# CID M47 dá Direito a Auxílio-Doença? Como Pedir em 2026

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[Direito Previdenciário](https://www.ribeirocavalcante.com.br/direito-previdenciario/) 21 min de leitura Por: [Amanda Ribeiro Cavalcante](https://www.ribeirocavalcante.com.br/autor/amanda/) | OAB/CE 51.361

# CID M47 dá Direito a Auxílio-Doença? Como Pedir em 2026

Publicado em: 17/09/2026

Conteúdo revisado por Amanda Ribeiro Cavalcante, advogada — OAB/CE 51.361, em 17/09/2026 Facebook WhatsApp Compartilhar **Breve resumo** O CID M47 pode gerar três benefícios: auxílio por incapacidade temporária (para quem contribui e está afastado por mais de 15 dias), aposentadoria por incapacidade permanente (limitação definitiva sem reabilitação possível) e BPC/LOAS (sem contribuição, com renda familiar per capita abaixo de 1/4 do salário mínimo). O que decide é a incapacidade para a sua função, não o exame de imagem.

Você recebeu um atestado com o CID M47 (espondilose), ficou dias sem conseguir levantar da cama por causa da dor na coluna e agora não sabe se tem direito a algum benefício do INSS. Talvez já tenha pedido o [auxílio-doença](https://www.ribeirocavalcante.com.br/auxilio-doenca/) e ouvido do perito aquela frase clássica: “não há incapacidade laborativa”. Ou nem chegou a pedir, porque alguém disse que espondilose “é coisa da idade” e o INSS nunca concede. Vamos direto ao ponto: o CID M47 pode dar direito a três benefícios diferentes, dependendo da sua situação. Se você contribuiu para o INSS e está temporariamente impedido de trabalhar, o caminho é o auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença). Se a limitação é definitiva e você não consegue ser reabilitado para outra função, o caminho é a aposentadoria por incapacidade permanente. E se você nunca contribuiu ou perdeu a [qualidade de segurado](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/), ainda existe o BPC/LOAS, que não exige contribuição nenhuma. Mas existe uma verdade dura que precisa ser dita antes de qualquer coisa: nenhum CID aposenta ninguém sozinho. A lei previdenciária protege a *incapacidade*, não o diagnóstico. O laudo que só diz “espondilose lombar, CID M47.8” é exatamente o tipo de documento que o perito lê em dez segundos e devolve. O que muda o resultado é a descrição do que você deixou de conseguir fazer. Este artigo mostra como montar isso, quais documentos levar, e o que fazer quando a carta de negativa chega. Conteúdo da página

## O que o INSS realmente avalia quando o atestado traz CID M47?

O INSS avalia incapacidade para a sua atividade habitual, não a gravidade da imagem de exame. O art. 59 da Lei 8.213/91 exige incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos. Duas pessoas com o mesmo M47.8 podem ter respostas opostas: quem carrega peso e quem trabalha sentado em escritório recebem análises diferentes.

Essa é a chave que quase ninguém entende. A espondilose é uma doença degenerativa da coluna, e o perito sabe disso. Segundo os Anuários Estatísticos da Previdência Social, as dorsopatias (o grupo que inclui o M47) estão historicamente entre as principais causas de concessão de benefício por incapacidade no Brasil. Ou seja: é um CID *muito* conhecido pelo INSS. E justamente por ser comum, a exigência de prova funcional é maior.

O subtipo do CID também pesa. Vale conferir o que está escrito no seu atestado:

- **M47.1** (espondilose com mielopatia): há comprometimento medular. É o quadro com maior peso na avaliação de incapacidade permanente.
- **M47.2** (espondilose com radiculopatia): dor irradiada, perda de força ou de sensibilidade. Gera limitação funcional objetiva, mais fácil de demonstrar.
- **M47.8** (outras espondiloses, cervical, lombar ou torácica): o mais frequente. Depende inteiramente de um laudo funcional bem escrito.
- **M47.9** (espondilose não especificada): o mais frágil. Se o médico escreveu só isso, peça um laudo mais completo antes da perícia.

**Importante:** se você também tem hérnia de disco (M51), estenose de canal (M48.0), lombalgia com irradiação (M54.4) ou espondilolistese (M43.1), esses códigos devem aparecer no laudo junto do M47. A soma das limitações é o que constrói o quadro de incapacidade, não um código isolado.

