Você está passando por uma separação ou já vive longe do pai ou da mãe do seu filho e não sabe como organizar a rotina da criança? A dúvida sobre a guarda de filhos é uma das mais comuns nos escritórios de advocacia em 2026. Muitas pessoas acreditam que a guarda serve apenas para decidir “na casa de quem o filho vai morar”, mas o conceito vai muito além disso. Na verdade, a guarda trata de quem tem a responsabilidade de tomar as decisões importantes sobre a vida da criança, como educação, saúde e lazer.
A resposta curta e direta para a maioria dos casos é: a regra no Brasil é a guarda compartilhada. Isso significa que, independentemente de com quem a criança mora, ambos os pais devem decidir juntos sobre o futuro do filho. A justiça entende que o bem-estar da criança está acima de qualquer briga entre os adultos. Se você está buscando entender como garantir os direitos do seu filho, quanto custa manter essa estrutura e quais os passos para oficializar tudo na justiça, este guia completo foi escrito para você.
Neste artigo, vamos explicar de forma simples, sem aquele “juridiquês” complicado, como funciona a guarda em 2026, os tipos existentes, o valor da pensão alimentícia relacionado à guarda e o que fazer se o outro genitor estiver dificultando a convivência. O objetivo é que você saia daqui com um mapa claro do que fazer para proteger quem você mais ama.
O que é a guarda de filhos e como ela funciona em 2026?
Para entender a guarda de filhos, você precisa separar dois conceitos: a responsabilidade pelas decisões e a residência física. Muita gente confunde guarda com “posse”, como se o filho pertencesse a um dos pais. Juridicamente, a guarda é um dever de cuidado e proteção estabelecido pelo Código Civil Brasileiro.
Em 2026, a justiça brasileira segue priorizando o que chamamos de “Melhor Interesse da Criança”. Isso significa que o juiz não vai olhar para o que é mais confortável para o pai ou para a mãe, mas sim para o que garante uma vida mais estável e saudável para o menor. A guarda define quem deve matricular na escola, quem autoriza uma viagem internacional, quem escolhe o plano de saúde e quem acompanha o desenvolvimento religioso e social da criança.
Dica importante: Ter a guarda não significa que você pode fazer o que quiser sem consultar o outro pai ou mãe. Mesmo na guarda unilateral (que explicaremos abaixo), o genitor que não tem a guarda tem o direito e o dever de supervisionar as decisões para garantir que o filho esteja sendo bem cuidado.
É importante lembrar que a guarda está diretamente ligada ao convívio familiar. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reforça que é direito da criança crescer em um ambiente que proporcione seu desenvolvimento completo. Se você está grávida ou acabou de ter um bebê, saiba que os direitos começam antes mesmo do nascimento, como explicamos em nosso artigo sobre Salário-Maternidade e direitos da gestante.
Quais são os tipos de guarda de filhos?
Existem basicamente três modelos principais de guarda no Brasil. É fundamental que você entenda a diferença entre eles para saber qual se aplica à sua realidade ou qual você deve pedir ao juiz.
Guarda Compartilhada
Esta é a regra geral desde a Lei 13.058/2014. Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de forma equilibrada entre pai e mãe. Atenção: isso não significa que a criança precisa morar 15 dias em cada casa (isso seria a guarda alternada, que os psicólogos muitas vezes desaconselham por tirar o referencial de “lar” da criança). Na compartilhada, define-se uma residência base, mas ambos os pais possuem direitos e deveres iguais nas decisões da vida do filho.
Guarda Unilateral
Nesse modelo, a guarda é atribuída a apenas um dos pais ou a alguém que o substitua. Ela é exceção e só acontece em dois casos: quando um dos pais declara que não deseja a guarda ou quando o juiz entende que um dos genitores não tem condições de exercer a guarda (por motivos de maus-tratos, abandono ou falta de higiene/segurança, por exemplo). Quem não tem a guarda mantém o direito de visitas e a obrigação de pagar pensão.
Guarda Alternada
Embora não esteja explicitamente detalhada como as outras no Código Civil, ela acontece na prática. A criança mora um período com um e um período com outro (ex: uma semana com cada). É um modelo que exige muita maturidade dos pais e uma logística impecável (morar perto, escolas próximas), para não prejudicar a rotina escolar e social do menor.
