Você foi ao médico esperando uma solução para o seu problema de saúde e saiu de lá com uma situação ainda pior? Infelizmente, essa é a realidade de muitos brasileiros que sofrem com o que chamamos de erro médico. A boa notícia é que a lei está do seu lado para garantir que você seja reparado por qualquer dano sofrido, seja ele físico, emocional ou financeiro.
Em 2026, as regras para buscar indenização por erro médico estão bem consolidadas e o entendimento da Justiça é cada vez mais favorável ao paciente, que é a parte mais fraca nessa relação. Se você ou alguém da sua família passou por uma cirurgia que deu errado, recebeu um diagnóstico equivocado ou sofreu com o esquecimento de algum objeto dentro do corpo, saiba que você tem direito a uma indenização que pode chegar a valores altos, dependendo da gravidade do caso.
Neste guia completo, vou explicar para você, de forma simples e sem “juridiquês”, o que é considerado erro médico, quais são os seus direitos em 2026, como provar o que aconteceu e quais os valores que você pode receber. O objetivo aqui é que você termine esta leitura sabendo exatamente qual o próximo passo para fazer justiça e garantir que seus direitos sejam respeitados.
O que é considerado erro médico perante a lei em 2026?
Muitas pessoas acreditam que qualquer resultado negativo em um tratamento é um erro médico. Mas não é bem assim. A medicina não é uma ciência exata, e o corpo humano pode reagir de formas inesperadas. Para que exista o dever de indenizar, precisamos identificar o que a lei chama de “culpa” do profissional.
O erro médico acontece quando o profissional de saúde falha por não seguir os protocolos adequados. Essa falha geralmente se divide em três tipos principais, conforme previsto no Artigo 186 do Código Civil:
- Negligência: É a falta de cuidado ou a omissão. O médico deixa de fazer algo que deveria ter feito. Exemplo: não pedir um exame básico que detectaria a doença ou esquecer uma gaze dentro do paciente após a cirurgia.
- Imprudência: É a ação precipitada. O médico faz algo que não deveria, assumindo um risco desnecessário. Exemplo: dar alta para um paciente que ainda apresenta sinais vitais instáveis ou realizar uma cirurgia sem os equipamentos de suporte necessários.
- Imperícia: É a falta de conhecimento técnico ou habilidade para realizar aquele procedimento específico. Exemplo: um médico clínico geral que decide realizar uma cirurgia plástica complexa sem ter a especialização e o treinamento necessário para isso.
Importante: Em 2026, a Justiça entende que o hospital também é responsável pelos erros dos médicos que trabalham lá. Isso significa que, muitas vezes, você não processa apenas o médico, mas também a instituição de saúde, o que facilita o recebimento da indenização, já que hospitais costumam ter maior patrimônio.
Quais são os tipos de indenização que você pode receber?
Quando falamos em indenização por erro médico, não estamos falando apenas de um “valor pelo susto”. Existem diferentes tipos de danos que devem ser pagos para tentar colocar sua vida de volta nos eixos. Em 2026, com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00, os cálculos levam em conta o impacto real na sua qualidade de vida.
Os principais tipos de indenização são:
- Danos Morais: É a compensação pelo sofrimento, pela dor física, pelo trauma psicológico e pela angústia de ter a saúde prejudicada. Não há uma tabela fixa, mas casos graves costumam gerar indenizações entre 20 e 100 salários mínimos.
- Danos Estéticos: Se o erro deixou uma cicatriz feia, uma deformidade ou alterou sua aparência física de forma negativa, você tem direito a uma indenização específica para isso, além dos danos morais.
- Danos Materiais (Danos Emergentes): É o reembolso de tudo o que você gastou por causa do erro. Entram aqui: novos exames, medicamentos, sessões de fisioterapia, consultas com outros médicos e até o valor da cirurgia que deu errado.
- Lucros Cessantes: É o que você deixou de ganhar porque ficou impossibilitado de trabalhar. Se você é autônomo e ficou 3 meses parado, o médico ou hospital deve pagar o equivalente ao que você ganharia nesse período.
- Pensão Vitalícia: Se o erro médico causou uma invalidez permanente que impede você de trabalhar para sempre, você pode ter direito a uma pensão mensal pelo resto da vida.
