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    "content_markdown": "Você saiu da consulta com a receita de **Livmarli** na mão, protocolou o pedido no [plano de saúde](https://www.ribeirocavalcante.com.br/negativa-de-cirurgia-pelo-plano-de-saude-2026/) e, dias depois, recebeu a resposta: negado. Talvez a justificativa tenha vindo em um e-mail curto, com a frase “medicamento não consta no Rol de Procedimentos da ANS”. Ou talvez o atendente tenha dito, por telefone, que “o contrato não cobre medicação de alto custo”. Nos dois casos, a sensação é a mesma: o tratamento existe, o médico indicou, mas alguém que nunca examinou você decidiu que não.\n\nO Livmarli (maralixibate) é um medicamento oral usado no tratamento do prurido colestático em doenças hepáticas raras, como a síndrome de Alagille e a colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC). É um remédio de altíssimo custo, de uso contínuo, e o paciente normalmente é uma criança ou um adolescente que não consegue dormir por causa da coceira intensa. Quando a medicação não chega, o quadro piora. Não é desconforto: é privação de sono, lesões na pele e risco de agravamento da doença hepática.\n\nLeia também:\n[Nucala pelo SUS negado? Como conseguir liminar 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/nucala-pelo-sus-negado-como-conseguir-liminar-2026/)\n\nA notícia boa é que negativa de plano não é palavra final. A Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/1998) e o [Código de Defesa do Consumidor](https://www.ribeirocavalcante.com.br/codigo-de-defesa-do-consumidor-2026/) colocam limites claros no que a operadora pode recusar. E, desde a Lei 14.454/2022, o Rol da ANS deixou de funcionar como uma lista fechada e passou a admitir cobertura de tratamentos fora dele quando há comprovação de eficácia. Este texto explica, em linguagem direta, por que a recusa acontece, o que você precisa guardar hoje e qual caminho dá resultado mais rápido.\n\n<a id=\"por-que-o-plano-de-saude-negou-o-livmarli\"></a>\n## Por que o plano de saúde negou o Livmarli?\n\nAs negativas de Livmarli seguem três argumentos padrão: medicamento fora do Rol da ANS, ausência de previsão contratual para “alto custo” e uso off-label ou domiciliar. Segundo a ANS, a operadora é obrigada a informar o motivo da recusa por escrito, com a cláusula contratual ou a norma que a embasa, quando o beneficiário solicita.\n\n<a id=\"nao-consta-no-rol-de-procedimentos-da-ans\"></a>\n### “Não consta no Rol de Procedimentos da ANS”\n\nEsse é o argumento mais usado. O Rol da ANS é a lista mínima de coberturas obrigatórias, atualizada periodicamente pela agência. Medicamentos novos, de doenças raras, costumam demorar para entrar nessa lista. A operadora então trata a ausência como proibição, o que não é verdade: o Rol é piso de cobertura, não teto.\n\nLeia também:\n[Zelboraf Negado pelo SUS ou Plano: Liminar em 2026](https://www.ribeirocavalcante.com.br/zelboraf-negado-pelo-sus-ou-plano-liminar-em-2026/)\n\n<a id=\"medicamento-de-alto-custo-nao-tem-cobertura-contratual\"></a>\n### “Medicamento de alto custo não tem cobertura contratual”\n\nNão existe, na lei, a categoria “alto custo” como motivo de exclusão. O preço do remédio não é critério jurídico. Se o tratamento é indicado para uma doença que o contrato cobre, o valor do medicamento é problema de custeio da operadora, não do paciente. Cláusulas genéricas que excluem “medicamentos especiais” tendem a ser consideradas abusivas pelos tribunais.