante, desnutrição, internações para hidratação, às vezes nutrição parenteral em casa. E o INSS negou o seu pedido dizendo que “não foi constatada incapacidade laborativa”.\n\nA resposta curta é esta: o INSS não paga benefício por causa de um código de doença. Ele paga por causa da **incapacidade comprovada**. O CID K91.2 (registrado no CID-10 como “má-absorção pós-cirúrgica”) só diz ao perito *qual* é a sua doença. Quem decide o benefício é a repercussão dela na sua capacidade de trabalhar e de se manter de pé durante uma jornada.\n\nLeia também:\n[Benefícios do INSS por Doença: Como Pedir em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/)\n\nIsso explica por que duas pessoas com o mesmo K91.2 recebem respostas opostas. Uma está com nutrição parenteral domiciliar, 8 a 12 evacuações por dia e internações repetidas. A outra está compensada, com dieta adaptada e trabalho administrativo sentada. O código é igual, a limitação funcional não.\n\nExistem três caminhos possíveis, e o certo depende da sua situação contributiva. Se você contribuiu e está incapaz por um período, o caminho é o auxílio por incapacidade temporária (o antigo [auxílio-doença](https://www.ribeirocavalcante.com.br/auxilio-doenca/)). Se a incapacidade é definitiva, é a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga invalidez). Se você nunca contribuiu ou perdeu a [qualidade de segurado](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/), o caminho é o BPC/LOAS, que em 2026 paga R$ 1.621,00, valor do [salário mínimo](https://www.ribeirocavalcante.com.br/salario-minimo-em-2025/) fixado pelo Governo Federal.\n\nAbaixo você vai entender qual dos três se aplica ao seu caso, o que o laudo médico precisa dizer (e o que a maioria dos laudos não diz), e o que fazer com a negativa que já está na sua mão.\n\nLeia também:\n[CID G40.4 (Síndrome de West): BPC e Auxílio-Doença 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-g40-4-sindrome-de-west/)\n\n<a id=\"quem-tem-cid-k91-2-tem-direito-a-auxilio-doenca-automaticamente\"></a>\n## Quem tem CID K91.2 tem direito a auxílio-doença automaticamente?\n\nNão. O auxílio por incapacidade temporária exige três requisitos somados, previstos nos arts. 59 a 63 da Lei 8.213/91: qualidade de segurado, [carência](https://www.ribeirocavalcante.com.br/carencia-inss-guia-completo/) de 12 contribuições mensais e incapacidade comprovada para a atividade habitual por mais de 12 meses. O CID K91.2 isolado não garante nenhum deles.\n\nVamos destrinchar cada requisito, porque é num deles que o pedido costuma morrer.\n\n**Qualidade de segurado:** é estar “dentro” do INSS. Quem trabalha com carteira assinada tem isso automaticamente. Quem é autônomo precisa estar com as guias (GPS) pagas. Quem parou de contribuir tem o chamado [período de graça](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/), em regra 12 meses após a última contribuição, podendo chegar a 24 ou 36 meses em algumas situações previstas na Lei 8.213/91.\n\n**Carência:** são 12 contribuições mensais. A Síndrome do Intestino Curto não está na lista de doenças que dispensam carência. Segundo o INSS, em 2026 essa lista reúne 18 doenças e condições, atualizada por portaria interministerial, e o K91.2 não figura nela. Isso não impede o benefício: significa apenas que você precisa cumprir a carência normal.\n\n**Atenção:** existe uma exceção importante. Se a ressecção intestinal veio de acidente de qualquer natureza (trauma abdominal em acidente de carro, por exemplo), a carência de 12 meses é dispensada. Basta a qualidade de segurado. Muita gente com K91.2 de origem traumática não sabe disso e deixa de pedir.\n\n**Incapacidade:** aqui está o nó. O perito do INSS não avalia se você está doente. Avalia se você consegue exercer *a sua* atividade. A pergunta que ele faz na sala é quase sempre a mesma: “o que exatamente você faz no trabalho?”