Exemplo prático: Imagine um motorista de aplicativo que ganha em média R$ 4.000,00 por mês. Devido a um erro em uma cirurgia no joelho, ele perdeu a mobilidade e não pode mais dirigir. Em 2026, ele pode pedir na justiça o reembolso de todos os gastos médicos, uma indenização por danos morais (ex: R$ 50.000,00) e uma pensão mensal vitalícia de R$ 4.000,00 para sustentar sua família.
Como funciona o processo judicial por erro médico em 2026?
Entrar com um processo contra um médico ou hospital pode parecer intimidador, mas o caminho é bem definido. O primeiro passo é entender que a prova principal de um erro médico quase nunca é apenas o seu depoimento, mas sim os documentos e a perícia técnica.
O processo começa com a petição inicial, onde seu advogado explicará ao juiz o que aconteceu. Depois disso, o médico e o hospital serão chamados para se defender. O ponto mais importante do processo é a perícia médica judicial. O juiz nomeará um médico de sua confiança (um perito) para analisar o seu caso, seus exames e o seu estado atual.
Atenção: O custo de uma perícia médica particular em 2026 pode variar entre R$ 3.500,00 e R$ 6.000,00. No entanto, se você não tiver condições financeiras, pode solicitar a “Justiça Gratuita”, e o Estado arcará com esses custos ou o pagamento ficará para o final do processo, a ser pago por quem perder a causa.
Em muitos casos, antes da sentença, existe uma audiência de conciliação. É o momento em que o hospital ou o seguro do médico pode oferecer um acordo em dinheiro para encerrar o processo mais rápido. É fundamental ter um advogado especialista para avaliar se o acordo é justo ou se vale a pena esperar pela decisão do juiz.
Qual o prazo para entrar com a ação de erro médico?
Não espere para buscar seus direitos. No Direito, existe o que chamamos de prescrição, que é o “prazo de validade” para você reclamar na justiça. Se você deixar passar esse tempo, perde o direito de receber qualquer indenização, mesmo que o erro seja óbvio.

Em 2026, os prazos mais comuns são:
- 5 anos: Este é o prazo padrão para a maioria dos casos, baseado no Artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor. Ele começa a contar a partir do momento em que você toma conhecimento do dano e de quem foi o autor.
- 3 anos: Em algumas situações específicas de responsabilidade civil pura (fora da relação de consumo), o prazo pode ser menor, conforme o Código Civil.
Lembre-se: O prazo começa a contar de quando você DESCOBRIU o erro. Se você fez uma cirurgia em 2023, mas só descobriu em 2026 que o médico deixou uma pinça dentro de você através de um novo exame de Raio-X, o seu prazo de 5 anos começa a contar a partir de 2026.
Documentos essenciais para provar o erro médico
Para ganhar uma ação de erro médico, você precisa “armar” o seu advogado com as melhores provas possíveis. Sem documentos, o processo se torna uma palavra contra a outra, e as chances de vitória diminuem drasticamente.
Dica prática: Solicite imediatamente o seu Prontuário Médico Completo. Este documento pertence a você, e o hospital é apenas o guardião. Eles são obrigados por lei a fornecer uma cópia integral em até 5 dias úteis. Se negarem, eles podem responder por infração ética no CRM.
Lista de documentos que você deve reunir:
- Cópia integral do prontuário médico (incluindo folhas de evolução, prescrições e relatórios de enfermagem);
- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (aquele papel que você assina antes da cirurgia);
- Exames de imagem (Raio-X, Tomografia, Ressonância) realizados antes e depois do procedimento;
- Receitas médicas e notas fiscais de farmácia;
- Fotos e vídeos que mostrem a evolução do problema ou a lesão estética;
- E-mails, mensagens de WhatsApp ou gravações de conversas com o médico ou com o hospital;
- Contrato de prestação de serviços (se for clínica particular).
