Negativa de cirurgia pelo plano de saúde: o que fazer em 2026?

Médico de jaleco branco escrevendo em uma prancheta durante consulta com paciente em consultório. — Foto: SHVETS production

Você recebeu a notícia de que precisa de uma cirurgia, preparou o coração, organizou a rotina da família e, de repente, o plano de saúde diz “não”. Essa é uma das situações mais desesperadoras que um paciente pode enfrentar em 2026. A boa notícia é que, na grande maioria das vezes, a negativa de cirurgia pelo plano de saúde é abusiva e pode ser revertida rapidamente na Justiça.

Se o seu médico indicou o procedimento, o plano de saúde não tem o direito de questionar a necessidade técnica da cirurgia. A resposta curta para a sua angústia é: sim, você tem o direito de realizar o procedimento se ele for necessário para a sua saúde, e existem caminhos legais para obrigar o convênio a cobrir tudo, desde os materiais até a equipe médica.

Neste guia completo, vou explicar para você, com uma linguagem simples e direta, o que fazer quando o plano de saúde nega a sua cirurgia em 2026. Vamos falar sobre prazos, documentos, valores de indenização e como funciona a famosa “liminar” que resolve o problema em poucos dias. Continue lendo para entender como garantir o seu direito à saúde.

Por que o plano de saúde nega a cirurgia?

Existem vários motivos que as operadoras de saúde usam para justificar uma negativa. Em 2026, os argumentos mais comuns continuam sendo a falta de previsão no Rol de Procedimentos da ANS, o cumprimento de carência ou a alegação de que o procedimento é estético e não funcional.

Muitas vezes, o plano alega que você possui uma “doença preexistente” que não foi declarada no momento da contratação. Nesses casos, eles tentam aplicar uma carência de 24 meses. No entanto, se não houve exame médico admissional no plano, essa negativa costuma cair por terra judicialmente. O Judiciário entende que a boa-fé do consumidor deve ser preservada.

Outro ponto frequente é a negativa de materiais específicos, como próteses ou órteses (os famosos OPME). O plano autoriza a cirurgia, mas nega o material que o médico solicitou. Isso é ilegal. Se o material é essencial para o sucesso do ato cirúrgico, o plano deve cobrir. Para entender melhor casos específicos de materiais, veja como a Justiça garante liminar quando o plano nega material cirúrgico.

Importante: Nenhuma operadora de saúde pode substituir a decisão do médico assistente. Se o seu médico, que é quem te acompanha, diz que a cirurgia é necessária, o plano de saúde não pode dizer que não é, baseando-se apenas em uma auditoria interna feita por quem nunca viu o paciente.

Qual o prazo máximo para o plano autorizar a cirurgia em 2026?

Muita gente sofre com a “negativa branca”, que é quando o plano simplesmente não responde ao pedido. Saiba que existem prazos rigorosos estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) através da RN 566/2022 .

Em 2026, os prazos que você deve cobrar do seu convênio são:

  • Cirurgias de Urgência e Emergência: O atendimento deve ser IMEDIATO. Não existe prazo de espera quando há risco de morte ou lesões irreparáveis.
  • Cirurgias Eletivas (agendadas): O plano tem até 21 dias úteis para dar a resposta final (autorizar ou negar).
  • Consultas de especialidades: Até 7 dias úteis.
  • Serviços de diagnóstico (exames): De 3 a 10 dias úteis, dependendo da complexidade.

Dica prática: Sempre anote o número do protocolo de cada ligação ou solicitação feita pelo aplicativo. Se o prazo de 21 dias úteis passar e você não tiver resposta, isso já é considerado uma negativa tácita e você já pode buscar seus direitos.

Se você está aguardando uma cirurgia específica, como a redução de estômago, e o plano está enrolando, recomendo ler sobre os 5 passos para garantir seu direito à bariátrica.

O que fazer imediatamente após receber a negativa?

