VGBL na herança: nova tributação IR em 2026

Documentos de declaração de imposto com etiquetas coloridas organizados sobre uma mesa de mármore branca. — Foto: Nataliya Vaitkevich
Breve resumo

A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 determinou que beneficiários de VGBL podem pagar Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos após a morte do titular, mesmo sem passar pelo inventário. A tributação incide sobre a diferença entre o valor recebido e o valor investido pelo falecido.

Você contratou um plano VGBL pensando em deixar um patrimônio seguro para seus filhos, sem burocracia de inventário e sem impostos pesados. Mas agora, em 2026, uma nova interpretação da Receita Federal pode mudar completamente esse planejamento. A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 trouxe uma reviravolta: os valores recebidos pelos beneficiários de VGBL após a morte do titular podem ser tributados pelo Imposto de Renda, mesmo que não passem pelo inventário.

Essa mudança pegou muita gente de surpresa. Durante anos, o VGBL foi vendido como uma alternativa inteligente para transmitir patrimônio aos herdeiros sem a incidência de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação). O Supremo Tribunal Federal confirmou essa interpretação em decisões recentes, afastando a cobrança do imposto estadual. Mas a Receita Federal encontrou outro caminho: tributar pelo Imposto de Renda, argumentando que há “rendimento” quando o beneficiário recebe um valor maior do que o investido pelo titular.

Se você tem um VGBL ou está pensando em contratar um para seu planejamento sucessório, precisa entender essa mudança agora. A diferença pode representar milhares de reais a mais ou a menos na conta dos seus herdeiros. Vamos explicar tudo de forma clara: o que mudou, por que mudou, quanto você pode pagar e o que fazer para proteger seu patrimônio.

O Que é VGBL e Por Que Era Considerado Isento de Impostos na Herança?

O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) é um plano de previdência privada que funciona como um seguro de vida com acumulação de recursos. Você faz aportes mensais ou esporádicos, o dinheiro rende ao longo dos anos e, quando você falece, os beneficiários indicados no contrato recebem o valor acumulado diretamente da seguradora.

A grande vantagem sempre foi justamente essa: o dinheiro não entra no inventário. Enquanto um imóvel ou uma conta bancária precisam passar por todo o processo de partilha (que pode levar anos e custar até 10% do valor em taxas e honorários), o VGBL vai direto para quem você escolheu. Em 30 dias, o beneficiário já pode ter o dinheiro na conta.

Exemplo prático: João tinha R$ 500.000 em VGBL e indicou seus dois filhos como beneficiários. Quando ele faleceu, cada filho recebeu R$ 250.000 diretamente da seguradora, sem passar pelo inventário dos outros bens (uma casa e um carro). Isso economizou tempo e dinheiro.

Além de não passar pelo inventário, o VGBL também escapava do ITCMD. Esse é um imposto estadual que incide sobre heranças e doações, com alíquotas que variam de 4% a 8% dependendo do estado. Em São Paulo, por exemplo, a alíquota é de 4%. Se você deixa R$ 500.000 em bens tradicionais, seus herdeiros pagam R$ 20.000 de ITCMD.

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o VGBL não sofre incidência de ITCMD porque o beneficiário não recebe o dinheiro como herança, mas sim como um direito próprio, nascido do contrato de seguro. É uma aquisição originária, não uma transmissão causa mortis. Essa interpretação foi consolidada em julgamentos recentes e parecia definitiva.

Por isso, o VGBL virou ferramenta essencial no planejamento sucessório. Advogados e planejadores financeiros recomendavam: converta parte do seu patrimônio em VGBL para reduzir a carga tributária dos herdeiros e agilizar a transmissão. Muitas pessoas seguiram esse conselho, investindo valores expressivos nesses planos.

O Que Mudou com a Solução de Consulta COSIT nº 28/2026?

A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026, publicada pela Receita Federal em 2026, introduziu uma interpretação completamente nova. A Receita não discute mais se o VGBL é ou não herança para fins de ITCMD — isso já foi decidido pelo STF. O foco agora é outro: a Receita afirma que os valores recebidos pelos beneficiários podem configurar renda tributável pelo Imposto de Renda.

O raciocínio é o seguinte: quando o beneficiário recebe R$ 500.000 de um VGBL em que o titular investiu apenas R$ 300.000, há um “acréscimo patrimonial” de R$ 200.000. Esse acréscimo, segundo a Receita, é renda e deve ser tributado na declaração de Imposto de Renda do beneficiário, seguindo a tabela progressiva (que vai de 0% a 27,5%).