Na leitura de laudos que chegam ao escritório, o padrão que mais se repete é o mesmo: três linhas de diagnóstico, zero linha sobre função. O médico escreve “paciente portador de espondilose lombar, afasto por 60 dias”. Não diz quantos quilos a pessoa não pode levantar, quanto tempo consegue ficar em pé, se dorme com dor, se precisa de ajuda para calçar sapato. É essa ausência que derruba o pedido, muito mais do que a doença em si.

## Quais os requisitos do auxílio-doença para espondilose em 2026?

Para o auxílio por incapacidade temporária você precisa de três coisas: qualidade de segurado, carência de 12 contribuições mensais e incapacidade comprovada em perícia por mais de 12 meses. O valor mínimo é de R$ 1.621,00 em 2026 ([salário mínimo](https://www.ribeirocavalcante.com.br/salario-minimo-em-2025/) fixado pelo Governo Federal) e o teto de contribuição do INSS é R$ 1.621,00.

Vamos destrinchar cada requisito, porque cada um derruba pedidos por motivos diferentes.

### Qualidade de segurado

É estar “dentro” do sistema. Quem trabalha com carteira assinada mantém automaticamente. Quem parou de contribuir tem o chamado [período de graça](https://www.ribeirocavalcante.com.br/qualidade-segurado-periodo-de-graca/), em regra 12 meses após a última contribuição, podendo chegar a 24 meses em algumas situações previstas na Lei 8.213/91 e no regulamento da Previdência. Se você parou de contribuir há três anos, a qualidade de segurado provavelmente já caiu, e aí o caminho muda (veja a seção do BPC).

### Carência de 12 contribuições

São 12 meses de contribuição antes do início da incapacidade. Espondilose não está na lista de doenças que dispensam carência, então esse requisito é cobrado. Atenção a um detalhe: se você perdeu a qualidade de segurado e voltou a contribuir, a lei exige metade da carência (6 contribuições) para recuperar o direito ao benefício por incapacidade.

### Doença preexistente: a armadilha do M47

Aqui está o argumento favorito do INSS nos casos de espondilose. Como a doença é degenerativa e se desenvolve ao longo de anos, o perito pode alegar que você já era doente *antes* de se filiar à Previdência, e a lei não cobre doença preexistente à filiação.

A resposta jurídica existe e é forte: a lei ressalva o caso de **progressão ou agravamento** da doença. Ou seja, mesmo que a espondilose já existisse, se ela piorou depois e foi essa piora que gerou a incapacidade, o benefício é devido. É por isso que exames antigos comparados com exames recentes valem ouro: eles mostram a evolução.

**Exemplo prático:** imagine um trabalhador da construção civil que contribui desde 2014 e ganha R$ 2.400 por mês. Ele tem ressonância de 2019 mostrando espondilose leve e outra de 2026 mostrando estreitamento de canal e compressão de raiz nervosa. Essas duas imagens lado a lado são a prova de agravamento, e o argumento de doença preexistente perde força.

Se quiser entender o funcionamento geral dos pedidos, vale ler nosso guia sobre [benefícios do INSS por doença e como pedir em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/), que reúne todos os passos comuns a qualquer CID.

## Quem nunca contribuiu tem direito ao BPC/LOAS com espondilose?

Sim, é possível. O BPC/LOAS paga um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026) e não exige nenhuma contribuição ao INSS. Os requisitos, previstos no art. 20 da Lei 8.742/93, são dois: renda familiar por pessoa de até 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25 em 2026) e impedimento de longo prazo, com efeitos por no mínimo 2 anos.

Esse é o caminho de quem trabalhou a vida inteira informalmente, ou de quem parou de contribuir há muitos anos e perdeu a qualidade de segurado. Muita gente com espondilose grave desiste ao descobrir que não tem carência, sem saber que o BPC existe.

Duas diferenças importantes em relação ao auxílio-doença:

- **Não se avalia incapacidade total para o trabalho.** Avalia-se *impedimento de longo prazo*: limitação física que, somada às barreiras do ambiente, obstrui a participação plena na sociedade em igualdade com as demais pessoas.
- **Existe uma avaliação social, além da médica.** O INSS aplica um modelo biopsicossocial. Um assistente social avalia sua casa, sua rotina, se você depende de terceiros, se sua cidade tem transporte acessível. Essa entrevista é tão decisiva quanto a perícia médica, e muita gente a trata como formalidade.