\n\n<a id=\"e-uso-domiciliar-e-off-label\"></a>\n### “É uso domiciliar / é off-label”\n\nO Livmarli é oral, tomado em casa, e a operadora usa isso para dizer que se trata de medicação domiciliar sem cobertura. O ponto é que medicamentos antineoplásicos orais e medicamentos de uso domiciliar ligados a tratamento continuado têm tratamento próprio na regulação, e a jurisprudência vem afastando essa exclusão quando o uso em casa é a única forma possível de administrar o remédio.\n\nSobre off-label: se o médico prescreveu para uma indicação diferente da bula, a operadora alega que não é obrigada a cobrir. Mas a escolha terapêutica é do médico assistente, não do setor de auditoria da empresa. Esse é um ponto que os tribunais julgam de forma consistente há anos.\n\n**Atenção:** muitas operadoras nunca entregam a negativa formal. Elas deixam o pedido “em análise” por semanas. Se isso está acontecendo com você, ligue, peça o número do protocolo, anote data e hora, e exija a recusa por escrito. Sem esse documento, o processo começa mais fraco.\n\n<a id=\"o-livmarli-e-de-cobertura-obrigatoria-pelo-plano\"></a>\n## O Livmarli é de cobertura obrigatória pelo plano?\n\nMesmo que o Livmarli não esteja no Rol da ANS, a cobertura pode ser obrigatória. A Lei 14.454/2022 alterou a Lei 9.656/1998 e passou a determinar cobertura de tratamentos fora do Rol quando houver comprovação de eficácia científica ou recomendação de órgão técnico reconhecido, como a CONITEC ou entidades internacionais de avaliação de tecnologias em saúde.\n\nVale entender a história, porque ela ainda aparece nas contestações das operadoras. Em 2022, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça julgou os EREsp 1.886.929 e 1.889.704 e firmou que o Rol da ANS é, em regra, taxativo, admitindo exceções. Logo depois, o Congresso aprovou a Lei 14.454/2022, que criou critérios legais expressos para cobertura fora do Rol. Hoje o texto da Lei dos Planos de Saúde é o que vale, e ele é mais favorável ao paciente do que aquela decisão.\n\nNa prática, para o Livmarli a discussão gira em torno de três pontos:\n\n- **Registro na Anvisa:** medicamento com registro válido no Brasil tem muito mais força no pedido. Verifique no portal da [Anvisa\r\n\r\n](https://www.gov.br/anvisa/pt-br) e junte o comprovante.\n- **Doença coberta pelo contrato:** se a doença hepática do paciente está na Classificação Internacional de Doenças (CID) e o contrato não a exclui, o tratamento dela também está coberto.\n- **Ausência de alternativa terapêutica:** o relatório médico precisa dizer, com clareza, que as opções disponíveis no Rol já foram tentadas ou são inadequadas para aquele caso.\n\nSobre a CONITEC: ela avalia incorporações no SUS, não nos planos privados. Mas uma recomendação favorável da CONITEC funciona como forte evidência técnica de eficácia, e é usada exatamente nesse sentido nos processos. O inverso também aparece: operadoras citam negativas da CONITEC para justificar a recusa, e aí o trabalho é mostrar que o critério do SUS (que envolve custo-efetividade orçamentária) não se confunde com o critério contratual de cobertura.\n\nVocê pode consultar a íntegra da [Lei 9.656/1998 no portal do Planalto](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9656.htm) para conferir o texto atualizado sobre cobertura.\n\n> O rol da ANS é uma referência, não necessariamente um limite absoluto. Há situações em que tratamentos fora da lista são discutíveis quando há prescrição médica e ausência de alternativa eficaz.Lucas Ribeiro Cavalcante, advogado (OAB/CE 44.673)\n\n<a id=\"como-recorrer-quando-o-plano-de-saude-negou-o-medicamento\"></a>\n## Como recorrer quando o plano de saúde negou o medicamento\n\nExistem quatro caminhos administrativos antes ou em paralelo à Justiça: ouvidoria da operadora, ANS (Disque ANS 0800 701 9656), plataforma consumidor.gov.br e Procon. Segundo a ANS, as operadoras têm prazo regulamentar para responder demandas de ouvidoria, e no consumidor.gov.br o prazo de resposta da empresa é de até 10 dias.