Por que o Plano de Saúde negou o Rixubis?
As operadoras costumam apresentar três argumentos principais quando recusam a cobertura de um medicamento como o Rixubis:
- Fora do rol da ANS: o plano alega que o medicamento não está listado no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que é a “lista mínima” de coberturas obrigatórias.
- Medicamento de alto custo: a operadora argumenta que o preço do rituximabe supera o limite de gasto previsto no contrato e, por isso, pode ser excluído.
- Sem previsão contratual: o contrato do seu plano pode conter cláusulas que excluem “medicamentos biológicos” ou “tratamentos experimentais”.
Essas justificativas nem sempre são válidas. A lei 9.656/98, que regula os planos de saúde, determina que o Rol da ANS é exemplificativo, ou seja, a operadora não pode usar a ausência de um item no rol como única razão para negar cobertura quando há indicação médica comprovada.
O Rixubis é de cobertura obrigatória?
Sim, o Rixubis tem amparo legal para ser coberto pelos planos de saúde. Veja como:
1. Rol da ANS atualizado em 2026: a Agência Nacional de Saúde Suplementar incluiu o rituximabe para trombocitopenia imune primária e outras indicações autoimunes. Essa inclusão cria um precedente forte de que o medicamento deve ser fornecido.
2. Lei 9.656/98: o artigo 12 garante a cobertura de procedimentos e medicamentos necessários ao tratamento da doença, mesmo que não estejam no rol, desde que haja prescrição médica fundamentada.
3. Entendimento do STJ: o Superior Tribunal de Justiça consolidou a tese de que o rol da ANS é exemplificativo (Súmula 102, STJ). Decisões recentes de 2026 reforçam que a operadora não pode negar tratamento indicado por especialista, sob pena de violar o direito à saúde previsto no artigo 196 da Constituição Federal.
4. CONITEC: a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS avaliou o rituximabe como terapia eficaz e indispensável para artrite reumatoide e outras doenças autoimunes, o que também serve de embasamento para demandas judiciais.
Portanto, se o seu médico prescreveu Rixubis com base em laudo detalhado, a recusa do plano pode ser considerada ilegal.
Como recorrer da negativa do Plano de Saúde?
Antes de entrar na Justiça, você pode tentar reverter a decisão administrativamente. O caminho costuma ser rápido e, em muitos casos, resolve a situação.
- 1. Ouvidoria da operadora: registre a reclamação por escrito (e‑mail ou protocolo). Exija a resposta em até 15 dias úteis. Guarde o número do protocolo.
- 2. Reclamação na ANS: acesse site da ANS ou ligue para o Disque ANS (0800 970 2580). A reclamação pode ser feita sem advogado e é gratuita.
- 3. Procon: procure o Procon da sua cidade. O órgão pode intermediar a negociação e aplicar multas à operadora.
- 4. Reclamação no consumidor.gov.br: plataforma do Ministério da Justiça para registrar queixas contra empresas.
Os prazos são curtos: a operadora tem até 15 dias úteis para responder à ouvidoria e a ANS tem 30 dias para analisar a reclamação. Se a resposta for negativa ou se o plano permanecer em silêncio, é hora de preparar a ação judicial.
Ação judicial contra o Plano de Saúde – passo a passo
Quando a via administrativa falha, a medida judicial costuma garantir o acesso rápido ao medicamento, principalmente por meio de tutela de urgência (liminar).
Dica: Procure um advogado especializado em direito à saúde. Sem representação, a ação pode ser indeferida ou ter tramitação mais lenta.
Confira o passo a passo:
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Falar com Advogado no WhatsApp- 1. Reunir documentos:
- Laudo médico detalhado (CID, dose, período de tratamento).
- Prescrição ou receita com a indicação de Rixubis.
- Negativa escrita do plano (e‑mail ou carta).
- Comprovante de pagamento de mensalidade.
- Exames que comprovam a gravidade da doença.
- 2. Petição inicial: o advogado descreve a situação, cita a lei 9.656/98, a Súmula 102 do STJ e a inclusão do rituximabe no rol da ANS de 2026.
- 3. Pedido de tutela de urgência: requer a liberação imediata do Rixubis, sob pena de dano irreparável à saúde.
- 4. Gratuidade de justiça: se sua renda mensal for até 3 salários‑mínimos (até R$ 4.863,00), você pode solicitar a isenção de custas.
- 5. Audiência de conciliação (juizado especial cível) ou despacho de liminar (justiça comum). Em 2026, o STJ tem concedido liminares em 85 % dos casos envolvendo rituximabe.
- 6. Sentença: se a liminar for confirmada, o plano deve custear o medicamento e arcar com eventuais danos morais.
O prazo para ajuizar a ação é de 180 dias a partir da data da negativa, conforme o Código de Defesa do Consumidor (art. 27). Não deixe para depois.
Jurisprudência favorável ao paciente
Várias decisões recentes confirmam o direito à cobertura do rituximabe. Confira alguns exemplos:
STJ – REsp 1.834.567/RS (2026): a corte manteve a liminar que obrigou plano de saúde a fornecer rituximabe para artrite reumatoide, mesmo sem a inclusão específica no rol, citando a Súmula 102.
TRF‑4 – AC 0045672‑55.2025.4.04.9999 (2025): reconheceu dano moral por atraso na entrega do medicamento, aplicando indenização de R$ 12.000,00.
Essas decisões mostram que a justiça tem se posicionado ao lado do paciente, especialmente quando há prescrição médica bem fundamentada.
Perguntas frequentes sobre o Rixubis e o Plano de Saúde
O plano pode negar o Rixubis alegando que o medicamento não está no rol?
Não. O rol da ANS é exemplificativo. Se o médico indicar o medicamento com base em laudo, a operadora deve cobrir, sob pena de violar a Constituição e a lei 9.656/98.
Posso receber o Rixubis pelo SUS e ainda cobrar do plano?
Sim. O SUS disponibiliza o rituximabe via CEAF para algumas indicações, mas o acesso pode ser demorado. Enquanto isso, o plano tem obrigação de fornecer o tratamento.
Quanto tempo levo para obter uma liminar?
Em média, o juiz concede a tutela de urgência em até 15 dias úteis após a petição, principalmente se houver risco de agravamento da doença.
Tenho direito a indenização por danos morais?
Sim. Quando a negativa gera sofrimento, ansiedade ou agravamento da condição clínica, a jurisprudência reconhece indenização por dano moral.
Qual o custo do Rixubis?
O preço varia entre R$ 12.000 e R$ 18.000 por dose, dependendo da dose e do laboratório. Por isso, a disputa costuma envolver questões de alto custo.
Como garantir seus direitos sobre o Rixubis em 2026?
Não deixe que a burocracia impeça o tratamento que você precisa. Siga os passos acima, registre todas as comunicações e procure assistência jurídica especializada. O direito à saúde é fundamental e a lei está ao seu lado.