O BPC exige inscrição atualizada no [Cadastro Único (CadÚnico)](https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-se-no-cadastro-unico-para-programas-sociais), feita no CRAS do seu município. Se o CadÚnico estiver desatualizado, ou se a composição familiar registrada lá não corresponder a quem realmente mora na casa, o pedido cai por motivo administrativo antes de chegar na perícia.

**Atenção:** a regra do 1/4 do salário mínimo não é absoluta. Os tribunais e o próprio STF admitem que despesas extraordinárias comprovadas (medicamento contínuo, fisioterapia, fralda, transporte para tratamento) sejam consideradas para reduzir a renda contabilizada. Guarde todas as notas de farmácia.

## Quando a espondilose vira aposentadoria por incapacidade permanente?

Quando a incapacidade é total e definitiva, sem possibilidade de reabilitação para outra atividade que garanta a subsistência. A base são os arts. 42 a 47 da Lei 8.213/91, com carência de 12 contribuições mensais. Desde a Reforma da Previdência (EC 103/2019), o valor é, em regra, 60% da média de todos os salários, mais 2% por ano que exceder 20 anos de contribuição (15 para mulheres).

Repare nas duas palavras: **total** e **definitiva**. Não basta não poder mais trabalhar como pedreiro. O INSS pergunta: essa pessoa poderia ser reabilitada para outra função? Aqui entram fatores que muita gente ignora, e que a jurisprudência considera:

- Idade avançada (a reabilitação de quem tem 58 anos é bem menos realista que a de quem tem 30);
- Grau de escolaridade (quem estudou até a 4ª série dificilmente será realocado em função administrativa);
- Histórico profissional (uma vida inteira em trabalho pesado, sem outra qualificação);
- O mercado de trabalho real da região onde a pessoa mora.

Esse conjunto é o que os tribunais chamam de análise das condições pessoais e sociais do segurado. É um argumento que precisa estar escrito no processo, com documento: carteira de trabalho mostrando 25 anos de função braçal, comprovante de escolaridade, idade. Quem não junta isso deixa metade da tese fora.

Existe também um caminho intermediário muito comum: o INSS concede o auxílio temporário e encaminha você para **reabilitação profissional**. Nesse caso, você mantém o benefício enquanto passa pelo programa. Se a reabilitação se mostrar inviável, o auxílio pode ser convertido em aposentadoria por incapacidade permanente. E se houver sequela definitiva que apenas *reduza* sua capacidade (sem impedir o trabalho), o benefício adequado pode ser o [auxílio-acidente](https://www.ribeirocavalcante.com.br/auxilio-acidente-beneficio-inss/).

Vale ainda uma quarta possibilidade que quase ninguém cogita: a **aposentadoria da pessoa com deficiência**, da Lei Complementar 142/2013. Aqui não se exige incapacidade nenhuma. Exige-se limitação de longo prazo, e o tempo mínimo de contribuição cai conforme o grau da deficiência (leve, moderada ou grave). Para quem tem espondilose com radiculopatia e ainda consegue trabalhar, essa pode ser a porta mais realista. O raciocínio é parecido com o que explicamos no artigo sobre [aposentadoria por invalidez em casos de sequela de AVC](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-i69-sequelas-de-avc/).

## Auxílio-doença, BPC ou aposentadoria: qual caminho é o seu?

A escolha depende de duas perguntas: você contribuiu para o INSS nos últimos 12 meses (ou está no período de graça)? E sua limitação é temporária ou definitiva? Se contribuiu e a limitação é temporária, é auxílio por incapacidade temporária. Se não contribuiu, é BPC/LOAS, desde que a renda familiar por pessoa não passe de R$ 405,25.

| Situação | Benefício indicado | Exige contribuição? | O que você precisa provar |
| --- | --- | --- | --- |
| Trabalha com carteira ou contribui como autônomo, dor incapacitou por mais de 15 dias | Auxílio por incapacidade temporária | Sim, 12 contribuições | Incapacidade para a sua função atual, com laudo funcional |
| Nunca contribuiu ou parou há mais de 12-24 meses, renda familiar baixa | BPC/LOAS | Não | Renda até R$ 405,25 por pessoa + impedimento de 2 anos ou mais + CadÚnico |
| Já recebe auxílio, perícia diz que não há como reabilitar | Aposentadoria por incapacidade permanente | Sim, 12 contribuições | Incapacidade total e definitiva + idade, escolaridade e histórico profissional |
| Consegue trabalhar, mas com limitação permanente de longo prazo | Aposentadoria da pessoa com deficiência (LC 142/2013) | Sim, tempo reduzido | Grau da deficiência em perícia médica e funcional |