Importante: Essa interpretação contraria a prática que vinha sendo adotada há anos. Até então, entendia-se que o VGBL, por ser um seguro de vida, não gerava renda tributável para o beneficiário no momento do resgate por morte. A tributação só ocorria se o próprio titular resgatasse o dinheiro em vida.

A base legal citada pela Receita é o artigo 43 do Código Tributário Nacional, que define renda como “o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos” e “os acréscimos patrimoniais não compreendidos” nas categorias anteriores. A Receita argumenta que o rendimento do VGBL se enquadra nessa definição, independentemente de passar ou não pelo inventário.

Você pode consultar o texto completo do Código Tributário Nacional no site do Planalto , especialmente o artigo 43, que trata do fato gerador do Imposto de Renda.

A Solução de Consulta não tem força de lei, mas orienta a atuação dos auditores fiscais da Receita Federal em todo o país. Na prática, significa que a Receita pode começar a cobrar Imposto de Renda sobre esses valores e autuar contribuintes que não declararam corretamente.

VGBL na herança: Quanto de Imposto os Herdeiros Podem Pagar Agora?

A tributação segue a tabela progressiva do Imposto de Renda, a mesma usada para salários e outras rendas. Em 2026, as alíquotas são:

  • Até R$ 2.259,20 por mês: isento
  • De R$ 2.259,21 até R$ 2.826,65: 7,5%
  • De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05: 15%
  • De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68: 22,5%
  • Acima de R$ 4.664,68: 27,5%

Mas atenção: essas faixas são mensais. Quando o beneficiário recebe o VGBL de uma vez, o cálculo considera o valor total do rendimento (não do VGBL inteiro, mas apenas da diferença entre o que foi investido e o que foi recebido).

Exemplo prático: Maria era beneficiária do VGBL do pai. O pai investiu R$ 400.000 ao longo de 15 anos. Quando ele faleceu, o saldo era de R$ 650.000. Maria recebeu esse valor. Segundo a nova interpretação da Receita, o rendimento tributável seria de R$ 250.000 (R$ 650.000 – R$ 400.000). Sobre esse valor, aplicando a tabela progressiva anual, Maria poderia pagar até R$ 68.750 de Imposto de Renda (27,5% sobre a parcela que excede o limite de isenção).

Compare com o cenário anterior: Maria não pagaria nada de Imposto de Renda sobre esse valor, porque o VGBL era tratado como seguro de vida. A diferença é brutal — quase R$ 70.000 a mais de imposto.

Outro fator importante: se o VGBL for dividido entre vários beneficiários, cada um declara sua parte. Isso pode reduzir a carga tributária, porque cada beneficiário aplica a tabela progressiva sobre seu próprio rendimento, não sobre o total.

Dica prática: Se você tem um VGBL com valor alto, considere indicar múltiplos beneficiários (filhos, netos, cônjuge) para diluir o impacto tributário. Quanto mais dividido, menor a alíquota efetiva de cada um.

A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 Está Correta do Ponto de Vista Jurídico?

Essa é a grande polêmica. Muitos advogados tributaristas consideram a interpretação da Receita equivocada e inconstitucional. O principal argumento é que o VGBL não gera “acréscimo patrimonial” para o beneficiário no sentido do artigo 43 do CTN.

O beneficiário não recebe um rendimento do capital do falecido. Ele recebe um pagamento de seguro, decorrente de um evento coberto (a morte do segurado). É como se você batesse o carro e recebesse a indenização do seguro: você não paga Imposto de Renda sobre a indenização, porque ela não é renda — é reposição de um bem perdido ou cumprimento de uma obrigação contratual.

No caso do VGBL, o raciocínio é similar. O beneficiário tem um direito próprio, nascido do contrato de seguro, não do patrimônio do falecido. Esse foi exatamente o fundamento usado pelo STF para afastar o ITCMD. Se não há transmissão causa mortis, como pode haver tributação de renda sobre algo que não foi “ganho” pelo beneficiário, mas sim contratualmente garantido?

Além disso, a Lei nº 11.053/2004, que regula os planos de previdência complementar, estabelece que os benefícios pagos aos assistidos (incluindo beneficiários) são tributados de forma específica, conforme o regime escolhido (progressivo ou regressivo). A Receita estaria criando uma terceira via de tributação, sem respaldo legal claro.

