Miastenia Gravis (CID G70.0): Aposentadoria e Auxílio 2026

Conteúdo revisado por Amanda Ribeiro Cavalcante, advogada — OAB/CE 51.361, em 17/08/2026
Imagem representando CID G70.0 (Miastenia Gravis): Afastamento, Auxílio-Doença e Aposentadoria — Ribeiro Cavalcante Advocacia
Breve resumo

Sim. Quem tem Miastenia Gravis (CID G70.0) pode receber auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou BPC/LOAS, desde que a doença cause incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias. O INSS não paga pelo CID em si, mas pela incapacidade comprovada, por isso o laudo do neurologista deve descrever suas limitações funcionais, não apenas o diagnóstico.

Você recebeu o diagnóstico de Miastenia Gravis (CID G70.0) e está com medo de perder o emprego porque, em alguns dias, mal consegue levantar o braço, enxergar direito ou até engolir. A boa notícia: o INSS pode afastar você e pagar um benefício mensal enquanto durar a incapacidade. Mas atenção a este ponto que decide tudo.

O INSS não paga benefício “por causa do CID G70.0”. Ele paga porque a doença te deixa incapaz de trabalhar. Isso muda completamente a forma como você deve chegar na perícia. Levar só o papel com o diagnóstico quase nunca basta.

A Miastenia Gravis é traiçoeira nesse sentido. A fraqueza muscular vai e volta: piora com esforço, melhora com repouso. No dia da perícia, você pode até parecer “bem”. E é aí que muita gente é surpreendida com a negativa.

Neste guia, você vai entender os três caminhos possíveis: o auxílio-doença (para quem contribui), o BPC/LOAS (para quem não tem qualidade de segurado) e a aposentadoria por incapacidade permanente. E, principalmente, o que fazer quando o benefício é negado, situação mais comum do que parece.

Quem tem Miastenia Gravis (CID G70.0) tem direito a afastamento pelo INSS?

Sim, desde que a doença provoque incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias. O benefício é o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), criado pelo art. 59 da Lei 8.213/1991. O valor mínimo em 2026 é de R$ 1.621,00, o piso do INSS fixado pelo Governo Federal.

Na prática, o afastamento acontece quando a crise miastênica atrapalha a rotina de trabalho. Fraqueza nos músculos dos olhos (visão dupla, pálpebra caída), dificuldade para engolir, fala arrastada no fim do dia, fadiga que aumenta com qualquer esforço repetido.

O INSS avalia se você consegue exercer a sua função específica. Um operador de máquina que precisa de força constante nos braços tem impacto muito maior do que alguém em função administrativa leve. O mesmo CID, contextos diferentes.

Importante: a Miastenia Gravis NÃO está na lista oficial de doenças que dispensam carência (art. 151 da Lei 8.213/1991). Ou seja, em regra você precisa ter pelo menos 12 contribuições ao INSS antes do afastamento para ter direito ao auxílio-doença.

Isso pega muita gente de surpresa. Doenças como esclerose múltipla e algumas neoplasias dispensam a carência, mas a Miastenia não entrou na lista. Se você contribuiu por menos de 12 meses e ficou incapaz, o caminho pode ser o BPC/LOAS, que veremos adiante.

Qual a diferença entre auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e BPC?

São três benefícios distintos. O auxílio-doença é temporário (incapacidade que pode melhorar). A aposentadoria por incapacidade permanente é para quem não volta mais ao trabalho (art. 42 da Lei 8.213/1991). O BPC/LOAS é assistencial: paga 1 salário mínimo a quem não contribuiu, mas tem baixa renda e impedimento de longo prazo.

Entender qual se aplica ao seu caso evita perder tempo pedindo o benefício errado. Veja o que separa cada um:

  • Auxílio-doença: você contribui ou está no período de graça, ficou incapaz temporariamente. Paga 91% da média salarial.
  • Aposentadoria por incapacidade permanente: a incapacidade é definitiva e para qualquer trabalho. Paga 60% da média + 2% por ano acima de 20 anos (homem) ou 15 (mulher).
  • BPC/LOAS: você não tem qualidade de segurado (nunca contribuiu ou perdeu essa qualidade). Exige renda familiar por pessoa abaixo de R$ 405,25 e impedimento de longo prazo (efeitos por pelo menos 2 anos).

