Mas atenção: o segredo não está no diagnóstico. O INSS não paga benefício por “doença”, e sim por incapacidade para o trabalho. Ou seja, ter o CID M87 no laudo não garante nada sozinho. É preciso provar que a necrose no fêmur te impede de exercer sua atividade, seja andar, ficar em pé, carregar peso ou permanecer sentado por muito tempo.
Neste guia, você vai entender de forma simples quais benefícios existem, quanto dá para receber em 2026, quais documentos levar e o que fazer se o INSS negar seu pedido. Vamos direto ao que interessa, com exemplos e valores reais.
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O que é o CID M87 e por que ele dá direito a benefício do INSS?
O CID M87 identifica a osteonecrose, que inclui a necrose da cabeça do fêmur (também chamada de necrose asséptica ou avascular). É a morte do tecido ósseo por falta de irrigação de sangue. Para o INSS, o que importa não é o código, mas a incapacidade que essa doença gera. A base legal está na Lei 8.213/1991.
Na prática, a necrose do fêmur costuma causar dor forte, dificuldade de caminhar, de subir escadas e de ficar em pé por muito tempo. Nos casos mais graves, a única solução é a cirurgia de prótese de quadril (artroplastia).
É exatamente essa limitação funcional que abre a porta para os benefícios previdenciários. Um pedreiro, por exemplo, fica praticamente impossibilitado de trabalhar. Já uma pessoa em trabalho de escritório pode ter dificuldade menor, dependendo do estágio da doença.
Importante: o INSS avalia a incapacidade para a SUA atividade específica, não a incapacidade genérica. Por isso, dizer o que você faz no trabalho e como a doença atrapalha é tão importante quanto o próprio diagnóstico.
Se quiser entender o panorama completo de todos os benefícios por doença, veja nosso guia sobre Benefícios do INSS por Doença: Como Pedir em 2026, que reúne todas as regras gerais.
Necrose do fêmur dá direito ao auxílio-doença?
Sim. Quem tem necrose da cabeça do fêmur e fica temporariamente incapaz de trabalhar por mais de 15 dias pode receber o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), conforme os arts. 59 a 63 da Lei 8.213/91. A regra geral exige 12 contribuições mensais de carência e qualidade de segurado.
Esse benefício é para quem tem chance de melhorar, por exemplo, depois de uma cirurgia de prótese ou de um tratamento. Ele é temporário e o INSS marca uma data para reavaliar (a chamada “data de cessação do benefício”, ou DCB).
Segundo o INSS, o valor do auxílio é 91% do salário de benefício, respeitando o piso e o teto. O piso em 2026 é de R$ 1.621,00 (o salário mínimo fixado pelo Governo Federal) e o teto é de R$ 8.157,41.
Exemplo prático: se a sua média de contribuição for de R$ 3.000,00, o auxílio será de aproximadamente R$ 2.730,00 por mês (91% de R$ 3.000,00). Se sua média for baixa, o benefício nunca fica abaixo de R$ 1.621,00.
Os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa (se você é empregado com carteira assinada). A partir do 16º dia, quem paga é o INSS. Para quem é autônomo ou contribuinte individual, o INSS paga desde o início do afastamento.
Preciso cumprir carência? A necrose do fêmur isenta?
Em regra sim, é preciso ter 12 contribuições (art. 25 da Lei 8.213/91). A necrose da cabeça do fêmur NÃO está na lista de doenças graves do art. 151 que dispensa carência. Porém, se ela decorrer de acidente de qualquer natureza ou doença ocupacional, a carência é dispensada pelo art. 26, inciso II.
Isso confunde muita gente. Existe uma lista oficial de doenças que isentam de carência (como câncer, HIV, cegueira e cardiopatia grave). A necrose óssea não aparece nela.
Mas há um detalhe importante. Se a necrose do fêmur surgiu por causa de um acidente (uma queda, um trauma, um acidente de trânsito ou de trabalho), a lei dispensa a carência. Nesse caso, mesmo com poucas contribuições, você pode ter direito ao benefício.