Você pode conferir as decisões do Supremo Tribunal Federal sobre ITCMD e VGBL no portal do STF, que reúne acórdãos e súmulas sobre o tema.

Cuidado: Enquanto a questão não for definida pelo Judiciário, a Receita pode autuar contribuintes que não declararem os valores conforme a Solução de Consulta. Isso significa multa de até 150% do imposto devido, além de juros. Se você está nessa situação, consulte um advogado tributarista antes de decidir se declara ou não.

VGBL na herança: O Que Fazer se Você Já Recebeu um VGBL em 2026?

Se você foi beneficiário de um VGBL em 2026 e não declarou o valor como rendimento tributável, está em uma zona cinzenta. A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 não tem efeito retroativo automático, mas a Receita pode entender que a interpretação sempre foi essa e cobrar ajustes em declarações anteriores (dentro do prazo de 5 anos para lançamento de ofício).

Formulário de declaração de imposto de renda com etiquetas coloridas sobre uma mesa de mármore branca. — Foto: Nataliya Vaitkevich
O Que é VGBL e Por Que Era Considerado Isento de Impostos na Herança? — Foto: Nataliya Vaitkevich

Você tem basicamente três opções:

  • Declarar o valor como rendimento tributável: Informe na ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica” ou “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”, dependendo do caso. Pague o imposto calculado e evite problemas futuros. É a opção mais conservadora.
  • Não declarar e aguardar: Se você entende que a cobrança é indevida, pode optar por não declarar e aguardar uma eventual autuação da Receita. Nesse caso, você terá a oportunidade de discutir administrativamente e, se necessário, judicialmente. O risco é pagar multa e juros se perder a discussão.
  • Fazer uma declaração retificadora: Se você já entregou a declaração de 2026 sem informar o VGBL, pode retificar e incluir o valor. Isso evita autuação de ofício, mas você pagará o imposto com juros desde o vencimento original.

Importante: Se a seguradora informou o pagamento do VGBL à Receita Federal (o que é obrigatório), a Receita já sabe que você recebeu o dinheiro. Cruzamento de dados é automático. Não declarar pode resultar em malha fina e autuação automática.

Antes de tomar qualquer decisão, consulte um advogado tributarista ou contador especializado. Cada caso tem particularidades (valor recebido, regime de tributação do VGBL, existência de outros rendimentos) que influenciam a melhor estratégia.

Como Ajustar Seu Planejamento Sucessório Agora?

Se você tem um VGBL ou está pensando em contratar um, precisa recalcular as vantagens. O VGBL ainda pode ser útil, mas não é mais a “bala de prata” que era antes. Veja o que mudou:

Vantagens que permanecem: O VGBL continua não entrando no inventário, o que acelera a transmissão e reduz custos com advogados e cartórios. Também continua livre de ITCMD, conforme decisão do STF. E você ainda escolhe livremente os beneficiários, sem precisar seguir a ordem legal de sucessão.

Desvantagens novas: A possível incidência de Imposto de Renda (até 27,5%) reduz a vantagem tributária. Dependendo do valor, pode ser mais interessante deixar o patrimônio em outras formas (imóveis, ações, fundos de investimento) que têm tratamento tributário mais favorável na sucessão.

Compare com outras alternativas:

InstrumentoITCMDImposto de RendaPassa pelo inventário?
VGBL (antes de 2026)NãoNãoNão
VGBL (após Solução COSIT 28/2026)NãoSim (até 27,5%)Não
ImóvelSim (4% a 8%)NãoSim
Conta bancáriaSim (4% a 8%)NãoSim
Ações (herança)Sim (4% a 8%)Não (só na venda)Sim
Holding familiarDependeDependeNão (se estruturada corretamente)

Para valores altos (acima de R$ 1 milhão), uma holding familiar pode ser mais eficiente. Você constitui uma empresa, transfere os bens para ela e distribui as cotas aos herdeiros ainda em vida, pagando ITCMD sobre o valor das cotas (que pode ser menor que o valor de mercado dos bens). A tributação futura é mais previsível e controlável.

Para valores médios (R$ 200.000 a R$ 1 milhão), o VGBL ainda pode compensar se você prioriza agilidade e simplicidade. Mesmo pagando Imposto de Renda, evita os custos e a demora do inventário.