O primeiro passo é manter a calma e agir de forma estratégica. Não adianta apenas brigar ao telefone com o atendente do SAC. Você precisa de provas. O documento mais importante que você deve exigir é a negativa por escrito.

De acordo com as normas da ANS, o plano é obrigado a fornecer uma carta explicativa detalhando o motivo da recusa, citando a cláusula do contrato ou a norma legal. Com esse documento em mãos, as chances de sucesso na Justiça aumentam drasticamente. Se eles se recusarem a entregar a carta, anote o protocolo e informe que fará uma denúncia imediata.

Exemplo prático: Imagine que você precisa de uma cirurgia cardíaca que custa R$ 80.000,00. O plano nega dizendo que você está em período de carência. Se você entrou no plano há mais de 180 dias e a situação for de urgência, essa carência não se aplica para cirurgias, conforme o Artigo 35-C da Lei 9.656/98.

Após ter a negativa em mãos, você pode tentar uma solução administrativa através do portal Consumidor.gov.br ou pelo canal da ANS (0800 701 9656). No entanto, se o seu caso for urgente e envolver risco à vida ou dor intensa, o caminho mais seguro em 2026 é a ação judicial com pedido de liminar.

Como funciona a liminar para cirurgia negada?

A “liminar” é o nome popular para a tutela de urgência. Como um processo judicial normal pode levar meses ou anos, a lei permite que o juiz tome uma decisão provisória logo no início, muitas vezes em 24 ou 48 horas após o pedido do advogado.

Pessoa segurando uma pasta azul e lendo um formulário ou contrato impresso em um ambiente interno. — Foto: RDNE Stock project
Por que o plano de saúde nega a cirurgia? — Foto: RDNE Stock project

Para o juiz conceder essa liminar, o advogado precisa demonstrar dois pontos principais:

  • Probabilidade do Direito: Provar que você tem o contrato com o plano e que a indicação médica é fundamentada.
  • Perigo de Dano: Provar que, se a cirurgia não for feita agora, a sua saúde vai piorar drasticamente ou você pode sofrer danos irreversíveis.

Lembrete: Deferida a liminar, o plano de saúde é obrigado a autorizar o procedimento imediatamente. Se eles descumprirem, o juiz pode aplicar uma multa diária pesada, que em 2026 costuma variar entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00 por dia de atraso.

Muitas vezes, além da cirurgia, o paciente precisa de cuidados contínuos após o hospital. Se esse for o seu caso, informe-se se o plano de saúde cobre Home Care em 2026, pois isso também pode ser incluído no pedido judicial.

Documentos necessários para entrar na Justiça

Para que um advogado especialista em direito da saúde possa te ajudar com rapidez, você deve organizar a seguinte documentação:

  • Relatório Médico Detalhado: Este é o documento de ouro. Peça ao seu médico para escrever um laudo explicando a doença (CID), por que a cirurgia é necessária, quais materiais devem ser usados e, principalmente, o que acontece se você NÃO operar logo.
  • Carta de Negativa do Plano: A prova da recusa.
  • Documentos Pessoais: RG, CPF e comprovante de residência atualizado.
  • Carteirinha do Plano e Comprovantes de Pagamento: Para provar que você está em dia com as mensalidades de 2026.
  • Exames Recentes: Laudos de ressonância, tomografia ou sangue que comprovem o diagnóstico.

Dica de ouro: Digitalize tudo em formato PDF. Em 2026, os processos são 100% digitais e ter os documentos organizados acelera muito o trabalho do advogado e a análise do juiz.

Valores de Indenização e Danos Morais em 2026

Além de conseguir a autorização para a cirurgia, você pode ter direito a uma indenização por danos morais. A Justiça entende que a negativa indevida de um procedimento cirúrgico causa um sofrimento que vai além de um simples aborrecimento, gerando angústia e medo no paciente.