Tabela: Diferenças entre Erro Médico e Complicação Esperada
Nem tudo o que dá errado é erro médico. É importante entender a diferença para saber se você tem chances reais de ganhar um processo.
| Situação | O que caracteriza? | Gera Indenização? |
|---|---|---|
| Erro Médico | Falta de cuidado, omissão ou falta de técnica (Negligência, Imprudência ou Imperícia). | Sim, com direito a danos morais e materiais. |
| Complicação Prevista | Riscos inerentes ao procedimento que podem ocorrer mesmo com todo o cuidado (ex: infecção hospitalar em casos raros). | Depende. Se o médico avisou do risco e seguiu o protocolo, geralmente não. |
| Falha de Informação | O médico faz o procedimento certo, mas não avisa o paciente sobre os riscos e efeitos colaterais. | Sim. O dever de informar é obrigatório pelo Código de Defesa do Consumidor. |
| Erro de Diagnóstico | Médico ignora sintomas claros ou não pede exames básicos, atrasando o tratamento. | Sim, se o atraso causou piora no quadro de saúde. |
O papel do Plano de Saúde nos casos de erro médico em 2026
Muitas vezes, o erro médico acontece dentro de uma rede credenciada do plano de saúde. Se você paga mensalidade para ter acesso a uma rede de hospitais, o plano de saúde também é responsável pela qualidade do serviço prestado por esses profissionais.
Se o seu plano de saúde indicou o hospital ou o médico onde o erro ocorreu, você pode colocar a operadora do plano no processo judicial. Isso é uma segurança extra para garantir que você receberá o dinheiro da indenização, já que grandes operadoras têm saúde financeira para pagar valores altos.
Além disso, se você precisar de uma cirurgia reparadora para corrigir o erro cometido, o plano de saúde é obrigado a cobrir. Se eles negarem, alegando carência ou que o procedimento não está no rol da ANS, você pode entrar com uma liminar na justiça. Para entender melhor sobre prazos, veja nosso artigo sobre Carência de Plano de Saúde 2026.
O que mudou na jurisprudência de Erro Médico em 2026?
Em 2026, os tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), têm reforçado a ideia da “Teoria da Perda de uma Chance”. O que isso significa na prática?
Significa que, mesmo que não se possa provar com 100% de certeza que o paciente sobreviveria ou seria curado, se o erro do médico retirou do paciente a CHANCE de ter um resultado melhor, o médico deve indenizar.
Exemplo prático: Um paciente chega ao pronto-socorro com sintomas de infarto. O médico diz que é apenas uma “gastrite” e manda o paciente para casa sem fazer um eletrocardiograma. O paciente morre horas depois. Mesmo que não se possa garantir que ele sobreviveria ao infarto se estivesse internado, o médico tirou dele a CHANCE de ser socorrido a tempo. Em 2026, isso gera indenização pesada para a família.
Outro ponto importante em 2026 é o uso de Inteligência Artificial no diagnóstico. Se o médico seguiu cegamente um software que estava errado, ele ainda assim é o responsável final pelo erro, pois a decisão clínica deve ser sempre humana e supervisionada.
Passo a passo: O que fazer imediatamente após suspeitar de um erro
Se você está lendo isso agora e acabou de passar por uma situação suspeita, não se desespere. Siga este roteiro para proteger seus direitos:
- Não confronte o médico de forma agressiva: Isso pode fazer com que ele altere as informações no prontuário antes de você ter acesso.
- Peça o prontuário: Vá ao setor de SAME (Serviço de Arquivo Médico e Estatística) do hospital e peça a cópia integral. Não aceite apenas um “resumo de alta”.
- Busque uma segunda opinião: Vá a outro médico, de preferência em outro hospital, para avaliar o que foi feito e documentar o estado atual da sua saúde.
- Registre o fato: Se houve lesão grave, faça um Boletim de Ocorrência. Você também pode registrar uma reclamação no portal da ANS se o problema envolver negativa de assistência.
- Consulte um especialista: O direito médico é uma área muito específica. Um advogado comum pode não saber quais perguntas fazer ao perito ou quais normas do Conselho Federal de Medicina foram descumpridas.
Dica de ouro: Guarde todos os comprovantes de pagamentos extras que você teve que fazer por causa do erro. Se precisou contratar um cuidador, pagar taxi para ir a consultas ou comprar muletas, tudo isso deve ser reembolsado.
Quanto tempo demora um processo de erro médico?
Essa é a pergunta que todos fazem. Infelizmente, processos de erro médico não são os mais rápidos da justiça brasileira, justamente porque dependem da perícia médica, que é uma etapa demorada.