. Se você é cozinheiro, pedreiro, motorista de ônibus ou trabalha em pé por 8 horas, a má-absorção com múltiplas evacuações diárias é incompatível com a função. Se você é analista administrativo, a conversa muda e exige laudo bem mais detalhado.\n\nO valor do benefício é de 91% da média das suas contribuições, com piso de R$ 1.621,00 e respeitando o teto do INSS, que em 2026 é de R$ 8.157,41. O auxílio por incapacidade temporária paga 13º e, se você trabalha com carteira assinada, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa. Só a partir do 16º dia o INSS entra.\n\n<a id=\"quando-a-sindrome-do-intestino-curto-da-aposentadoria-por-incapacidade-permanente\"></a>\n## Quando a Síndrome do Intestino Curto dá aposentadoria por incapacidade permanente?\n\nA aposentadoria por incapacidade permanente, prevista nos arts. 42 a 47 da Lei 8.213/91, exige incapacidade total e permanente, insuscetível de reabilitação profissional. No K91.2, ela aparece nos quadros graves: dependência de nutrição parenteral, desnutrição crônica, perda de peso progressiva e internações recorrentes. Também exige 12 contribuições de carência.\n\nPreste atenção à palavra “total”. Não é incapacidade para o seu emprego, é incapacidade para **qualquer** trabalho que garanta subsistência. É um degrau mais alto, e é por isso que o INSS raramente concede a aposentadoria no primeiro pedido. O padrão é conceder o auxílio temporário, agendar nova perícia (a famosa “data de cessação do benefício”, a DCB) e só depois, com a doença se mostrando irreversível, converter em aposentadoria.\n\nNa prática que observamos em pedidos envolvendo doenças digestivas graves, o que empurra o caso para aposentadoria não é o diagnóstico, é o **histórico documentado de tentativas frustradas de retorno**. Quem volta ao trabalho, piora em três semanas, é afastado de novo, volta e piora outra vez, está construindo a prova de que a reabilitação não é viável. Guarde cada atestado desses retornos.\n\nOutro ponto que quase ninguém sabe: existe um acréscimo de 25% sobre o valor da aposentadoria por incapacidade permanente quando o segurado precisa de assistência permanente de outra pessoa. Está no art. 45 da Lei 8.213/91. Em casos de dependência total de nutrição parenteral e cuidados domiciliares, vale pedir expressamente.\n\n**Exemplo prático:** imagine um segurado com média de contribuições de R$ 3.000. A aposentadoria por incapacidade permanente, na regra pós-reforma, parte de 60% da média mais 2% por ano de contribuição acima de 20 anos (homem) ou 15 anos (mulher). Com 60%, o benefício sairia em R$ 1.800. Com o adicional de 25% do art. 45, chegaria a R$ 2.250. Valores hipotéticos, só para você entender a lógica do cálculo.\n\nVale lembrar que a aposentadoria por incapacidade permanente não é um “para sempre” blindado. O art. 47 prevê a cessação quando houver recuperação ou reabilitação. O INSS pode convocar você para perícia de revisão, e quem não comparece tem o benefício suspenso. O mesmo raciocínio aparece em outras doenças incapacitantes, como você pode ver no nosso material sobre [como funciona a aposentadoria por invalidez por AVC](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-i69-sequelas-de-avc/).\n\n<a id=\"nunca-contribui-para-o-inss-tenho-direito-ao-bpc-loas-com-k91-2\"></a>\n## Nunca contribuí para o INSS. Tenho direito ao BPC/LOAS com K91.2?\n\nPode ter. O BPC/LOAS é benefício assistencial, não previdenciário: não exige nenhuma contribuição nem carência. Está no art. 203, V, da Constituição e no art. 20 da Lei 8.742/93. Paga um salário mínimo, R$ 1.621,00 em 2026. Exige dois requisitos: impedimento de longo prazo (de no mínimo 2 anos) e renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo, ou seja, R$ 405,25.\n\nEsse é o caminho de quem nunca trabalhou com registro, de quem perdeu a qualidade de segurado antes de adoecer e, muito comum nos casos de intestino curto, de quem adoeceu jovem e nem chegou a completar 12 contribuições.