Tepezza Negado pelo Plano de Saúde: O Que Fazer 2026

A frustração e o medo tomam conta. Como um medicamento indicado pelo seu especialista pode ser recusado? O que fazer agora? Aonde recorrer? Se essa é a sua situação, não se desespere. A negativa do Tepezza pelo plano de saúde é uma prática comum, mas nem sempre legal. Existem caminhos claros para reverter essa decisão — muitos deles com resultados rápidos e favoráveis na Justiça.

Neste artigo, vamos explicar por que o plano de saúde costuma negar o Tepezza, se a cobertura é realmente obrigatória, como recorrer administrativamente e, se preciso, como entrar com uma ação judicial. Você vai entender quais documentos precisa reunir, quanto tempo cada etapa costuma levar e como fica a situação do fornecimento durante o processo. Vamos falar de forma simples, sem “juridiquês”, porque o que você precisa agora é de clareza para agir.

Por que o Plano de Saúde NEGOU o Tepezza?

Quando o plano de saúde nega um medicamento como o Tepezza, ele geralmente usa três argumentos principais. Entender esses motivos é o primeiro passo para contestar a negativa com segurança.

“O Tepezza não está no Rol da ANS”: Esse é o argumento mais frequente. O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é uma lista de coberturas mínimas obrigatórias para todos os planos. Se o medicamento não aparece nessa lista, a operadora afirma que não tem obrigação de pagar. Mas, como veremos, a ausência no rol não fecha a porta, especialmente quando há prescrição médica individualizada.

“Medicamento de alto custo”: O Tepezza realmente envolve um investimento significativo. As operadoras, para proteger suas margens, costumam negar tratamentos caros mesmo quando eles são a única alternativa eficaz. Porém, o valor do medicamento não é justificativa para recusar a cobertura se ele for essencial para a saúde do paciente.

“Sem previsão contratual” ou “uso off-label”: Alguns planos alegam que o contrato não prevê a cobertura de medicamentos importados, ou que o Tepezza é usado para uma finalidade diferente da bula aprovada pela Anvisa. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu que, havendo recomendação médica, o plano não pode se recusar a custear o tratamento apenas por questões contratuais ou burocráticas.

Importante: A Resolução Normativa nº 623/2024 da ANS, em vigor, obriga o plano a justificar a negativa de forma clara e por escrito, com a fundamentação técnica e legal. Se você não recebeu essa justificativa detalhada, a negativa já pode ser questionada.

O Tepezza é de Cobertura Obrigatória pelo Plano de Saúde?

A resposta curta: depende do caso, mas a tendência é que sim, quando há prescrição médica bem fundamentada.

A discussão jurídica sobre a cobertura de medicamentos fora do Rol da ANS mudou muito nos últimos anos. Em 2022, a Lei 14.454 acrescentou o parágrafo 8º ao artigo 10 da Lei 9.656/98, determinando que o rol da ANS é uma cobertura básica, não uma lista taxativa. Isso significa que um plano de saúde pode ser obrigado a cobrir um tratamento mesmo que ele não esteja na lista, desde que cumpridos certos requisitos.

Para o Tepezza, não há uma incorporação automática pela ANS, já que o medicamento ainda não foi analisado formalmente pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para o rol suplementar. Contudo, a ausência de análise não impede a cobertura judicial. O STJ, em diversos julgados, firmou entendimento de que o rol é exemplificativo e que, diante de um laudo médico detalhado que demonstre a eficácia e a necessidade do medicamento para o caso concreto, o plano deve custeá-lo.

Dica importante: A cobertura pode ser exigida com base no artigo 35-C da Lei 9.656/98, que garante o acesso a todos os procedimentos e tratamentos necessários para o restabelecimento da saúde, ainda que não listados no rol — desde que haja evidência científica e indicação do profissional assistente.

No caso de pacientes em tratamento oncológico, a situação é ainda mais sensível. Muitas vezes, o Tepezza é indicado para controlar a doença ocular autoimune que surge em paralelo, e a privação do medicamento pode comprometer a visão de forma irreversível. A urgência da situação reforça o dever de cobertura imediato.

Como Recorrer da Negativa do Plano de Saúde (Passo a Passo)

Antes de entrar com uma ação judicial, você deve percorrer os canais administrativos. Isso não só é gratuito como também pode resolver o problema de forma mais rápida.