Uma observação prática: você pode pedir mais de um benefício em momentos diferentes, mas não receber dois ao mesmo tempo. E o BPC não é aposentadoria, ele não gera 13º salário e não deixa [pensão por morte](https://www.ribeirocavalcante.com.br/pensao-por-morte-2026/). Isso importa na hora de decidir qual caminho seguir quando os dois são possíveis.

## O que trava o pedido de quem tem CID M47 (e como evitar)

O que mais derruba pedidos com M47 não é a doença: é a documentação. O perito do INSS tem, em média, poucos minutos por atendimento. Se o laudo não descrever limitação funcional em linguagem objetiva (quilos, minutos, graus de movimento), o parecer sai como “sem incapacidade laborativa” e o processo termina em 15 dias com a negativa no aplicativo.

Os cinco travamentos mais frequentes:

- **Laudo só com diagnóstico.** “Espondilose, CID M47.8, afastar 60 dias” não descreve nada. Peça ao médico que escreva: quanto tempo você consegue ficar em pé, se pode levantar peso e quantos quilos, se há perda de força ou formigamento, quais movimentos pioram a dor, quais medicamentos usa e desde quando.
- **Ausência da descrição da sua função real.** O perito precisa saber que você carrega sacos de 40 kg ou fica 8 horas em pé. Leve uma declaração da empresa ou a descrição do cargo.
- **Exames desatualizados.** Uma ressonância de cinco anos atrás não mostra o quadro de hoje. Mas guarde a antiga também: ela prova o agravamento.
- **Tratamento interrompido.** Se você parou a fisioterapia e não toma mais nada, o perito conclui que a dor é tolerável. Comprovantes de tratamento contínuo (receitas, sessões, encaminhamentos) contam muito.
- **CID genérico.** Se o atestado traz M47.9, sem especificar se há radiculopatia ou mielopatia, você entra na perícia com a versão mais fraca do seu próprio quadro.

Há outro detalhe que passa em branco na maioria dos casos: a espondilose pode ter **origem ocupacional**. Se você passou anos em atividade com carga na coluna, vibração ou postura forçada, existe a discussão de nexo entre a doença e o trabalho. Isso muda o benefício de espécie B31 (previdenciário) para B91 (acidentário), que garante estabilidade de 12 meses no emprego após o retorno e contagem do FGTS durante o afastamento. Vale conferir se a empresa emitiu CAT. Se não emitiu, o próprio médico, o sindicato ou você podem emitir.

**Cuidado:** não assine nada na empresa aceitando “mudança de função por acordo” sem antes registrar o afastamento no INSS. Se você continuar trabalhando com dor e sem afastamento formal, mais tarde não haverá registro nenhum de que a incapacidade existiu, e a data de início do benefício ficará impossível de provar.

## Como pedir o benefício passo a passo e quais documentos levar

O pedido é feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, sem precisar ir à agência para abrir. Após o requerimento, o sistema agenda a perícia médica federal. O prazo legal de resposta administrativa é de até 30 dias para a maioria dos requerimentos, mas a fila de perícia costuma ser o gargalo real.

Passo a passo:

- Faça login no [Meu INSS](https://meu.inss.gov.br) com sua conta gov.br;
- Busque “Benefício por Incapacidade” e depois “Novo requerimento de benefício por incapacidade” (para o BPC, busque “Benefício Assistencial à Pessoa com Deficiência”);
- Anexe os documentos digitalizados antes da perícia. Não deixe para levar só no dia;
- Anote o número do protocolo. Ele é o que permite acompanhar tudo depois;
- Compareça à perícia com os ORIGINAIS. Levar cópia de laudo nunca é suficiente;
- Se sair “não constatada incapacidade”, baixe o resultado completo da perícia no próprio aplicativo. É esse documento que você vai contestar.