\n\n<a id=\"passo-1-exija-a-negativa-por-escrito\"></a>\n### Passo 1: exija a negativa por escrito\n\nLigue no SAC, informe que o pedido foi recusado e peça o documento formal com o motivo e a cláusula contratual. Guarde o protocolo. Se vier só por telefone, peça gravação ou transcrição. Esse papel é a peça central de todo o resto.\n\n<a id=\"passo-2-ouvidoria-da-operadora\"></a>\n### Passo 2: ouvidoria da operadora\n\nToda operadora é obrigada a manter ouvidoria. É um recurso interno, revisado por outra área. Funciona em uma parte dos casos, especialmente quando a primeira negativa foi automática, feita por sistema. Custa nada e gera protocolo datado, que serve de prova depois.\n\n<a id=\"passo-3-reclamacao-na-ans\"></a>\n### Passo 3: reclamação na ANS\n\nA ANS abre uma Notificação de Intermediação Preliminar (NIP). A operadora é comunicada e tem prazo curto para resolver, sob pena de processo administrativo e multa. Você pode registrar pelo site da [Agência Nacional de Saúde Suplementar](https://www.gov.br/ans/pt-br), pelo Disque ANS ou nos núcleos de atendimento.\n\n<a id=\"passo-4-consumidor-gov-br-e-procon\"></a>\n### Passo 4: consumidor.gov.br e Procon\n\nO [consumidor.gov.br](https://www.consumidor.gov.br) é a plataforma oficial do governo federal. A empresa tem até 10 dias para responder e tudo fica registrado publicamente. O Procon pode aplicar sanções, mas costuma ser mais lento para casos de urgência médica.\n\n| Caminho | Prazo típico de resposta | Custo | O que você precisa ter |\n| --- | --- | --- | --- |\n| Ouvidoria da operadora | Alguns dias úteis, conforme regra da ANS | Sem custo | Protocolo da negativa e receita |\n| ANS (NIP) | Prazo curto fixado pela ANS para a operadora resolver | Sem custo | Dados do contrato, negativa, prescrição |\n| consumidor.gov.br | Até 10 dias para a empresa responder | Sem custo | Conta gov.br e documentos digitalizados |\n| Ação judicial com liminar | Decisão sobre a urgência em dias (varia por vara) | Honorários; custas podem ser dispensadas | Relatório médico detalhado, negativa, comprovantes de pagamento do plano |\n\n**Cuidado:** em casos de Livmarli, esgotar todos os canais administrativos antes de ir à Justiça pode custar semanas de tratamento interrompido. Se o médico registrou urgência no relatório, o caminho administrativo e o judicial devem andar juntos, não em fila.\n\nSepare desde já três coisas: o relatório médico detalhado, a negativa por escrito e os comprovantes de pagamento das últimas mensalidades do plano. O erro que mais derruba pedidos de liminar é um relatório médico genérico, que só diz “paciente necessita de Livmarli” sem explicar o CID, a urgência e o que acontece se o remédio não for iniciado. Se quiser, nossa equipe lê esses documentos e aponta o que está faltando antes de qualquer protocolo.\n\nFale agora com um advogado especialista\n[ Falar com Advogado no WhatsApp](https://www.ribeirocavalcante.com.br/ads/wpp.html)\n\n<a id=\"como-funciona-a-acao-judicial-para-conseguir-o-livmarli\"></a>\n## Como funciona a ação judicial para conseguir o Livmarli\n\nA ação pede liminar (tutela de urgência) para que o plano libere o medicamento em poucos dias. O art. 300 do Código de Processo Civil autoriza essa decisão rápida quando há “probabilidade do direito e perigo de dano”. Nos casos de doença hepática rara com prurido incapacitante, o perigo de dano é demonstrado pelo próprio relatório médico.\n\nO funcionamento é mais simples do que parece. O advogado protocola a ação eletronicamente, com todos os documentos anexados. O juiz analisa o pedido de urgência antes de ouvir a operadora. Se deferir, fixa um prazo (comumente 24 a 72 horas) e uma multa diária para o caso de descumprimento. O plano é intimado e, na maioria das situações, libera a autorização para não pagar a multa, mesmo recorrendo depois.