Dica de ouro: Diversifique. Não coloque todo o patrimônio em uma única estratégia. Combine VGBL com outros instrumentos (doação em vida com reserva de usufruto, previdência PGBL, investimentos tradicionais) para diluir riscos tributários e jurídicos.

Se você está próximo da aposentadoria e precisa planejar sua sucessão, considere também revisar seus direitos previdenciários. Entender os requisitos para aposentadoria por idade em 2026 pode ajudar a calcular melhor o momento de fazer aportes no VGBL ou outras estratégias.

E o PGBL? Também Mudou?

O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) é outro tipo de previdência privada, mas com uma diferença importante: as contribuições podem ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda (até 12% da renda bruta anual), o que reduz o imposto pago todo ano. Mas, na hora do resgate, o Imposto de Renda incide sobre o valor total (contribuições + rendimentos), não só sobre os rendimentos.

A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 não fala especificamente do PGBL, mas a lógica pode ser aplicada. Se a Receita tributa os rendimentos do VGBL recebidos por beneficiários, é possível que faça o mesmo com o PGBL — ou até tribute o valor total, já que no PGBL nunca houve tributação das contribuições (elas foram deduzidas antes).

Isso torna o PGBL ainda menos atrativo para planejamento sucessório em 2026. A vantagem fiscal durante a fase de acumulação pode ser anulada por uma tributação pesada na transmissão aos herdeiros.

Exemplo prático: Carlos contribuiu R$ 300.000 para um PGBL ao longo de 20 anos, deduzindo esses valores do IR. O saldo final era de R$ 600.000. Se ele resgatar em vida, paga IR sobre os R$ 600.000 inteiros (não só sobre os R$ 300.000 de rendimento). Se ele falecer e o beneficiário receber, a Receita pode cobrar IR também sobre o valor total, dependendo de como interpretar a Solução de Consulta.

Se você tem PGBL e está preocupado, considere resgatar o valor ainda em vida (se estiver próximo da aposentadoria) e reaplicar em instrumentos com tributação mais favorável na sucessão. Mas atenção: o resgate de PGBL é tributado pela tabela progressiva ou regressiva (dependendo do regime escolhido na contratação), então faça as contas antes.

Posso Contestar a Cobrança de Imposto de Renda sobre VGBL na Justiça?

Sim, você pode. E muitos advogados acreditam que há boas chances de sucesso, pelos argumentos que já mencionamos: o VGBL não gera acréscimo patrimonial tributável, mas sim cumprimento de obrigação contratual de seguro.

Se você recebeu um VGBL e foi autuado pela Receita, ou se quer se antecipar e garantir que não será cobrado no futuro, pode entrar com uma ação judicial pedindo:

  • Declaração de inexistência de relação jurídico-tributária: Você pede ao juiz que declare que não deve Imposto de Renda sobre o VGBL recebido.
  • Repetição de indébito: Se você já pagou o imposto (por orientação de contador ou para evitar problemas), pode pedir a devolução do valor pago indevidamente, com correção monetária e juros.
  • Anulação de auto de infração: Se a Receita já te autuou, você pode pedir a anulação da autuação na Justiça (além de discutir administrativamente no processo de defesa).

A ação pode ser individual ou coletiva (se houver um grupo de beneficiários na mesma situação). O foro competente é a Justiça Federal, porque envolve tributo federal (Imposto de Renda).

Importante: Não espere a Receita te autuar para agir. Você pode entrar com ação preventiva, especialmente se o valor do VGBL é alto e a incerteza está te prejudicando (por exemplo, você não sabe se declara ou não na próxima declaração de IR).

O processo pode demorar de 2 a 5 anos até decisão final (com possibilidade de recurso ao Superior Tribunal de Justiça e até ao STF). Mas você pode pedir liminar (decisão provisória) para suspender a exigibilidade do imposto enquanto o processo corre. Isso impede que a Receita te cobre ou inscreva seu nome na dívida ativa.

Os custos do processo incluem custas judiciais (que podem ser dispensadas se você comprovar insuficiência de recursos) e honorários advocatícios (que variam conforme o valor da causa, mas costumam ficar entre 10% e 20% do valor discutido). Se você perder, pode ter que pagar os honorários da União (Advocacia-Geral da União, que defende a Receita).

Para entender melhor seus direitos em situações de cobrança indevida, veja também nosso artigo sobre como resolver cobranças indevidas de bancos, que traz orientações úteis sobre contestação de valores.