\n\nO conceito de “impedimento de longo prazo” é diferente de incapacidade. No BPC não se pergunta se você consegue trabalhar. Pergunta-se se a doença, combinada com barreiras sociais, obstrui a sua participação plena na sociedade em igualdade com as outras pessoas. É uma avaliação em duas etapas: perícia médica **e** avaliação social com assistente social do INSS.\n\nA avaliação social é onde muita gente é derrubada por desatenção. A assistente social vai perguntar quantas pessoas moram na casa, quanto cada uma recebe, se você consegue sair sozinho, se precisa de ajuda para se alimentar ou se higienizar, quantas vezes por semana vai ao banheiro à noite. Responda com a sua pior realidade, não com a sua melhor. Não é hora de bancar o forte.\n\nSobre a renda: o cálculo soma tudo o que entra na casa e divide pelo número de moradores. Numa família de 4 pessoas, o limite total seria de R$ 1.621,00 por mês (R$ 405,25 x 4). Alguns valores podem ser excluídos do cálculo, como outro BPC já recebido por morador da casa. E, importante, o Judiciário admite a flexibilização desse critério de 1/4 quando há gasto alto e permanente com saúde, exatamente o caso de quem usa fórmulas nutricionais, suplementos e insumos de ostomia. Junte todas as notas fiscais de farmácia.\n\n**Importante:** para pedir BPC você precisa estar com o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado na prefeitura ou CRAS. Pedido de BPC sem CadÚnico válido é indeferido antes de chegar à perícia, e a carta de negativa nem fala de doença. Atualize primeiro, peça depois.\n\n<a id=\"qual-caminho-escolher-auxilio-doenca-aposentadoria-ou-bpc\"></a>\n## Qual caminho escolher: auxílio-doença, aposentadoria ou BPC?\n\nDepende de duas perguntas: você tem 12 contribuições e está dentro do período de graça? E a renda da sua casa fica abaixo de R$ 405,25 por pessoa? Se contribuiu, o caminho previdenciário é melhor (tem 13º e gera [pensão por morte](https://www.ribeirocavalcante.com.br/pensao-por-morte-2026/)). Se não contribuiu e a renda é baixa, o BPC é o único caminho viável.\n\n| O que comparar | Auxílio por incapacidade temporária | Aposentadoria por incapacidade permanente | BPC/LOAS |\n| --- | --- | --- | --- |\n| Precisa ter contribuído? | Sim, 12 contribuições | Sim, 12 contribuições | Não |\n| Limite de renda familiar | Não existe | Não existe | Até R$ 405,25 por pessoa |\n| Valor em 2026 | 91% da média (piso R$ 1.621,00) | 60% da média + 2% por ano extra | R$ 1.621,00 fixos |\n| Paga 13º? | Sim | Sim | Não |\n| Gera pensão por morte? | Não se aplica | Sim | Não |\n| Se você voltar a trabalhar | Benefício cessa | Cessa com reabilitação (art. 47) | Fica suspenso, não extinto |\n| Tem avaliação social? | Não | Não | Sim, obrigatória |\n\nUma observação que economiza meses: você não precisa acertar o nome do benefício no requerimento. O INSS tem o dever de analisar o pedido pela situação real do segurado, e o Judiciário reconhece a possibilidade de conversão entre benefícios por incapacidade. Se você pedir auxílio-doença e o perito constatar incapacidade definitiva, o caso deve seguir para aposentadoria. Ainda assim, pedir o benefício errado por falta de orientação atrasa o processo, porque gera exigências e novas perícias.\n\nSe quiser entender o panorama geral dos três caminhos antes de decidir, vale ler nosso guia completo sobre [benefícios do INSS por doença e como pedir em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/).\n\n<a id=\"o-que-trava-o-pedido-o-laudo-que-so-escreve-o-diagnostico\"></a>\n## O que trava o pedido: o laudo que só escreve o diagnóstico\n\nO erro que mais derruba pedidos com CID K91.2 é apresentar um atestado de três linhas que diz apenas “paciente portador de síndrome do intestino curto, CID K91.2, necessita afastamento por 90 dias”. Esse papel não prova incapacidade. Prova doença. E o perito do INSS não concede benefício por doença.