Em média, um processo desse tipo pode levar de 2 a 5 anos. No entanto, se o caso for urgente — como a necessidade de uma cirurgia corretiva imediata — o advogado pode pedir uma liminar. Com a liminar, o juiz pode obrigar o hospital ou plano de saúde a pagar o tratamento necessário em poucos dias, antes mesmo do processo terminar.
Importante: Se o erro resultou na morte do provedor da família, é possível pedir uma “antecipação de tutela” para que a pensão mensal comece a ser paga logo no início do processo, para que a família não passe necessidade enquanto a justiça decide o valor final.
Perguntas Frequentes sobre Erro Médico (FAQ)
1. O médico pode se recusar a me entregar o prontuário?
De jeito nenhum. O prontuário é um documento do paciente. O hospital ou o médico são apenas os depositários (quem guarda). De acordo com o Código de Ética Médica e o Código de Defesa do Consumidor, você tem o direito de acessar e ter uma cópia de tudo o que foi registrado sobre o seu atendimento. Se eles negarem, você pode entrar com uma ação de “exibição de documentos” e o juiz aplicará multa diária até que entreguem.
2. Se eu assinei o termo de consentimento, perco o direito de processar?
Não. Muitas pessoas acham que aquele papel que assinam antes da cirurgia é um “cheque em branco” para o médico errar. O termo de consentimento serve para informar sobre riscos NORMAIS do procedimento. Ele não autoriza o médico a ser negligente, imprudente ou imperito. Se o médico esqueceu uma pinça dentro de você, não importa o que você assinou: ele errou e deve indenizar.
3. Erro em cirurgia plástica estética é diferente?
Sim, e a lei é ainda mais rígida com os cirurgiões plásticos. Na medicina comum, o médico tem “obrigação de meio” (ele promete usar o melhor conhecimento para tentar curar). Na cirurgia plástica estética, o entendimento da maioria dos juízes em 2026 é de que existe uma “obrigação de resultado”. Ou seja, se você pagou para ter um nariz de um jeito e ele ficou torto ou pior do que antes, o médico falhou no resultado prometido e a responsabilidade de indenizar é quase automática.
Indenização por erro médico: 4. Posso processar o SUS por erro médico?
Sim, você pode. No caso do SUS, você processa o Estado, o Município ou a União (dependendo de quem administra o hospital). A responsabilidade do Estado é objetiva, o que significa que você não precisa provar que o médico “teve a intenção” ou foi “ruim”, basta provar que o serviço funcionou mal, houve o dano e nexo entre eles. O prazo também é de 5 anos, conforme o Decreto 20.910/32.
5. O que acontece se o médico que me atendeu não for especialista na área?
Isso configura imperícia. No Brasil, qualquer médico formado pode, tecnicamente, realizar qualquer ato médico. Porém, se ele decide fazer uma neurocirurgia sendo apenas pediatra e algo dá errado, a justiça entende que ele assumiu o risco por não ter a especialização adequada. Isso agrava a situação do profissional no processo e facilita a condenação por danos morais e materiais.
Indenização por Erro Médico: Não espere para buscar seus direitos em 2026
Sofrer um erro médico é uma experiência traumática que abala não apenas a saúde, mas toda a estrutura familiar e financeira de uma pessoa. No entanto, você não precisa carregar esse prejuízo sozinho. A legislação brasileira em 2026 oferece caminhos sólidos para que você seja compensado e para que os responsáveis sejam punidos, evitando que outras pessoas passem pelo que você passou.
Cuidado: Evite aceitar acordos verbais ou valores muito baixos oferecidos pelo hospital logo após o erro sem antes consultar um advogado. Muitas vezes, o dano real só aparece meses depois, e se você assinar um termo de quitação agora, não poderá pedir mais nada no futuro.
Se você ficou com sequelas, saiba que também pode ter direito a benefícios previdenciários. Para casos de acidentes ou erros que deixam marcas permanentes, vale a pena conferir nosso artigo sobre Sequelas de Acidentes e Direitos.
A justiça pode demorar, mas ela é a única forma de garantir que a dignidade do paciente seja restaurada. Reúna seus documentos, procure ajuda especializada e lute pelo que é seu por direito.
Ainda tem dúvidas sobre como agir no seu caso específico de erro médico? Nossa equipe está pronta para ouvir sua história e orientar você sobre os melhores caminhos legais.
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