\n\n<a id=\"documentos-que-voce-precisa-reunir\"></a>\n### Documentos que você precisa reunir\n\n- Relatório médico detalhado e recente: diagnóstico, CID, histórico, tratamentos já tentados, justificativa do Livmarli, dose, duração prevista e consequências da não administração;\n- Receita / prescrição assinada, com CRM legível;\n- Exames que comprovem o diagnóstico (laboratoriais, biópsia, genéticos, quando houver);\n- Negativa do plano por escrito ou, na falta dela, protocolos das ligações com data e hora;\n- Carteirinha do plano, cópia do contrato e regulamento, se tiver;\n- Comprovantes de pagamento das mensalidades (para provar que o contrato está ativo e em dia);\n- RG e CPF do paciente e do responsável legal, se for menor;\n- Comprovante de renda e última declaração de imposto de renda, se for pedir gratuidade de justiça;\n- Orçamento ou nota do medicamento, se você já comprou por conta própria.\n\n**Importante:** se você já pagou o Livmarli do próprio bolso, guarde todas as notas fiscais. O pedido de reembolso desses valores pode ser feito na mesma ação, e sem a nota fiscal não há como provar quanto foi gasto.\n\n<a id=\"gratuidade-de-justica-e-custos\"></a>\n### Gratuidade de justiça e custos\n\nQuem não tem condições de pagar custas e despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento pode pedir gratuidade de justiça, prevista no Código de Processo Civil. O pedido é feito na própria petição inicial, com declaração de hipossuficiência. Ter plano de saúde não impede a gratuidade: o que se avalia é a capacidade de pagar o processo, não a de pagar uma mensalidade.\n\nHá ainda a via do Juizado Especial Cível, para causas de até 40 salários mínimos (em 2026, com o [salário mínimo](https://www.ribeirocavalcante.com.br/salario-minimo-em-2025/) de R$ 1.621,00 fixado pelo Governo Federal, isso dá R$ 64.840,00). Acima de 20 salários mínimos o advogado é obrigatório, conforme a Lei 9.099/1995. O problema é que o custo anual de tratamento com Livmarli frequentemente ultrapassa esse limite, o que empurra o caso para a vara comum.\n\nUma observação de quem acompanha esse tipo de demanda: o ponto que mais trava liminares não é a tese jurídica, é a documentação médica incompleta. Relatório sem CID, sem dose e sem a frase sobre o risco da interrupção faz o juiz pedir emenda à inicial, e aí se perdem dias preciosos.\n\n<a id=\"o-que-os-tribunais-vem-decidindo-sobre-medicamentos-negados\"></a>\n## O que os tribunais vêm decidindo sobre medicamentos negados\n\nA jurisprudência brasileira é majoritariamente favorável ao paciente em negativas de medicamento prescrito. O Superior Tribunal de Justiça consolidou na Súmula 608 que o [Código de Defesa do Consumidor](https://www.ribeirocavalcante.com.br/codigo-de-defesa-do-consumidor-2026/) se aplica aos contratos de plano de saúde (exceto administrados por autogestão), o que reforça a proteção contra cláusulas abusivas.\n\nAlguns entendimentos que costumam aparecer nas decisões:\n\n- **Súmula 102 do TJSP:** havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol da ANS. É uma das súmulas mais citadas em ações de medicamento no país.\n- **Súmula 95 do TJSP:** havendo expressa indicação médica, não prevalece a negativa de cobertura do custeio ou fornecimento de medicamentos associados a tratamento quimioterápico.\n- **Súmula 609 do STJ:** a recusa indevida à cobertura médica pleiteada pelo segurado é causa de [danos morais](https://www.ribeirocavalcante.com.br/negativacao-indevida-2026/), pois agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito daquele. Ou seja, além do medicamento, pode haver indenização.