\n\nO laudo que funciona descreve a **limitação funcional**. Peça ao seu gastroenterologista ou cirurgião para incluir, por escrito:\n\n- Extensão da ressecção: quantos centímetros de intestino delgado foram retirados e qual segmento (jejuno, íleo), se houve retirada de válvula ileocecal e de cólon;\n- Número médio de evacuações diárias e noturnas;\n- Peso atual, peso anterior à cirurgia e perda percentual nos últimos meses;\n- Exames laboratoriais com deficiências (albumina, ferro, vitamina B12, magnésio, potássio);\n- Se há dependência de nutrição parenteral ou enteral, com horas por dia e via de acesso;\n- Internações nos últimos 12 meses, com datas e motivos (desidratação, infecção de cateter, obstrução);\n- Uso de ostomia, se houver, e frequência de troca de bolsa;\n- A frase que mais pesa: **a relação entre essas limitações e as exigências concretas da sua função** (permanência em pé, jornada contínua, acesso a banheiro, esforço físico, direção de veículos, turnos noturnos);\n- Prognóstico: se a condição é irreversível e se há previsão de reabilitação.\n\n**Dica de ouro:** leve os documentos em ordem cronológica, do mais antigo ao mais recente, com o relatório mais completo em cima. A perícia do INSS dura poucos minutos. O que o perito não ler nos primeiros instantes, não vai entrar no laudo dele.\n\nOutro ponto que vemos se repetir: o segurado comparece à perícia sem o resumo de alta hospitalar da cirurgia. Esse documento é o que prova objetivamente a extensão da ressecção, e é difícil de contestar. Peça uma cópia no arquivo médico do hospital onde você operou. Costuma sair em 10-15 dias e, em muitos hospitais, é entregue no próprio setor de prontuários com RG e CPF.\n\n**Cuidado:** nunca minimize sintomas na perícia por vergonha. Dizer “estou melhorzinho” ou “dá pra levar” vira, no laudo, “refere melhora clínica”. Essa frase sozinha já fundamentou muitos indeferimentos. Fale os números: quantas vezes vai ao banheiro, quantos quilos perdeu, quantas vezes internou.\n\n<a id=\"como-pedir-e-quais-documentos-levar\"></a>\n## Como pedir e quais documentos levar\n\nO pedido é feito pelo aplicativo ou site [Meu INSS\r\n\r\n](https://meu.inss.gov.br), com login gov.br, ou pelo telefone 135. Depois do requerimento, o sistema agenda a perícia médica. O prazo legal para o INSS responder requerimentos administrativos é de 30 dias, mas o agendamento de perícia costuma estourar esse prazo.\n\nSepare antes de iniciar o pedido:\n\n- RG e CPF;\n- Comprovante de residência atualizado;\n- Carteira de trabalho e/ou guias GPS pagas (para comprovar qualidade de segurado);\n- Laudo médico detalhado, com data recente e CID K91.2, assinado e com CRM legível;\n- Resumo de alta da cirurgia de ressecção intestinal;\n- Exames laboratoriais e de imagem dos últimos 12 meses;\n- Receitas de fórmulas nutricionais, suplementos e medicamentos em uso;\n- Comprovantes de internações;\n- Para BPC: CadÚnico atualizado e comprovantes de renda de todos os moradores da casa;\n- Se houver vínculo ativo: declaração da empresa descrevendo suas funções reais no dia a dia.\n\nEsse último item é subestimado. Uma declaração em papel da empresa dizendo “exerce função de auxiliar de produção, permanece em pé por 8 horas, com dois intervalos” vale mais que qualquer discurso seu na sala da perícia. É a prova da incompatibilidade entre a doença e a função.\n\nNo Meu INSS, o serviço se chama “Novo Pedido de Benefício por Incapacidade” (ou “Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência”, no caso do BPC). Os arquivos devem ser anexados em PDF ou imagem legível. Fotos tremidas de atestado, com parte do texto cortada, são tratadas como documento não apresentado.\n\nAntes de qualquer coisa, reúna três papéis: o laudo com descrição da limitação funcional, o resumo de alta da cirurgia e a carta de indeferimento, se você já tiver recebido uma. O erro mais frequente nesses documentos é o laudo que repete o diagnóstico e nunca descreve o que você deixou de conseguir fazer, e é exatamente isso que o perito usa para negar. Se quiser, nossa equipe lê esses documentos e aponta o que está faltando antes de você protocolar ou recorrer.