Documentos que devem estar na pasta:

- Documento de identidade com foto e CPF;
- Carteira de trabalho e/ou carnês de contribuição (GPS);
- Laudo médico recente e detalhado, com CID, data, CRM e assinatura;
- Todos os exames de imagem (ressonância, tomografia, raio-X), inclusive os antigos;
- Receitas de medicamentos em uso e comprovantes de fisioterapia ou tratamento;
- Declaração da empresa descrevendo suas atividades reais, ou o PPP se houver;
- Para o BPC: comprovante de CadÚnico atualizado, comprovantes de renda de todos os moradores da casa e notas de despesas com saúde.

**Dica de ouro:** peça ao seu médico que escreva no laudo a frase que descreve a limitação, não só o diagnóstico. Algo como “paciente apresenta limitação de flexão lombar, incapacidade de permanecer em ortostase por mais de 20 minutos e de levantar cargas acima de 5 kg, com irradiação para membro inferior direito”. Esse tipo de descrição é o que o perito consegue transformar em conclusão de incapacidade.

Antes de dar entrada, separe três documentos e olhe com atenção: o laudo médico, a última ressonância e a carteira de trabalho. O erro que mais derruba pedidos com M47 é o laudo que descreve a doença mas não descreve a função perdida, e isso é corrigível antes da perícia, não depois. Se quiser, mande esses três documentos para nossa equipe ler e dizer o que está faltando neles.

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## O INSS negou seu benefício: quais são as opções agora?

Você tem dois caminhos. O primeiro é o recurso administrativo ao Conselho de Recursos da Previdência Social, com prazo de 30 dias contados da ciência da negativa. O segundo é a ação judicial, normalmente no Juizado Especial Federal, onde há nova perícia com médico nomeado pelo juiz, independente do INSS.

Há também o Pedido de Prorrogação e o Pedido de Reconsideração. Se o benefício foi concedido mas está terminando e você continua incapaz, o pedido correto é o de prorrogação, dentro dos **15 dias anteriores** ao fim do benefício. Perder essa janela obriga a começar um requerimento novo, com nova fila. Muita gente descobre isso um dia depois do prazo.

Sobre a via judicial, uma leitura honesta do cenário: o recurso administrativo raramente muda a conclusão médica, porque a discussão volta para dentro da mesma estrutura que negou. A vantagem real da Justiça é a perícia com um médico que não é do INSS e a possibilidade de o juiz avaliar suas condições pessoais (idade, escolaridade, tipo de trabalho), algo que o formulário da perícia administrativa simplesmente não pergunta.

A negativa vem com um documento chamado comunicação de decisão, e nele consta o motivo. Vale ler qual é, porque o caminho muda:

- **“Não constatada incapacidade laborativa”:** problema de prova médica. É o caso típico para perícia judicial.
- **“Não cumprida a carência”:** problema de contribuição. Verifique seu CNIS, porque períodos de trabalho podem estar faltando no cadastro.
- **“Perda da qualidade de segurado”:** revise as datas do período de graça, ou avalie o BPC.
- **“Renda per capita superior ao limite” (BPC):** discussão sobre composição familiar e despesas médicas.
- **“Doença preexistente à filiação”:** a tese é o agravamento, e prova-se com exames de datas diferentes.

Um detalhe que vale mencionar por experiência de leitura de processos: entre o pedido e a decisão final, o INSS costuma solicitar novos documentos ou reagendar perícia. É nessa segunda exigência que boa parte das pessoas desiste, achando que “não deu”. Não desista aí. O texto da Lei 8.213/91 está integralmente disponível no [portal do Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm) e vale conferir os arts. 42 a 63.

## Perguntas frequentes sobre CID M47 e benefícios do INSS

### Quem tem CID M47 e trabalha de carteira assinada recebe da empresa nos primeiros 15 dias?

Sim. Para o empregado com carteira assinada, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa. O INSS só passa a pagar a partir do 16º dia. Por isso o atestado precisa indicar afastamento superior a 15 dias para gerar benefício. Se você tiver afastamentos curtos e repetidos pela mesma doença dentro de 60 dias, eles podem ser somados para completar os 15 dias. Já o autônomo, o MEI e o contribuinte individual recebem do INSS desde o primeiro dia da incapacidade, quando comprovada em perícia.