Passo 1: Reclame na Ouvidoria do próprio plano
Toda operadora de saúde deve ter uma ouvidoria acessível (0800, site ou aplicativo). Abra uma reclamação formal e anote o número do protocolo. O prazo para resposta costuma ser de 5 a 10 dias úteis. Se vier uma negativa, exija a justificativa por escrito, com fundamentação clínica e legal, conforme exige a RN 623/2024 da ANS. Passo 2: Registre a queixa na ANS
Se a ouvidoria não resolver, use os canais da Agência Nacional de Saúde Suplementar. O portal consumidor.gov.br é o mais indicado: o cadastro é simples e a plataforma tem alta taxa de solução. Você também pode ligar para o Disque ANS (0800 701 9656) e registrar a reclamação. A ANS cobrará da operadora e terá um prazo de 10 dias úteis para resposta. Passo 3: Procure o Procon do seu estado
O Procon também pode intermediar o conflito. Leve os documentos e a negativa do plano. Muitas vezes, a simples notificação do órgão já faz com que a operadora reveja a negativa. O prazo para o Procon solicitar a solução varia, mas costuma ser de 15 a 30 dias. Passo 4: Consulte um advogado especialista em direito à saúde
Se os canais acima não surtirem efeito, é hora de buscar orientação jurídica. Um advogado analisará seu caso, verificará se a negativa é abusiva e poderá ingressar com uma ação judicial em caráter de urgência. Em muitos casos, a Justiça determina que o plano forneça o Tepezza em poucos dias, por meio de uma liminar.

Lembre-se: Guarde todos os documentos: receita médica com a indicação expressa do Tepezza, laudo descrevendo a condição de saúde e por que outros tratamentos não são eficazes, cópia da negativa do plano (com a justificativa) e comprovante de que você é beneficiário. Esses papéis são a base de qualquer recurso administrativo ou judicial.

Ação Judicial Contra o Plano de Saúde para Conseguir o Tepezza

Quando o plano insiste na negativa, a via judicial costuma ser o caminho mais eficaz. O paciente que enfrenta um tratamento oncológico não pode esperar meses por uma solução. Por isso, o processo é normalmente ajuizado com um pedido de tutela de urgência (liminar).

A liminar é uma decisão rápida, concedida logo no início da ação, que obriga o plano de saúde a fornecer o Tepezza imediatamente, sob pena de multa diária (geralmente entre R$ 500,00 e R$ 5.000,00 por dia de atraso). Em média, os juízes decidem sobre a liminar em 24 a 72 horas, especialmente quando o caso envolve risco de dano irreversível à visão.

Exemplo prático: Um paciente com câncer e doença ocular de graves dependia do Tepezza para não perder a visão. O plano negou. A advogada ajuizou a ação numa sexta-feira; na segunda-feira seguinte, o juiz deferiu a liminar. O medicamento foi entregue 48 horas depois. O tratamento foi iniciado sem interrupção.

Para que a ação tenha sucesso, é preciso reunir uma série de documentos essenciais:

DocumentoPor que é importante
Laudo médico detalhadoDeve explicar a doença, a falha de outros tratamentos e a necessidade específica do Tepezza. Inclua o CID e a justificativa de que não há substituto eficaz no Rol da ANS.
Receita ou prescrição do TepezzaCom nome do paciente, posologia e carimbo do médico.
Negativa do plano por escritoIndispensável para demonstrar a recusa. Se não houve resposta formal, guarde prints de e-mails ou protocolos de atendimento.
Cópia da carteirinha do plano e comprovante de adimplênciaProva que você é beneficiário regular.
Documentos pessoaisRG, CPF, comprovante de residência.
Comprovante de renda (se desejar gratuidade de justiça)Podem ser holerites, extrato bancário ou declaração de Imposto de Renda. A gratuidade isenta de custas e honorários em caso de derrota, e a maioria dos pacientes preenche os critérios.

A ação tramita na Vara Cível ou no Juizado Especial Cível (para causas de até 40 salários mínimos, o que em 2026 equivale a R$ 64.840,00). No Juizado, o processo é mais rápido e não exige advogado para causas de até 20 salários mínimos, mas a complexidade do direito à saúde recomenda a assistência de um especialista.

Importante: Mesmo que sua ação seja distribuída como processo comum, os pedidos de liminar em saúde costumam ter prioridade em muitos tribunais, devido ao caráter urgente.

Jurisprudência Favorável para Cobertura de Medicamentos Negados

Os tribunais brasileiros vêm decidindo repetidamente a favor dos pacientes quando há recusa injustificada de medicamentos. Veja alguns exemplos que mostram que você tem grandes chances de vitória:

O Superior Tribunal de Justiça decidiu em 2023 que o rol da ANS é exemplificativo e que o plano de saúde pode ser obrigado a custear medicamento não listado se houver prescrição médica e prova da necessidade. Esse entendimento se aplica perfeitamente ao Tepezza. Em outro julgamento, o TJ-SP condenou uma operadora a fornecer medicamento importado para tratamento ocular fora do rol, com indenização por danos morais de R$ 10.000,00 pela demora na autorização. O juiz destacou que “a negativa abusiva impõe aos pacientes sofrimento adicional e risco à saúde, o que não se admite”.