\n- **Quem decide o tratamento é o médico:** os tribunais repetem que a operadora pode discutir o preço que paga ao prestador, mas não substituir a conduta do médico assistente.\n\nVocê pode pesquisar decisões e súmulas diretamente no [site do Superior Tribunal de Justiça](https://www.stj.jus.br). Isso ajuda a entender que o seu caso não é isolado: ações sobre negativa de cobertura estão entre os temas mais recorrentes nos tribunais estaduais, conforme levantamentos do CNJ sobre judicialização da saúde.\n\n**Lembre-se:** jurisprudência favorável não significa resultado garantido. Cada contrato, cada relatório médico e cada vara são diferentes. O que a jurisprudência mostra é que o argumento “não está no Rol” não é, por si só, suficiente para a operadora vencer.\n\n<a id=\"perguntas-frequentes-sobre-a-cobertura-do-livmarli\"></a>\n## Perguntas frequentes sobre a cobertura do Livmarli\n\nAbaixo estão as dúvidas que aparecem depois que o paciente já entendeu o básico da negativa. São pontos práticos sobre contrato coletivo, SUS, [carência](https://www.ribeirocavalcante.com.br/carencia-inss-guia-completo/) e o que fazer quando o plano demora.\n\n<a id=\"meu-plano-e-empresarial-coletivo-tenho-o-mesmo-direito\"></a>\n### Meu plano é empresarial (coletivo). Tenho o mesmo direito?\n\nSim. A Lei dos Planos de Saúde se aplica a planos individuais e coletivos. A diferença prática é que em plano coletivo a operadora costuma dizer que o contrato foi “negociado entre empresas” e que o Código de Defesa do Consumidor não incide. Os tribunais em geral afastam esse argumento, porque o beneficiário final é pessoa física e vulnerável. Em contratos de autogestão (fundações, caixas de assistência de servidores) a discussão é mais técnica, já que a Súmula 608 do STJ exclui a autogestão do [CDC](https://www.ribeirocavalcante.com.br/codigo-de-defesa-do-consumidor-2026/), mas a obrigação de cobertura continua existindo pelo contrato e pelo estatuto da entidade.\n\n<a id=\"posso-pedir-o-livmarli-pelo-sus-em-vez-do-plano\"></a>\n### Posso pedir o Livmarli pelo SUS em vez do plano?\n\nPode, e as duas vias não se excluem. Quem tem plano de saúde continua tendo direito ao SUS. Para medicamentos de alto custo não incorporados, o caminho pelo SUS é uma ação contra o Estado e/ou a União, e o Supremo Tribunal Federal estabeleceu critérios específicos para esses pedidos, incluindo a exigência de laudo médico fundamentado e demonstração de que não há alternativa terapêutica disponível na rede pública. Muitas famílias acionam o plano primeiro porque o vínculo contratual torna a prova mais direta.\n\n<a id=\"estou-em-periodo-de-carencia-o-plano-pode-negar-por-isso\"></a>\n### Estou em período de carência. O plano pode negar por isso?\n\nDepende. Os prazos máximos de carência são 180 dias para a maioria dos casos, 300 dias para parto e 24 meses de cobertura parcial temporária para doenças e lesões preexistentes declaradas. Se o diagnóstico é de doença rara já conhecida na contratação, a operadora tende a invocar a cobertura parcial temporária. Mas em situações de urgência e emergência há regras específicas da ANS que reduzem drasticamente a carência, e a negativa precisa ser analisada caso a caso, com o contrato na mão.\n\n<a id=\"o-plano-nao-respondeu-nem-sim-nem-nao-isso-conta-como-negativa\"></a>\n### O plano não respondeu nem sim nem não. Isso conta como negativa?