Exemplo prático: imagine uma pessoa com média salarial de R$ 3.000,00 no auxílio-doença. Ela receberia cerca de R$ 2.730,00 (91%). Se essa mesma pessoa for aposentada por invalidez com 25 anos de contribuição (mulher), o cálculo seria 60% + 20% = 80%, ou seja, cerca de R$ 2.400,00.

Note que a aposentadoria por invalidez nem sempre paga mais que o auxílio-doença. O que muda é a segurança: você não precisa passar por perícia a cada poucos meses. Detalhes sobre esse benefício você encontra no nosso guia sobre aposentadoria por invalidez em casos de AVC, que segue a mesma lógica de cálculo.

Existe ainda um acréscimo importante. Se a Miastenia evoluir a ponto de você precisar de ajuda permanente de outra pessoa para atividades básicas, o art. 45 da Lei 8.213/1991 garante um adicional de 25% sobre a aposentadoria, mesmo que ultrapasse o teto.

O que trava o pedido de benefício por Miastenia Gravis na perícia?

O maior obstáculo é a natureza flutuante da doença. Como a fraqueza melhora com repouso, o perito do INSS pode te avaliar num “dia bom” e concluir que você está apto. Sem um laudo que descreva a limitação funcional ao longo do tempo, o pedido costuma ser negado, mesmo com diagnóstico confirmado.

Pessoa escrevendo em um formulário em uma mesa.
Quem tem miastenia gravis (cid g70. 0) tem direito a afastamento pelo inss? — foto: kampus production

O erro que mais derruba pedidos: levar apenas o laudo com o CID G70.0 escrito. O perito lê “Miastenia Gravis” e pergunta o que você consegue ou não fazer no seu trabalho. Se o papel não responde isso, ele decide pela sua aparência naquele momento.

O laudo forte descreve a limitação funcional, não só o nome da doença. Deve conter:

  • Quais movimentos e atividades ficam prejudicados (subir escadas, erguer peso, falar por longos períodos, dirigir).
  • A frequência e a gravidade das crises (episódios de fadiga, ptose palpebral, disfagia).
  • Os medicamentos em uso e os efeitos colaterais (corticoides, imunossupressores).
  • O tempo estimado de recuperação ou a ausência de perspectiva de melhora.
  • Se houve internações, crises respiratórias ou necessidade de acompanhamento neurológico contínuo.

Dica de ouro: peça ao seu neurologista para descrever a doença “no pior estado”, registrando como você fica durante uma crise, e não como está no dia da consulta. É esse retrato que o perito precisa enxergar.

Ao longo dos atendimentos que acompanhamos em ações previdenciárias, um padrão se repete: quem leva um relatório com datas de crises, exames (como o teste de anticorpos e a eletroneuromiografia) e a descrição do que a pessoa deixou de conseguir fazer tem uma conversa muito diferente com o perito do que quem leva só o atestado genérico.

E se você não contribuiu para o INSS? O caminho do BPC/LOAS

Quem nunca contribuiu ou perdeu a qualidade de segurado pode pedir o BPC/LOAS, previsto no art. 20 da Lei 8.742/1993. Ele paga 1 salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026) para pessoa com deficiência de baixa renda, sem exigir nenhuma contribuição prévia ao INSS.

Para a Miastenia Gravis se enquadrar como deficiência, ela precisa gerar um impedimento de longo prazo. O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) define isso como efeitos que se prolongam por pelo menos 2 anos, atrapalhando a participação plena na sociedade e no trabalho.

Além da avaliação médica e social, o BPC tem um filtro de renda rígido:

  • A renda de todos que moram com você, somada e dividida pelo número de pessoas, deve dar menos de 1/4 do salário mínimo por pessoa.
  • Em 2026, isso significa renda por pessoa abaixo de R$ 405,25.
  • Você precisa estar inscrito e com o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado.

Atenção: o BPC não paga 13º salário e não gera pensão por morte para a família. Diferente da aposentadoria, ele é um amparo assistencial, revisado periodicamente. Se sua renda subir ou seu quadro melhorar, o benefício pode ser cortado.