Os valores de indenização em 2026 variam conforme a gravidade do caso, mas podemos observar uma média nos tribunais brasileiros:

Situação da Negativa Gravidade Média de Indenização (2026)
Cirurgia Eletiva (sem urgência imediata) Média R$ 5.000,00 a R$ 8.000,00
Negativa de Material (OPME) Média/Alta R$ 7.000,00 a R$ 12.000,00
Cirurgia de Urgência/Emergência Altíssima R$ 10.000,00 a R$ 20.000,00
Negativa que resultou em sequelas Gravíssima Acima de R$ 30.000,00

Atenção: Se o valor total da sua causa (custo da cirurgia + danos morais) for de até 40 salários mínimos (R$ 64.840,00 em 2026), você pode ingressar no Juizado Especial Cível. No entanto, em casos de saúde, o mais recomendado é a Justiça Comum, pois muitas vezes é necessária uma perícia médica detalhada que os Juizados não costumam realizar.

Negativa de cirurgia robótica e novas tecnologias

Com o avanço da medicina em 2026, as cirurgias robóticas tornaram-se muito comuns devido à recuperação mais rápida e menor risco de infecção. No entanto, os planos de saúde frequentemente negam essa modalidade alegando que ela não consta no Rol da ANS ou que é “experimental”.

O entendimento majoritário do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é de que, se o plano cobre a doença e a cirurgia convencional, ele não pode negar a técnica mais moderna indicada pelo médico. O Rol da ANS é considerado uma lista de cobertura mínima, não taxativa para excluir tecnologias superiores que tragam mais segurança ao paciente.

Exemplo prático: Um paciente com câncer de próstata cuja recomendação médica seja a cirurgia robótica para preservar os nervos e evitar a impotência. Se o plano negar, a Justiça costuma conceder a liminar baseada no direito à vida e à dignidade da pessoa humana.

A polêmica das cirurgias reparadoras pós-bariátrica

Muitos pacientes que realizam a cirurgia bariátrica precisam, tempos depois, de cirurgias reparadoras para retirada de excesso de pele. Os planos quase sempre negam, alegando que se trata de procedimento estético.

Contudo, a jurisprudência em 2026 é pacífica no sentido de que essas cirurgias são complementares ao tratamento da obesidade mórbida. O excesso de pele pode causar infecções, dermatites e problemas de coluna, deixando de ser algo apenas visual para se tornar uma questão de saúde funcional. Se você está passando por isso, veja este guia completo sobre cirurgia reparadora negada.

O que mudou na lei de planos de saúde em 2026?

Em 2026, a discussão sobre o “Rol Taxativo vs. Rol Exemplificativo” continua sendo central. Após as mudanças legislativas recentes, ficou reforçado que as operadoras devem cobrir procedimentos fora da lista da ANS, desde que haja comprovação científica de eficácia ou recomendações de órgãos renomados (como a CONITEC ou órgãos internacionais).

Além disso, o controle sobre os reajustes abusivos tornou-se mais rigoroso. Muitas negativas de cirurgia ocorrem “indiretamente” quando o plano se torna impagável para o idoso ou para o paciente crônico. É fundamental ficar de olho se o seu plano está cumprindo as normas de transparência na hora de negar qualquer procedimento.

Cuidado: Algumas operadoras estão tentando empurrar “planos low cost” que excluem coberturas hospitalares. Sempre verifique se o seu contrato é do tipo “Referência” ou “Ambulatorial + Hospitalar”. Se for apenas ambulatorial, o plano realmente não cobre cirurgias, exceto em casos de urgência nas primeiras 12 horas de atendimento.