Jurisprudência: O Que os Tribunais Dizem Sobre Tributação de Seguros e Previdência?

Até 2026, não há decisões específicas sobre a Solução de Consulta COSIT nº 28/2026, porque ela é recente. Mas há jurisprudência relevante sobre temas relacionados que pode indicar como os tribunais vão decidir.

O Superior Tribunal de Justiça já decidiu, em diversos casos, que indenizações de seguro não são tributáveis pelo Imposto de Renda, porque não configuram acréscimo patrimonial. Elas apenas repõem um bem perdido ou cumprem uma obrigação contratual. Esse entendimento está consolidado em súmulas e acórdãos.

Você pode consultar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre tributação e seguros no portal do STJ, que permite busca por tema e palavra-chave.

Além disso, o STF, ao julgar a questão do ITCMD sobre VGBL e PGBL, deixou claro que o beneficiário não herda — ele adquire um direito próprio, originário do contrato. Se não há transmissão causa mortis, é difícil sustentar que há renda tributável no sentido clássico (produto do capital ou acréscimo patrimonial).

Por outro lado, a Receita pode argumentar que a jurisprudência sobre ITCMD não se aplica ao Imposto de Renda, porque são tributos diferentes, com fatos geradores diferentes. O ITCMD tributa a transmissão; o IR tributa a renda. Mesmo que não haja transmissão, pode haver renda.

Esse será o cerne da discussão nos próximos anos. Advogados tributaristas já estão preparando ações-teste para levar a questão aos tribunais superiores. A expectativa é que, até 2028, haja uma definição mais clara.

Erros Comuns Que Podem Prejudicar Seus Direitos

Se você está lidando com um VGBL (como titular ou beneficiário), evite estes erros:

Mão segurando notas de cem dólares americanos contra um fundo neutro. — Foto: Jonathan Borba
O Que é VGBL e Por Que Era Considerado Isento de Impostos na Herança? — Foto: Jonathan Borba

1. Não atualizar os beneficiários: Se você contratou o VGBL há muitos anos e não revisou a lista de beneficiários, pode estar deixando o dinheiro para pessoas que você não quer mais beneficiar (ex-cônjuge, parente com quem você brigou). Revise pelo menos uma vez por ano.

2. Não guardar comprovantes de aportes: Se a Receita cobrar Imposto de Renda sobre o VGBL, você vai precisar provar quanto foi investido (para calcular o rendimento tributável). Guarde todos os comprovantes de pagamento, extratos e informes de rendimentos.

3. Declarar errado na declaração de IR: Se você optar por declarar o VGBL recebido como rendimento tributável (para evitar problemas), faça na ficha correta. Erro de preenchimento pode gerar malha fina e complicações desnecessárias.

4. Não consultar um advogado antes de decidir: A decisão de declarar ou não, de contestar ou não, tem consequências tributárias e jurídicas sérias. Um erro pode custar dezenas de milhares de reais. Invista em uma consulta especializada antes de tomar qualquer atitude.

5. Achar que “ninguém vai descobrir”: A Receita cruza dados automaticamente. Se a seguradora informou o pagamento do VGBL, a Receita sabe. Não declarar pode resultar em autuação automática, multa de 150% e juros. O risco não compensa.

Cuidado: Há golpistas oferecendo “consultoria tributária” para “zerar” o imposto sobre VGBL com técnicas milagrosas. Desconfie de promessas impossíveis. Procure sempre um advogado inscrito na OAB ou contador registrado no CRC.

Se você está planejando sua aposentadoria e precisa entender melhor seus direitos previdenciários, confira também nosso guia sobre o aumento da idade mínima para aposentadoria em 2026, que pode impactar seu planejamento financeiro e sucessório.

Perguntas Frequentes sobre VGBL e a Nova Tributação em 2026

O VGBL ainda vale a pena em 2026 para planejamento sucessório?

Depende do seu caso. O VGBL continua sendo útil para quem prioriza agilidade (não passa pelo inventário) e quer evitar o ITCMD (imposto estadual). Mas a possível incidência de Imposto de Renda (até 27,5%) reduz a vantagem tributária. Para valores acima de R$ 1 milhão, outras estratégias (como holding familiar) podem ser mais eficientes. Para valores médios, o VGBL ainda compensa se você valoriza simplicidade.

Quem já recebeu VGBL em 2026 precisa declarar no Imposto de Renda?