\n\nFale agora com um advogado especialista\n[ Falar com Advogado no WhatsApp](https://www.ribeirocavalcante.com.br/ads/wpp.html)\n\n<a id=\"o-inss-negou-o-que-fazer-antes-de-ir-a-justica\"></a>\n## O INSS negou. O que fazer antes de ir à Justiça?\n\nVocê tem 30 dias, contados da ciência da decisão, para apresentar recurso administrativo à Junta de Recursos do INSS, pelo próprio Meu INSS. É gratuito e não precisa de advogado. O recurso é analisado por junta com participação de representantes dos trabalhadores, e permite anexar documentos novos que não existiam na perícia.\n\nO primeiro passo é baixar a carta de indeferimento no Meu INSS e ler o motivo exato. Elas costumam vir com uma de três frases:\n\n- **“Não foi constatada incapacidade laborativa”**: o problema é prova médica. Recurso com laudo funcional novo e detalhado.\n- **“Não cumprida a carência”**: o problema é contributivo. Verifique o CNIS, pode haver vínculo ou recolhimento não computado.\n- **“Perda da qualidade de segurado”**: discuta a data de início da incapacidade (DII). Se a doença começou enquanto você ainda estava no período de graça, o direito existe, mesmo que o pedido tenha sido feito depois.\n\nEssa terceira hipótese é decisiva em intestino curto. Muita gente opera, passa meses internada, não consegue cuidar de burocracia e só pede o benefício um ano depois. A data que importa não é a do requerimento, é a da incapacidade. O resumo de alta com a data da cirurgia é a peça central nesse argumento.\n\nSe o recurso também for negado, cabe ação judicial. Na Justiça há perícia feita por médico nomeado pelo juiz, que não trabalha para o INSS, e você pode apresentar quesitos (perguntas por escrito) sobre limitação funcional. Em causas de até 60 salários mínimos, o caminho é o Juizado Especial Federal, que é mais simples e não cobra custas em primeira instância. Decisões sobre benefícios por incapacidade e a possibilidade de restabelecimento aparecem em diversos julgados do [Superior Tribunal de Justiça](https://www.stj.jus.br).\n\nEntre o pedido e a decisão judicial há, quase sempre, uma etapa de intimação para apresentar documentos complementares. É nela que boa parte das pessoas desiste. Não desista: é só juntar o que já existe no seu prontuário.\n\n<a id=\"perguntas-frequentes-sobre-cid-k91-2-e-beneficios-do-inss\"></a>\n## Perguntas frequentes sobre CID K91.2 e benefícios do INSS\n\n<a id=\"sindrome-do-intestino-curto-da-direito-a-isencao-de-imposto-de-renda\"></a>\n### Síndrome do intestino curto dá direito a isenção de Imposto de Renda?\n\nA isenção de IR sobre proventos de aposentadoria é restrita à lista do art. 6º da Lei 7.713/88 (neoplasia maligna, [cardiopatia grave](https://www.ribeirocavalcante.com.br/cardiopatia-grave-auxilio-doenca-invalidez/), nefropatia grave, entre outras). A Síndrome do Intestino Curto, por si só, não está nessa lista. Mas atenção: se a ressecção foi causada por câncer intestinal, você pode se enquadrar como portador de neoplasia maligna, e aí a isenção é devida mesmo com a doença controlada, conforme entendimento consolidado na Súmula 627 do STJ. A isenção vale sobre aposentadoria e pensão, não sobre salário. O pedido é feito à Receita Federal ou ao órgão pagador, com laudo de serviço médico oficial.\n\n<a id=\"quem-tem-intestino-curto-com-ostomia-e-considerado-pessoa-com-deficiencia\"></a>\n### Quem tem intestino curto com ostomia é considerado pessoa com deficiência?\n\nSim. O Decreto 5.296/2004 equipara a pessoa ostomizada à pessoa com deficiência física. Isso abre portas diferentes do benefício por incapacidade: direito a vagas em concursos reservadas a PcD, atendimento prioritário, aposentadoria da pessoa com deficiência (com tempo reduzido, pela Lei Complementar 142/2013) e, em alguns municípios, passe livre no transporte. O cartão de prioridade é emitido na secretaria de saúde ou por associações de ostomizados. Importante: ser reconhecido como PcD não significa automaticamente estar incapaz para o trabalho, são avaliações diferentes e independentes.