Exemplo prático: imagine uma família de 4 pessoas onde só o marido trabalha ganhando R$ 1.500,00. Dividindo por 4, dá R$ 375,00 por pessoa, abaixo do limite. Nesse caso hipotético, a pessoa com Miastenia poderia se enquadrar no critério de renda do BPC.

Auxílio-doença x BPC/LOAS: qual pedir no seu caso?

A escolha depende de duas coisas: se você contribuiu para o INSS e qual é a renda da sua família. Quem tem 12 ou mais contribuições vai pelo auxílio-doença. Quem nunca contribuiu, mas tem baixa renda, vai pelo BPC. A tabela abaixo compara os dois caminhos.

CritérioAuxílio-DoençaBPC/LOAS
Precisa ter contribuído?Sim (mínimo 12 meses)Não
Exige baixa renda?NãoSim (menos de R$ 405,25 por pessoa)
Valor91% da média (mín. R$ 1.621,00)1 salário mínimo (R$ 1.621,00)
Paga 13º?SimNão
Gera aposentadoria futura?Pode virar aposentadoria por invalidezNão
Precisa de CadÚnico?NãoSim, atualizado

Se você está no chamado “período de graça” (parou de contribuir há pouco tempo, mas ainda mantém a qualidade de segurado), pode ter direito ao auxílio-doença mesmo sem estar contribuindo agora. Vale conferir sua situação no Meu INSS antes de decidir.

Passo a passo: como pedir o benefício pela internet

O pedido é feito 100% online pelo site ou aplicativo Meu INSS, sem precisar ir a uma agência para dar entrada. Depois do requerimento, o INSS agenda a perícia médica. O prazo legal para resposta é de 45 dias, embora na prática ele varie bastante.

Siga esta ordem:

  • Acesse o portal do INSS ou o app Meu INSS com sua conta gov.br.
  • Busque por “Benefício por Incapacidade Temporária” (auxílio-doença) ou “BPC”.
  • Anexe os documentos digitalizados (laudos, exames, atestados).
  • Agende a perícia médica na data e agência oferecidas.
  • Compareça com todos os documentos originais na mão.

Documentos que você precisa reunir:

  • RG, CPF e comprovante de residência.
  • Carteira de trabalho e comprovantes de contribuição (para o auxílio-doença).
  • Laudo médico detalhado com o CID G70.0 e a descrição da limitação funcional.
  • Exames que confirmem a Miastenia (dosagem de anticorpos, eletroneuromiografia).
  • Receitas dos medicamentos em uso e relatórios de internações, se houver.
  • Para o BPC: CadÚnico atualizado e comprovantes de renda da família.

Cuidado: não deixe passar a data da perícia agendada. Faltar sem justificativa faz o pedido ser arquivado, e você terá que começar tudo de novo, esperando novo agendamento. Se não puder comparecer, remarque pelo próprio aplicativo antes da data.

Antes de dar entrada, separe três documentos: o laudo do neurologista com descrição funcional, os exames que confirmam o CID G70.0 e o comprovante da sua situação previdenciária (extrato CNIS). O erro que mais derruba pedidos é o laudo que só traz o diagnóstico, sem dizer o que você deixou de conseguir fazer. Nossa equipe pode ler esses documentos e apontar o que falta antes de você enfrentar a perícia.

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O INSS negou seu benefício: o que fazer agora?

A negativa não é o fim. Você tem duas opções: entrar com recurso administrativo no próprio INSS (prazo de 30 dias após a decisão) ou ingressar direto com ação na Justiça. Guarde a carta de indeferimento: ela é a peça mais importante para os dois caminhos.

Mulher ajudando homem idoso na cama, possivelmente em situação de saúde delicada.
Quem tem miastenia gravis (cid g70. 0) tem direito a afastamento pelo inss? — foto: yaroslav shuraev

Na carta de negativa costuma aparecer a frase “não foi constatada incapacidade laborativa”. É exatamente esse ponto que você vai contestar. Para a Miastenia Gravis, o argumento central é a flutuação da doença, ou seja, o fato de o perito ter te avaliado num momento em que os sintomas estavam controlados.