Segundo a Solução de Consulta COSIT nº 28/2026, sim — você deve declarar o rendimento (diferença entre o valor recebido e o valor investido pelo titular) como renda tributável. Mas essa interpretação é controversa e pode ser contestada judicialmente. Se você não declarar, corre o risco de autuação e multa. Consulte um advogado tributarista antes de decidir.

A Receita pode cobrar Imposto de Renda sobre VGBL recebido antes de 2026?

A Solução de Consulta não tem efeito retroativo automático, mas a Receita pode entender que a interpretação sempre foi essa e cobrar ajustes em declarações dos últimos 5 anos (prazo decadencial). Se você recebeu VGBL em 2021, 2022, 2023, 2024 ou 2025 e não declarou como rendimento, pode ser autuado. Nesse caso, você pode contestar administrativa e judicialmente.

Qual a diferença entre VGBL e PGBL para fins de tributação na herança?

No VGBL, o Imposto de Renda (segundo a nova interpretação) incide apenas sobre o rendimento (diferença entre valor recebido e valor investido). No PGBL, o IR incide sobre o valor total, porque as contribuições foram deduzidas do IR durante a fase de acumulação. Isso torna o PGBL potencialmente mais caro para os herdeiros. Além disso, o PGBL tem menos flexibilidade para escolha de beneficiários em alguns casos.

Posso cancelar meu VGBL agora e resgatar o dinheiro sem perder muito?

Depende do regime de tributação escolhido na contratação. Se você optou pela tabela regressiva, o IR sobre o resgate diminui com o tempo (de 35% nos primeiros 2 anos até 10% após 10 anos). Se você está há menos de 10 anos no plano, o resgate pode ser caro. Além disso, alguns planos cobram taxa de saída. Faça uma simulação com a seguradora antes de decidir. E lembre-se: mesmo com a nova tributação, o VGBL ainda tem vantagens (não entra no inventário, não paga ITCMD).

Se eu dividir o VGBL entre vários beneficiários, pago menos imposto?

Sim. A tabela progressiva do Imposto de Renda é aplicada individualmente para cada beneficiário. Se você deixa R$ 600.000 para um único beneficiário, o rendimento tributável pode cair na faixa de 27,5%. Se você divide entre três beneficiários (R$ 200.000 cada), o rendimento de cada um pode cair em faixas menores (15% ou 22,5%), reduzindo a carga tributária total. É uma estratégia válida, mas exige planejamento (você precisa confiar nos beneficiários e considerar questões familiares).

A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 pode ser revogada?

Sim. Soluções de Consulta são atos administrativos e podem ser alteradas ou revogadas pela própria Receita Federal, especialmente se houver pressão do mercado, dos contribuintes ou decisões judiciais contrárias. Além disso, o Congresso Nacional pode editar uma lei esclarecendo que o VGBL não é tributável pelo IR na transmissão aos beneficiários, o que anularia a Solução de Consulta. Fique atento às mudanças legislativas e jurisprudenciais nos próximos meses.

Se você tem dúvidas sobre como a sucessão e a previdência se relacionam, pode ser útil entender também quem tem direito à pensão por morte em 2026, já que a pensão é outro instrumento importante de proteção financeira para a família.

Proteja Seus Direitos sobre VGBL: Não Espere Para Buscar Orientação Jurídica

A Solução de Consulta COSIT nº 28/2026 mudou completamente o cenário da tributação de planos VGBL na sucessão. O que antes era uma estratégia segura e eficiente agora está cercado de incertezas e riscos tributários. Se você tem um VGBL, recebeu valores como beneficiário ou está planejando sua sucessão, precisa agir agora.

Não espere a Receita Federal te autuar. Não tome decisões baseadas em “achismos” ou conselhos genéricos da internet. Cada caso é único, e a diferença entre uma estratégia bem planejada e um erro pode representar dezenas de milhares de reais.

Nossa equipe está acompanhando de perto todas as mudanças na legislação tributária e previdenciária. Podemos analisar seu caso específico, calcular o impacto da nova interpretação da Receita e apresentar as melhores alternativas — seja para contestar a cobrança, ajustar seu planejamento sucessório ou regularizar sua situação fiscal.

Não deixe que a insegurança jurídica prejudique seu patrimônio e o futuro da sua família. Entre em contato agora e tire todas as suas dúvidas com quem entende do assunto.

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