\n\n<a id=\"posso-receber-bpc-e-continuar-trabalhando-de-carteira-assinada\"></a>\n### Posso receber BPC e continuar trabalhando de carteira assinada?\n\nO BPC fica **suspenso** enquanto você estiver trabalhando com remuneração, mas não é extinto. Essa regra está no art. 21-A da Lei 8.742/93. Se o vínculo terminar, você pede a reativação sem precisar passar por nova avaliação médica e social, desde que o pedido seja feito dentro do prazo previsto. É uma proteção criada justamente para quem tem doença oscilante: tenta trabalhar, não consegue sustentar o emprego e volta à condição anterior. O contrato como aprendiz PcD, por exemplo, não suspende o BPC pelo período legal.\n\n<a id=\"fui-demitido-durante-o-afastamento-isso-e-valido\"></a>\n### Fui demitido durante o afastamento. Isso é válido?\n\nNão. Enquanto você está recebendo auxílio por incapacidade temporária, o contrato de trabalho fica suspenso e a [demissão sem justa causa](https://www.ribeirocavalcante.com.br/demissao-sem-justa-causa-direitos/) é nula. Se o afastamento foi decorrente de acidente de trabalho, existe ainda estabilidade de 12 meses após a cessação do benefício, prevista no art. 118 da Lei 8.213/91. Guarde o aviso de demissão, o comprovante do benefício e o extrato do CNIS: são os três documentos que sustentam a reintegração ou a conversão em indenização. O prazo para reclamar na Justiça do Trabalho é de 2 anos após o fim do contrato.\n\n<a id=\"o-que-e-alta-programada-e-como-evitar-ficar-sem-beneficio\"></a>\n### O que é alta programada e como evitar ficar sem benefício?\n\nAo conceder o auxílio, o INSS já fixa uma data de cessação (DCB), a chamada alta programada. No dia marcado o pagamento simplesmente para, sem nova perícia. Se você ainda estiver incapaz, precisa pedir a prorrogação pelo Meu INSS, no serviço “Pedido de Prorrogação”, dentro dos 15 dias anteriores à data de cessação. Perdeu essa janela? O benefício encerra e você terá que fazer novo requerimento, com nova fila de perícia. Anote a DCB no celular com alarme 20 dias antes. É um dos descuidos mais custosos nesse tipo de doença crônica.\n\n<a id=\"preciso-de-advogado-para-pedir-o-beneficio\"></a>\n### Preciso de advogado para pedir o benefício?\n\nPara o pedido administrativo e para o recurso à Junta de Recursos, não. Você mesmo pode fazer pelo Meu INSS. Advogado se torna necessário quando o caso vai à Justiça, quando há discussão sobre data de início da incapacidade, quando falta tempo de contribuição no CNIS ou quando o critério de renda do BPC precisa ser flexibilizado por gastos com saúde. São situações em que o argumento jurídico, e não só o laudo, define o resultado. O raciocínio é o mesmo em outras doenças crônicas, como mostramos no texto sobre [auxílio-doença na doença de Parkinson](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-g20-doenca-de-parkinson/).\n\n<a id=\"cid-k91-2-e-beneficios-do-inss-organize-seus-documentos-hoje\"></a>\n## CID K91.2 e Benefícios do INSS: Organize seus Documentos Hoje\n\nO próximo passo é físico e você consegue dar hoje. Primeiro: entre no [portal do INSS](https://www.gov.br/inss) ou no app Meu INSS e baixe duas coisas, o extrato do CNIS (para ver se você tem as 12 contribuições e se está no período de graça) e a carta de indeferimento, se já houve negativa.\n\nSegundo: peça no hospital onde você operou uma cópia do resumo de alta da ressecção intestinal. Terceiro: volte ao seu gastroenterologista com a lista de itens deste artigo e peça um relatório que descreva limitação funcional, não só o CID K91.2.\n\nSe a negativa veio por escrito, ela é a peça mais importante do seu conjunto: é nela que está o motivo exato que precisa ser atacado, e atacar o motivo errado faz você perder meses.\n\nQuando você manda mensagem, a conversa é objetiva: lemos os documentos, dizemos se o caso tem base legal, qual dos três caminhos se aplica à sua situação e o que ainda falta de prova, antes de qualquer contratação.\n\nFale agora com um advogado especialista\n[ Falar com Advogado no WhatsApp](https://www.ribeirocavalcante.com.br/ads/wpp.html)",