Atenção: se você teve uma fratura no quadril que evoluiu para necrose, isso pode ser enquadrado como acidente. Junte os documentos do atendimento de emergência, pois eles ajudam a comprovar a origem acidental e a afastar a exigência de carência.
Você pode conferir o texto oficial da lei diretamente no portal do Planalto, que traz todos os artigos da Lei de Benefícios da Previdência.
Quando a necrose do fêmur dá aposentadoria por invalidez?
A aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) é devida quando a necrose torna você total e permanentemente incapaz de trabalhar, sem chance de reabilitação, conforme o art. 42 da Lei 8.213/91. Exige, em regra, 12 contribuições de carência e qualidade de segurado.
Isso costuma acontecer em casos graves, como necrose bilateral (nos dois quadris) com artrose severa grau IV, quando a cirurgia não resolveu ou não é viável. A jurisprudência reconhece esses casos como incapacidade definitiva.
O cálculo mudou com a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019). Hoje é 60% da média salarial mais 2% por ano que passar de 20 anos de contribuição (homem) ou 15 anos (mulher). Se a incapacidade vier de acidente de trabalho, o valor é 100% da média.
Exemplo prático: imagine um homem com 20 anos de contribuição e média de R$ 2.500,00. Ele recebe 60% dessa média, ou seja, R$ 1.500,00. Mas como não pode ficar abaixo do piso, o INSS eleva para R$ 1.621,00.
Existe ainda um extra importante. Se você ficar dependente de outra pessoa para atividades do dia a dia (tomar banho, se vestir, se locomover), tem direito ao acréscimo de 25% previsto no art. 45 da Lei 8.213/91. Esse valor pode até ultrapassar o teto.
Um exemplo parecido de doença que leva à aposentadoria por incapacidade é o AVC. Vale a pena ver como funciona a aposentadoria por invalidez após AVC em 2026, pois os requisitos são muito semelhantes.
E se eu não tenho contribuições? Existe o BPC/LOAS
Sim. Quem tem necrose grave no fêmur mas nunca contribuiu ou perdeu a qualidade de segurado pode pedir o BPC/LOAS. É um benefício assistencial de 1 salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026), criado pela Lei 8.742/1993 (LOAS), para quem tem impedimento de longo prazo e renda familiar baixa.
Para ter direito, você precisa cumprir dois requisitos ao mesmo tempo. O primeiro é o impedimento de longo prazo, ou seja, a doença deve limitar sua vida por pelo menos 2 anos. A necrose severa se enquadra nisso quando impede o trabalho e a vida normal.
O segundo requisito é a renda. A renda familiar por pessoa precisa ser inferior a 1/4 do salário mínimo, o que dá R$ 405,25 em 2026, segundo os critérios da LOAS. Alguns casos permitem análise até meio salário mínimo, dependendo dos gastos com saúde.
Lembre-se: o BPC não é aposentadoria. Ele não paga 13º salário e não gera pensão por morte para a família. Além disso, o beneficiário precisa estar inscrito no CadÚnico. Você faz essa inscrição no CRAS da sua cidade.
Para entender melhor a diferença entre os benefícios, veja como funciona o auxílio em outra doença crônica no artigo sobre auxílio-doença por Parkinson em 2026.
Como comprovar a incapacidade na perícia do INSS?
A perícia médica é o momento decisivo. O perito do INSS quer ver a limitação funcional, não só o diagnóstico. Um laudo que diz apenas “CID M87” tem menos força que um laudo que descreve dor, dificuldade de andar, uso de bengala e proibição de carregar peso. Leve exames de imagem recentes (raio-X, ressonância).
O erro mais comum que vemos nesses casos é o segurado levar só o atestado com o código da doença. Isso não basta. O perito precisa entender o quanto a necrose atrapalha o seu dia a dia e a sua profissão.
Peça ao seu médico um laudo que responda a estas perguntas:
- Qual o estágio da necrose (grau da lesão)?
- Que movimentos estão limitados (andar, agachar, subir escada)?
- Você usa bengala, muleta ou andador?
- Quais atividades do seu trabalho você não consegue mais fazer?
- Há indicação de cirurgia? Já foi feita? Deu resultado?