Dica importante: Muitos advogados utilizam o entendimento consolidado pelo STJ no Tema 990 (que definiu os critérios para cobertura de procedimentos fora do rol) para fundamentar as ações. Esses critérios são: 1) existência de laudo médico atestando a necessidade; 2) ineficácia, contraindicação ou impossibilidade de uso da opção disponível no rol; 3) não se tratar de tratamento experimental.

Para o Tepezza, esses requisitos geralmente são satisfeitos: o paciente já tentou outros tratamentos sem sucesso, o medicamento é aprovado pela Anvisa e há estudos que comprovam sua eficácia. Portanto, a jurisprudência está a seu favor.

Tepezza Negado: Não Espere Para Buscar Seus Direitos em 2026

Enfrentar a negativa de um medicamento essencial durante um tratamento oncológico é uma experiência angustiante. Mas você não está sozinho. A lei, a ANS e os tribunais reconhecem que a saúde do paciente deve prevalecer sobre as regras contratuais. Se o plano de saúde negou o Tepezza, aja o quanto antes. Cada dia de atraso pode significar um risco maior para sua visão e sua qualidade de vida.

Busque a via administrativa primeiro, registre tudo e, se não resolver, conte com um advogado especialista. A maioria dos escritórios de direito à saúde oferece atendimento inicial sem custo, e a gratuidade de justiça permite que você ingresse na ação sem pagar despesas processuais.

Perguntas Frequentes sobre Tepezza e Plano de Saúde

O Tepezza é um medicamento aprovado pela Anvisa?

Sim. O Tepezza (teprotumumabe) possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da Doença de Graves Ocular. Mesmo que no Brasil ele seja considerado um medicamento de alto custo, a aprovação sanitária reforça a segurança e eficácia, e é um forte argumento para exigir a cobertura do plano de saúde.

Meu plano pode negar o Tepezza por ser um medicamento importado?

Não. O fato de ser importado não é motivo legal para negativa. A Lei 9.656/98 não exclui medicamentos com base na origem, desde que tenham registro na Anvisa e sejam prescritos pelo médico. Os tribunais têm derrubado negativas baseadas nesse argumento, considerando que a conduta fere o direito à saúde e o Código de Defesa do Consumidor.

Quanto tempo demora uma ação judicial para conseguir o Tepezza?

Com o pedido de liminar, o prazo é muito curto. Em média, o juiz analisa o pedido de urgência em 1 a 3 dias úteis. Se concedida, a operadora deve fornecer o medicamento em até 48 horas sob pena de multa. A ação completa leva alguns meses, mas a liminar garante o tratamento imediato. Há relatos de pacientes que receberam o Tepezza em menos de uma semana após a distribuição da ação.

A negativa do Tepezza pode gerar indenização por danos morais?

Sim. A recusa injustificada de um medicamento essencial, especialmente quando causa sofrimento, agravamento da doença ou risco à visão, é reconhecida como dano moral passível de indenização. Os valores variam, podendo chegar a R$ 15.000,00 ou mais, dependendo da gravidade do caso e do tempo de espera.

O que fazer se o plano de saúde negou o Tepezza por causa do período de carência?

A carência para doenças preexistentes pode ser de até 24 meses, mas se a doença ocular que exige o Tepezza não era conhecida na contratação e surgiu durante o tratamento oncológico, ela não é considerada preexistente. Além disso, a urgência do caso afasta a carência: o plano é obrigado a cobrir tratamentos de emergência desde o início, e a preservação da visão é uma urgência médica. Se houver recusa, acione a Justiça.

É possível conseguir o Tepezza pelo SUS se o plano negar?

O SUS não fornece o Tepezza de forma rotineira, pois o medicamento não está padronizado na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename). Porém, em casos excepcionais, é possível obter judicialmente contra o Estado, com base no princípio da integralidade. Contudo, como você já tem plano de saúde, a prioridade é acionar a operadora, que tem obrigação contratual de custeio.

Preciso de advogado para reclamar na ANS ou no Procon?

Não. Você pode fazer a reclamação pessoalmente, por telefone ou pela internet. Porém, se a negativa persistir, a orientação de um advogado especializado faz diferença na ação judicial, porque os argumentos jurídicos precisam ser bem construídos para o sucesso do pedido liminar. Muitos escritórios oferecem a primeira consulta sem custo.

Ainda tem dúvidas sobre como garantir o Tepezza pelo seu plano de saúde? Nossa equipe de advogados especializados em direito à saúde está pronta para analisar o seu caso, orientar sobre os próximos passos e, se necessário, ingressar com a ação judicial com pedido de liminar para você não esperar mais. Fale conosco agora mesmo.

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