\n\nSim, o silêncio prolongado funciona na prática como recusa. A ANS fixa prazos máximos de atendimento para os diversos procedimentos (para autorização de cirurgia, por exemplo, o prazo é de 21 dias úteis pela RN 566/2022). Estourado o prazo sem resposta, você já tem elemento para reclamar na ANS e para ir à Justiça. Guarde os protocolos de cada contato: data, hora, nome do atendente e número. Essa lista de protocolos substitui, em muitos processos, a negativa formal que a operadora se recusa a emitir.\n\n<a id=\"o-plano-autorizou-por-liminar-eles-podem-cortar-depois\"></a>\n### O plano autorizou por liminar. Eles podem cortar depois?\n\nEnquanto a liminar estiver válida, não. A operadora pode recorrer e tentar derrubar a decisão em segunda instância, e isso acontece. Por isso o processo não termina com a liminar: é preciso acompanhar até a sentença e, se necessário, até o julgamento do recurso. Se o plano descumprir a ordem mesmo com a liminar vigente, a multa diária fixada pelo juiz passa a incidir e pode ser executada. Comunique seu advogado no mesmo dia em que a autorização for interrompida.\n\n<a id=\"preciso-comprar-o-medicamento-primeiro-para-depois-pedir-reembolso\"></a>\n### Preciso comprar o medicamento primeiro para depois pedir reembolso?\n\nNão é necessário e, dado o custo do Livmarli, raramente é viável. O pedido correto é de obrigação de fazer: que o plano forneça ou custeie diretamente o medicamento. O reembolso entra como pedido adicional apenas para o que você já desembolsou antes da ação, com nota fiscal. Comprar por conta própria por longos períodos para depois cobrar é um risco financeiro grande e desnecessário.\n\n<a id=\"quanto-tempo-leva-para-sair-a-decisao-sobre-a-liminar\"></a>\n### Quanto tempo leva para sair a decisão sobre a liminar?\n\nVaria conforme a vara e o volume de processos, mas pedidos de urgência em saúde são analisados com prioridade, muitas vezes em poucos dias após o protocolo. O que mais atrasa não é o juiz: é documentação incompleta que gera despacho pedindo complementação. Chegar com o relatório médico completo, exames e negativa anexados é o que encurta o tempo. Alguns tribunais mantêm Núcleos de Apoio Técnico ao Judiciário (NAT-Jus), que emitem parecer técnico antes da decisão, e isso pode somar alguns dias.\n\n<a id=\"livmarli-negado-pelo-plano-o-que-fazer-ainda-hoje\"></a>\n## Livmarli negado pelo plano: o que fazer ainda hoje\n\nO próximo passo é físico, não jurídico. Volte ao médico e peça um relatório que contenha, por escrito: o diagnóstico com CID, o nome do medicamento (maralixibate / Livmarli), a dose, a duração prevista, quais tratamentos já foram tentados e qual é a consequência clínica de não iniciar ou de interromper. Peça que ele registre a palavra urgência se for o caso. Esse documento é o que sustenta o pedido.\n\nEm seguida, reúna: a negativa por escrito (ou a lista de protocolos, se a operadora não emitiu), a carteirinha, o contrato e os comprovantes das últimas mensalidades pagas. Se a negativa veio por escrito, ela é a peça mais importante do conjunto. Não jogue fora e-mail, carta ou print de aplicativo.\n\nCom esses documentos em mãos, mande mensagem. A gente lê o relatório e a negativa, diz se o caso tem base legal, aponta o que está faltando na documentação e explica qual caminho faz sentido (administrativo, judicial ou os dois em paralelo), antes de qualquer contratação. Tratamento interrompido não espera burocracia.\n\nFale agora com um advogado especialista\n[ Falar com Advogado no WhatsApp](https://www.ribeirocavalcante.com.br/ads/wpp.html)",
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            "question": "Posso pedir o Livmarli ao SUS e ao plano de saúde ao mesmo tempo?",
            "answer": "Sim. As vias são independentes: você pode acionar o plano judicialmente e, paralelamente, requerer o medicamento ao SUS ou ao componente especializado da assistência farmacêutica, sem que uma solicitação prejudique a outra."