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    "faq": [
        {
            "question": "Quem tem CID K91.2 recebe auxílio-doença automaticamente?",
            "answer": "Não. O perito avalia se a má-absorção pós-cirúrgica impede o trabalho. Duas pessoas com o mesmo CID K91.2 podem ter resultados diferentes conforme peso, número de internações, uso de nutrição parenteral e frequência das crises."
        },
        {
            "question": "Quais documentos levar na perícia do INSS com CID K91.2?",
            "answer": "Resumo de alta da cirurgia de ressecção intestinal, relatório do gastroenterologista descrevendo limitação funcional, exames de albumina, vitamina B12 e ferro, registros de internações, prescrição de nutrição parenteral ou enteral e o CNIS atualizado."
        },
        {
            "question": "Síndrome do intestino curto dá aposentadoria por invalidez?",
            "answer": "Pode dar, quando a perícia conclui que a incapacidade é total e definitiva para qualquer atividade, com quadro de desnutrição grave, dependência de nutrição parenteral ou internações recorrentes que inviabilizem jornada de trabalho."
        },
        {
            "question": "Quem tem ostomia é considerado pessoa com deficiência?",
            "answer": "Sim. A ostomia está equiparada legalmente à deficiência física, o que abre portas a BPC/LOAS (se houver critério de renda), aposentadoria da pessoa com deficiência e isenções específicas, além de direito a bolsas e material pelo SUS."
        },
        {
            "question": "O INSS negou meu pedido. O que fazer antes de ir à Justiça?",
            "answer": "Você tem 30 dias da ciência da decisão para recorrer à Junta de Recursos pelo Meu INSS, anexando laudos novos que ataquem exatamente o motivo da negativa. Recurso administrativo é gratuito e não exige advogado."
        }
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        {
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            "text": "Quem tem CID K91.2 tem direito a auxílio-doença automaticamente?",
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        },
        {
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            "text": "Quando a Síndrome do Intestino Curto dá aposentadoria por incapacidade permanente?",
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            "text": "Nunca contribuí para o INSS. Tenho direito ao BPC/LOAS com K91.2?",
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            "text": "Qual caminho escolher: auxílio-doença, aposentadoria ou BPC?",
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            "text": "O que trava o pedido: o laudo que só escreve o diagnóstico",
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            "text": "Como pedir e quais documentos levar",
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            "text": "O INSS negou. O que fazer antes de ir à Justiça?",
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        {
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            "text": "Perguntas frequentes sobre CID K91.2 e benefícios do INSS",
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            "text": "Síndrome do intestino curto dá direito a isenção de Imposto de Renda?",
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            "text": "Quem tem intestino curto com ostomia é considerado pessoa com deficiência?",
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            "text": "Posso receber BPC e continuar trabalhando de carteira assinada?",
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            "text": "Fui demitido durante o afastamento. Isso é válido?",
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            "title": "CID K70 dá Direito a Auxílio-Doença? Como Pedir 2026",
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