- Por quanto tempo você ficará incapaz?
Dica de ouro: descreva sua profissão para o médico. Se você é motorista, pedreiro ou vendedor que fica em pé o dia todo, isso muda tudo. O laudo deve conectar a doença à impossibilidade de exercer exatamente a SUA atividade.
Na prática, o que costuma travar o pedido é a falta de exames recentes. Leve documentos dos últimos meses, pois exames antigos podem levar o perito a achar que você já melhorou.
Quais documentos levar e como dar entrada no pedido?
O pedido é feito pelo site ou aplicativo Meu INSS, de graça, sem precisar de intermediário. Você agenda a perícia, anexa os laudos e comparece na data marcada. Segundo o INSS, o benefício por incapacidade exige documento pessoal, laudos médicos e comprovação da qualidade de segurado.
Separe estes documentos antes de começar:
- RG e CPF;
- Comprovante de residência atualizado;
- Carteira de trabalho e/ou carnês de contribuição (GPS);
- Atestados e laudos médicos detalhados;
- Exames de imagem (raio-X, ressonância, tomografia);
- Relatório do médico com o CID M87 e a limitação funcional;
- Documentos de eventual acidente (se a necrose teve origem traumática).
Veja o passo a passo simples:
- Acesse o portal Meu INSS com sua conta gov.br;
- Clique em “Pedir Benefício por Incapacidade”;
- Anexe todos os laudos e exames;
- Escolha a data e o local da perícia;
- Compareça no dia com os documentos originais;
- Acompanhe o resultado pelo próprio aplicativo.
Atenção: guarde o número do protocolo. Se o benefício for concedido, a data de início costuma retroagir ao requerimento. Isso significa que você pode receber valores atrasados.
Comparativo: auxílio, aposentadoria e BPC para necrose do fêmur
Cada benefício tem regras próprias. O auxílio é temporário, a aposentadoria é permanente e o BPC é assistencial. A carência geral é de 12 contribuições, mas o BPC não exige contribuição nenhuma. Veja o resumo na tabela abaixo, com os valores de 2026.
| Benefício | Tipo | Carência | Valor 2026 |
|---|---|---|---|
| Auxílio por incapacidade temporária | Temporário | 12 contribuições (isenta se acidente) | 91% da média (piso R$ 1.621,00) |
| Aposentadoria por incapacidade permanente | Definitivo | 12 contribuições (isenta se acidente) | 60% da média + 2% por ano extra |
| Acréscimo de 25% (art. 45) | Complemento | Depende de necessitar de ajuda | +25% sobre a aposentadoria |
| BPC/LOAS | Assistencial | Nenhuma contribuição | R$ 1.621,00 fixo |
O que mudou em 2026 para quem tem necrose do fêmur?
Em 2026, os valores foram reajustados: o piso dos benefícios subiu para R$ 1.621,00 e o teto do INSS para R$ 8.157,41, segundo o Governo Federal. As regras de cálculo da Reforma da Previdência (EC 103/2019) continuam valendo, com 60% da média mais 2% por ano extra de contribuição.
Outra novidade é o reforço da perícia por telemedicina em alguns casos e a análise documental do Atestmed, que permite conceder o benefício por atestado, sem perícia presencial, em situações específicas de curto prazo. Isso pode agilizar afastamentos curtos após cirurgia.
Ainda assim, para casos graves de necrose, a perícia presencial continua sendo a regra. O INSS quer avaliar a limitação de forma direta. Fique atento às datas de reavaliação, pois o auxílio temporário tem prazo e pode ser cortado se você não pedir a prorrogação.
Cuidado: se o seu benefício estiver perto de vencer e você ainda estiver incapaz, peça a prorrogação nos 15 dias antes da data de cessação. Se deixar vencer, terá que abrir tudo de novo e pode ficar meses sem receber.
O que fazer se o INSS negar o benefício?
Se o INSS negar, você tem duas opções: recurso administrativo ou ação judicial. O recurso é feito no próprio Meu INSS, no prazo de 30 dias, e vai para a Junta de Recursos. Já a via judicial permite pedir liminar para começar a receber rápido, especialmente em casos graves de necrose.