Na via judicial, o juiz nomeia um perito independente, que não trabalha para o INSS. Muitas vezes é nessa segunda perícia que a incapacidade é finalmente reconhecida, principalmente quando você chega com um dossiê médico bem organizado.

Lembre-se: se a Justiça reconhecer que você já estava incapaz na data do pedido negado pelo INSS, você recebe os valores atrasados desde aquela data. Por isso a carta de indeferimento com a data certa vale ouro.

Se quiser entender o quadro completo de benefícios por doença, vale a leitura do nosso guia Benefícios do INSS por Doença: Como Pedir em 2026. E para ver como outras doenças neurológicas são tratadas, veja o artigo sobre auxílio-doença na Doença de Parkinson.

Perguntas frequentes sobre Miastenia Gravis e benefícios do INSS

A Miastenia Gravis dá direito a aposentadoria por invalidez logo de cara?

Não automaticamente. A aposentadoria por incapacidade permanente exige que a doença impeça você de exercer qualquer trabalho, de forma definitiva. Como a Miastenia responde a tratamento em muitos casos, o INSS costuma conceder primeiro o auxílio-doença (temporário) e só converte em aposentadoria se o quadro se mostrar irreversível. Se houver crises graves, dificuldade respiratória ou falta de resposta aos medicamentos, o pedido de aposentadoria ganha força desde o início. O laudo do neurologista precisa deixar claro que não há perspectiva de retorno ao trabalho.

Tenho estabilidade no emprego durante o afastamento?

Durante o afastamento pelo INSS, o contrato de trabalho fica suspenso e você não pode ser demitido sem justa causa. Se a Miastenia for reconhecida como doença ocupacional (relacionada ao trabalho), você tem direito a 12 meses de estabilidade após a alta médica. Para doenças comuns, não relacionadas ao trabalho, essa estabilidade automática não existe, mas a demissão de quem acabou de retornar do INSS pode ser questionada. Guarde todos os documentos do afastamento e converse com um advogado antes de aceitar qualquer acordo de saída.

Posso trabalhar recebendo o auxílio-doença?

Não. O auxílio-doença pressupõe que você está incapaz de trabalhar. Se o INSS descobrir que você exerceu atividade remunerada durante o recebimento, o benefício é cortado e você pode ser obrigado a devolver os valores. A exceção é o retorno gradual autorizado em programas de reabilitação profissional do próprio INSS. Se você conseguir voltar a uma função compatível com suas limitações, o correto é comunicar o INSS e pedir a alta, não trabalhar às escondidas enquanto recebe.

Quanto tempo demora para o benefício ser liberado?

O prazo legal para o INSS analisar e responder é de 45 dias após o requerimento, conforme a legislação previdenciária. Na prática, o tempo depende da fila de perícias na sua região e pode variar. Se o INSS ultrapassar muito esse prazo sem resposta, é possível cobrar uma decisão, inclusive judicialmente. Depois da perícia, se o benefício for aprovado, o pagamento costuma começar em poucas semanas. Acompanhe o andamento pelo aplicativo Meu INSS, onde aparece o status do seu pedido em tempo real.

Preciso de advogado para pedir o benefício no INSS?

Para o pedido administrativo inicial, não é obrigatório. Você mesmo pode dar entrada pelo Meu INSS. Porém, quando o benefício é negado ou quando a doença tem sintomas flutuantes como a Miastenia, a orientação de um advogado previdenciário ajuda a montar o laudo certo e escolher o benefício adequado. Na fase judicial, após uma negativa, a presença do advogado é praticamente indispensável para produzir provas e interrogar o perito. Reunir a documentação correta antes de qualquer passo aumenta muito suas chances.

Miastenia Gravis: garanta seu benefício sem perder tempo

O caminho começa com os documentos certos. Separe agora: o laudo do neurologista com a descrição da sua limitação funcional (não só o CID G70.0), os exames que confirmam a doença e o comprovante da sua situação no INSS. Se você já recebeu uma negativa, a carta de indeferimento por escrito é a peça mais importante que existe: guarde-a.

Quando você nos manda uma mensagem, a gente lê esses documentos e diz se o seu caso tem base legal e qual o melhor caminho (recurso administrativo ou ação judicial), antes de qualquer contratação. Você entende suas opções com clareza e decide com tranquilidade o próximo passo.

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