        }
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    "table_of_contents": [
        {
            "level": 2,
            "text": "Por que o plano de saúde negou o Livmarli?",
            "anchor": "por-que-o-plano-de-saude-negou-o-livmarli"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "&#8220;Não consta no Rol de Procedimentos da ANS&#8221;",
            "anchor": "nao-consta-no-rol-de-procedimentos-da-ans"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "&#8220;Medicamento de alto custo não tem cobertura contratual&#8221;",
            "anchor": "medicamento-de-alto-custo-nao-tem-cobertura-contratual"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "&#8220;É uso domiciliar / é off-label&#8221;",
            "anchor": "e-uso-domiciliar-e-off-label"
        },
        {
            "level": 2,
            "text": "O Livmarli é de cobertura obrigatória pelo plano?",
            "anchor": "o-livmarli-e-de-cobertura-obrigatoria-pelo-plano"
        },
        {
            "level": 2,
            "text": "Como recorrer quando o plano de saúde negou o medicamento",
            "anchor": "como-recorrer-quando-o-plano-de-saude-negou-o-medicamento"
        },
        {
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            "text": "Passo 1: exija a negativa por escrito",
            "anchor": "passo-1-exija-a-negativa-por-escrito"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Passo 2: ouvidoria da operadora",
            "anchor": "passo-2-ouvidoria-da-operadora"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Passo 3: reclamação na ANS",
            "anchor": "passo-3-reclamacao-na-ans"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Passo 4: consumidor.gov.br e Procon",
            "anchor": "passo-4-consumidor-gov-br-e-procon"
        },
        {
            "level": 2,
            "text": "Como funciona a ação judicial para conseguir o Livmarli",
            "anchor": "como-funciona-a-acao-judicial-para-conseguir-o-livmarli"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Documentos que você precisa reunir",
            "anchor": "documentos-que-voce-precisa-reunir"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Gratuidade de justiça e custos",
            "anchor": "gratuidade-de-justica-e-custos"
        },
        {
            "level": 2,
            "text": "O que os tribunais vêm decidindo sobre medicamentos negados",
            "anchor": "o-que-os-tribunais-vem-decidindo-sobre-medicamentos-negados"
        },
        {
            "level": 2,
            "text": "Perguntas frequentes sobre a cobertura do Livmarli",
            "anchor": "perguntas-frequentes-sobre-a-cobertura-do-livmarli"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Meu plano é empresarial (coletivo). Tenho o mesmo direito?",
            "anchor": "meu-plano-e-empresarial-coletivo-tenho-o-mesmo-direito"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "Posso pedir o Livmarli pelo SUS em vez do plano?",
            "anchor": "posso-pedir-o-livmarli-pelo-sus-em-vez-do-plano"
        },
        {
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            "text": "Estou em período de carência. O plano pode negar por isso?",
            "anchor": "estou-em-periodo-de-carencia-o-plano-pode-negar-por-isso"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "O plano não respondeu nem sim nem não. Isso conta como negativa?",
            "anchor": "o-plano-nao-respondeu-nem-sim-nem-nao-isso-conta-como-negativa"
        },
        {
            "level": 3,
            "text": "O plano autorizou por liminar. Eles podem cortar depois?",
            "anchor": "o-plano-autorizou-por-liminar-eles-podem-cortar-depois"
        },
        {
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            "text": "Preciso comprar o medicamento primeiro para depois pedir reembolso?",
            "anchor": "preciso-comprar-o-medicamento-primeiro-para-depois-pedir-reembolso"
        },
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            "text": "Quanto tempo leva para sair a decisão sobre a liminar?",
            "anchor": "quanto-tempo-leva-para-sair-a-decisao-sobre-a-liminar"
        },
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            "text": "Livmarli negado pelo plano: o que fazer ainda hoje",
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            "title": "Lei 9.656/1998 no portal do Planalto",
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            "title": "Anvisa",
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        {
            "title": "Agência Nacional de Saúde Suplementar",
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            "title": "consumidor.gov.br",
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            "title": "Neoprofen negado pelo plano: como conseguir liminar",
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