### Quanto tempo o INSS costuma conceder de auxílio-doença para espondilose?

Não existe prazo fixo por CID. O perito define uma data de cessação do benefício (a chamada DCB ou “alta programada”), que costuma variar de 30 a 120 dias em quadros de coluna. Se você continuar incapaz quando esse prazo chegar, precisa fazer o Pedido de Prorrogação nos 15 dias anteriores à data de cessação. O pedido é feito pelo Meu INSS, sem custo, e gera nova perícia. Se você deixar o benefício cessar sem pedir prorrogação, terá que abrir requerimento novo e voltar para a fila.

### Quem recebe aposentadoria por incapacidade permanente pode voltar a trabalhar?

Não sem perder o benefício. A Lei 8.213/91 prevê que a aposentadoria por incapacidade permanente é cessada se o beneficiário retornar voluntariamente ao trabalho. Além disso, o INSS pode convocar para revisão periódica (o chamado “pente-fino”), com dispensa da reavaliação em situações específicas, como beneficiários com mais idade e tempo longo de benefício, conforme as regras vigentes. Se você for convocado, comparecer é obrigatório: a ausência gera suspensão e depois cessação do pagamento.

### Recebo BPC/LOAS. Posso trabalhar sem perder o benefício?

O BPC é suspenso, não cancelado, quando a pessoa com deficiência começa a exercer atividade remunerada. Se o trabalho terminar, o benefício pode ser reativado sem necessidade de nova perícia, desde que respeitados os procedimentos do INSS. Existe também a possibilidade de acumular o BPC com o auxílio-inclusão em determinadas hipóteses previstas na legislação, quando o beneficiário passa a trabalhar como empregado com remuneração limitada. Vale consultar sua situação específica antes de assinar contrato de trabalho, para não perder o direito por desinformação.

### Preciso pagar advogado para pedir o benefício no INSS?

Não. O requerimento administrativo pelo Meu INSS é feito diretamente pelo cidadão, sem custo e sem advogado obrigatório. A assistência jurídica passa a fazer diferença em três momentos: quando o laudo médico precisa ser reforçado antes da perícia, quando a negativa exige recurso ou ação judicial, e quando existe dúvida sobre qual dos benefícios pedir (auxílio, BPC, aposentadoria por incapacidade ou aposentadoria da pessoa com deficiência). Escolher o benefício errado custa meses de fila. Casos análogos aparecem em outros CIDs, como no [auxílio-doença para doença de Parkinson](https://www.ribeirocavalcante.com.br/beneficios-inss-por-doenca/cid-g20-doenca-de-parkinson/).

### A espondilose entra na lista de doenças que isentam Imposto de Renda?

Em regra, não. A isenção de Imposto de Renda sobre proventos de aposentadoria é restrita à lista de moléstias graves prevista na legislação tributária (como neoplasia maligna, [cardiopatia grave](https://www.ribeirocavalcante.com.br/cardiopatia-grave-auxilio-doenca-invalidez/), [esclerose múltipla](https://www.ribeirocavalcante.com.br/esclerose-multipla-doenca-invalidez/), paralisia irreversível). A espondilose isolada não consta dessa lista. Mas atenção: se o quadro evoluiu para paralisia irreversível ou se existe outra doença associada que esteja na lista, a isenção pode ser discutida com laudo de serviço médico oficial. Isso é analisado caso a caso, e não pelo CID M47 em si.

## CID M47: Não Deixe a Negativa do INSS Encerrar seu Direito

Faça isso hoje, na ordem: pegue uma pasta e coloque nela o laudo médico mais recente, todos os exames de imagem que você tiver (inclusive os antigos, eles provam a piora) e sua carteira de trabalho ou carnês de contribuição. Se você já pediu e o INSS negou, imprima ou baixe a comunicação de decisão e o resultado da perícia no Meu INSS. Esse é o documento mais importante de todos, porque é ele que diz exatamente *qual* requisito o INSS entendeu como não cumprido.

Com esses papéis em mão, mande uma mensagem. O que acontece em concreto: nossa equipe lê o laudo e a negativa, diz se o pedido tem base legal, aponta o que está faltando na documentação e explica qual dos caminhos (auxílio temporário, BPC, aposentadoria por incapacidade ou aposentadoria da pessoa com deficiência) se encaixa na sua situação. Isso é dito antes de qualquer conversa sobre contratação, para que você saiba onde está pisando.

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