Passo a passo para resolver a negativa pela internet

Se você não quer ou não pode sair de casa agora, siga este roteiro digital para tentar resolver o problema:

Médico com estetoscópio mostra informações em um tablet para paciente sentada em cama de hospital. — Foto: Tima Miroshnichenko
Por que o plano de saúde nega a cirurgia? — Foto: Tima Miroshnichenko
  1. Portal do Beneficiário: Acesse o site da sua operadora e procure a seção “Protocolos” ou “Solicitações”. Verifique se o status está como “Negado” e baixe o comprovante.
  2. E-mail oficial: Envie um e-mail para o SAC do plano solicitando formalmente a “Justificativa de Negativa de Cobertura conforme a RN 395/2016 da ANS”.
  3. Reclamação na ANS: Acesse o site gov.br/ans e faça login com sua conta prata ou ouro. Registre a reclamação anexando o laudo médico. Isso abrirá uma NIP (Notificação de Intermediação Preliminar), e o plano terá 5 dias úteis para responder à ANS.
  4. Consumidor.gov: Registre a mesma reclamação nesta plataforma. As empresas costumam dar muita atenção aqui para manter uma boa nota pública.
  5. Consulta Jurídica Online: Se em 5 dias nada se resolver, procure um advogado especializado que atenda via WhatsApp ou videoconferência para preparar a ação judicial.

Perguntas Frequentes sobre Negativa de Cirurgia

O plano pode negar cirurgia por falta de pagamento?

Apenas se você estiver inadimplente por mais de 60 dias (consecutivos ou não) nos últimos 12 meses. Além disso, o plano é obrigado a te notificar formalmente até o 50º dia de atraso. Se eles negarem a cirurgia sem ter feito essa notificação prévia ou com atrasos menores, a negativa é ilegal. Em situações de emergência, mesmo com dívida, o atendimento deve ser priorizado conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Quanto tempo demora para sair a liminar em 2026?

Em média, o juiz analisa o pedido de liminar entre 24 e 72 horas após a entrada do processo. Em casos de risco iminente de morte comprovado pelo médico, existem plantões judiciários que podem decidir em poucas horas, inclusive durante a noite ou finais de semana. Após a decisão, o plano é intimado eletronicamente e deve cumprir a ordem sob pena de multa.

O plano pode escolher o hospital onde farei a cirurgia?

Sim, desde que o hospital indicado faça parte da rede credenciada do seu plano e tenha os recursos necessários para o seu caso. Se o seu médico não atende em nenhum hospital da rede e o caso for de urgência, ou se a rede credenciada não possuir a tecnologia necessária, o plano pode ser obrigado a custear o procedimento em hospital particular fora da rede.

Quem pede demissão ou é demitido perde o direito à cirurgia agendada?

Se você contribuiu para o plano de saúde empresarial, tem o direito de permanecer no plano por um período (regra do Art. 30 e 31 da Lei 9.656/98). Se a cirurgia já estava autorizada ou o processo de autorização começou enquanto você era funcionário, o plano deve manter a cobertura para aquele evento específico. Para mais dúvidas sobre direitos após demissão, consulte nosso guia sobre regras de FGTS e direitos trabalhistas em 2026.

O que acontece se eu pagar a cirurgia do meu bolso após a negativa?

Se você tiver condições financeiras e decidir pagar para não esperar o processo, você pode entrar com uma ação de reembolso integral. Guarde todas as notas fiscais do hospital, da equipe médica e dos materiais. Na Justiça, provando que a negativa foi indevida, o plano será condenado a devolver o valor gasto com correção monetária e juros de 1% ao mês.

Como Garantir seus Direitos sobre Negativa de Cirurgia

Enfrentar uma doença já é um fardo pesado o suficiente para que você ainda tenha que lutar contra a burocracia e a má-fé dos planos de saúde. Lembre-se que o contrato de saúde existe para te proteger nos momentos de vulnerabilidade, e não para ser um obstáculo ao seu tratamento.

Em 2026, a tecnologia e as leis estão a favor do paciente. Não aceite um “não” como resposta final se ele colocar sua vida em risco. Reúna seus documentos, exija seus prazos e, se necessário, busque o apoio de profissionais que entendam os atalhos do sistema jurídico para garantir que você receba o tratamento que pagou para ter.

Ainda tem dúvidas sobre seus direitos ou recebeu uma negativa injusta do seu plano de saúde? Nossa equipe está preparada para analisar o seu caso e ajudar você a conseguir sua cirurgia com a rapidez que sua saúde exige.

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