As negativas mais comuns são “não constatada incapacidade” ou “falta de qualidade de segurado”. A primeira geralmente acontece quando o laudo era fraco ou os exames estavam desatualizados. A segunda ocorre quando o INSS entende que você deixou de contribuir por muito tempo.
Na Justiça, o juiz nomeia um perito independente. Muitos segurados que foram negados no INSS conseguem o benefício na via judicial porque o perito judicial faz uma análise mais completa. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhece que a incapacidade deve ser avaliada considerando a profissão e as condições reais do segurado.
Importante: não desanime com a primeira negativa. É muito comum o INSS negar em casos que depois são ganhos com facilidade. Guarde todos os laudos e o número do processo administrativo, pois eles são a base para recorrer.
Perguntas frequentes sobre CID M87 e benefícios do INSS
Necrose da cabeça do fêmur aposenta?
Pode aposentar, sim, mas depende da gravidade. Se a necrose for total e permanente, sem chance de recuperação, você tem direito à aposentadoria por incapacidade permanente pelo art. 42 da Lei 8.213/91. Isso é comum em casos de necrose bilateral com artrose severa grau IV. Se houver chance de melhora, o INSS costuma conceder primeiro o auxílio temporário e só depois avalia a conversão em aposentadoria. O importante é comprovar a limitação com laudos e exames detalhados.
Quanto tempo demora para o INSS liberar o auxílio?
Depende da agenda de perícias, mas o pedido costuma levar de algumas semanas a poucos meses. Após a perícia, o resultado sai em geral em até 30 dias. Se o benefício for concedido, você recebe os valores desde a data do requerimento. Por isso, dar entrada rápido é fundamental. Se a espera estiver muito longa e você estiver sem renda, um advogado pode pedir a análise urgente ou até uma ação judicial com liminar em casos graves.
Preciso ter feito a cirurgia de prótese para receber?
Não. Você não precisa esperar a cirurgia para pedir o benefício. Se a necrose já te impede de trabalhar, o direito ao auxílio existe desde já. Muitas vezes, o segurado fica meses na fila esperando a artroplastia de quadril, e é justamente nesse período que mais precisa da renda. Leve o laudo mostrando a indicação cirúrgica e a limitação atual. A cirurgia futura reforça a gravidade, mas não é condição para receber o benefício agora.
Fui demitido e tenho necrose no fêmur. Posso pedir benefício?
Depende da qualidade de segurado. Mesmo após a demissão, você mantém a proteção do INSS por um tempo (o chamado período de graça, que pode chegar a 12, 24 ou até 36 meses). Se a incapacidade surgiu dentro desse período, você tem direito ao benefício. Se já perdeu a qualidade de segurado e não tem contribuições, a saída pode ser o BPC/LOAS, desde que a renda familiar seja baixa. Vale sempre checar sua situação no extrato do CNIS.
O auxílio-doença pode ser cortado mesmo eu estando doente?
Sim, o auxílio temporário tem data para acabar (DCB). Se essa data chegar e você ainda estiver incapaz, precisa pedir a prorrogação nos 15 dias que antecedem o fim. Se não pedir, o benefício é cortado automaticamente. Muita gente perde o benefício por esquecer esse prazo. Caso o INSS negue a prorrogação mesmo com você incapaz, é possível recorrer ou entrar na Justiça. Guarde sempre laudos atualizados para provar que a incapacidade continua.
Garanta seu benefício por CID M87 sem perder prazos
Conviver com a necrose da cabeça do fêmur já é difícil. Ficar sem renda porque o INSS negou o pedido ou porque faltou um documento torna tudo pior. Mas você não precisa passar por isso sozinho. Com os laudos certos e o benefício adequado à sua situação, é totalmente possível garantir o auxílio-doença, a aposentadoria por incapacidade ou o BPC/LOAS.
Se o seu pedido foi negado ou se você tem dúvidas sobre qual benefício pedir, nossa equipe pode analisar seu caso e orientar o melhor caminho. Fale com a gente e proteja seus direitos.
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