Exemplo prático: João e Maria se separaram. Eles optaram pela guarda compartilhada. A filha mora com Maria, mas João precisa ser consultado sobre qual escola a menina vai frequentar. Se João quiser levar a filha ao psicólogo, ele tem autonomia para sugerir e decidir junto com Maria. Se fosse unilateral para Maria, ela decidiria a escola sozinha, e João apenas “fiscalizaria”.
Qual o valor da pensão alimentícia na guarda compartilhada em 2026?
Um dos maiores mitos que ouvimos é: “Se a guarda é compartilhada, eu não preciso pagar pensão”. Isso é mentira! A pensão alimentícia serve para equilibrar os gastos com a criança de acordo com a renda de cada pai. Se um dos pais ganha muito mais que o outro, ele deve contribuir com um valor maior para que o filho mantenha o mesmo padrão de vida em ambas as casas.

Em 2026, com o salário mínimo projetado em R$ 1.582,00, os cálculos seguem a lógica da necessidade da criança versus a possibilidade de quem paga. Não existe uma porcentagem fixa de 30% na lei, mas é um parâmetro comum usado pelos juízes.
| Situação do Genitor | Renda Mensal (Exemplo) | Valor Estimado da Pensão (2026) |
|---|---|---|
| Assalariado (20% da renda) | R$ 3.000,00 | R$ 600,00 |
| Desempregado (30% do mín.) | R$ 0,00 | R$ 474,60 |
| Autônomo (base 2 salários) | R$ 3.164,00 | R$ 632,80 (ajustável) |
| Renda Alta (15% da renda) | R$ 10.000,00 | R$ 1.500,00 |
Lembrete: O valor da pensão pode ser revisto a qualquer momento se a situação financeira de quem paga mudar ou se as necessidades da criança aumentarem (como um tratamento médico inesperado). Se você está com dificuldades financeiras devido a juros abusivos, pode ser útil conhecer a Ação Revisional de Empréstimo para aliviar seu orçamento e garantir o sustento do seu filho.
Como funciona o processo de guarda passo a passo?
Se você decidiu que precisa oficializar a guarda, o caminho depende de haver acordo ou não entre as partes. O processo corre na Vara de Família do local onde a criança mora.
Passo 1: Reunião de Documentos
Você vai precisar de:
- Certidão de Nascimento do filho (item obrigatório);
- RG e CPF dos pais;
- Comprovante de residência (conta de luz ou água recente);
- Comprovante de renda (holerite, extrato MEI ou declaração de IR);
- Planilha de gastos da criança (escola, plano de saúde, alimentação, lazer).
Passo 2: Escolha do Procedimento
Se houver acordo (Consensual), um único advogado pode fazer o pedido para os dois. É muito mais rápido e menos traumático. O juiz apenas confere se os direitos da criança estão preservados e o Ministério Público dá o “ok”. Se houver briga (Litigioso), cada um terá seu advogado e o juiz decidirá após ouvir testemunhas e realizar estudos com psicólogos.
Passo 3: A Guarda Provisória
Importante: Logo no início do processo, o advogado pode pedir a “Tutela de Urgência” (Art. 300 do CPC). Isso serve para que o juiz defina uma guarda provisória em poucos dias, evitando que a criança fique em um “limbo” jurídico enquanto o processo principal demora meses.
Exemplo prático: Imagine que o pai levou a criança para passar o final de semana e se recusa a devolver para a mãe. A mãe pode entrar com uma ação com pedido de liminar (guarda provisória) para reaver a criança imediatamente, antes mesmo de ouvir o pai no processo.
O que é Alienação Parental e como ela afeta a guarda?
A alienação parental é um crime psicológico grave. Ela acontece quando um dos pais (ou avós) treina a criança para odiar o outro genitor, cria mentiras para dificultar o convívio ou omite informações escolares e médicas importantes. Em 2026, os juízes estão cada vez mais rigorosos com isso.
De acordo com a Lei 12.318/2010, se ficar provado que você está praticando alienação parental, as consequências podem ser:
- Multa diária;
- Alteração da guarda (você pode perder a guarda para o outro);
- Determinação de acompanhamento psicológico obrigatório;
- Suspensão da autoridade parental.
Cuidado: Nunca use seu filho como “moeda de troca” ou mensageiro de brigas. Além de ser ilegal, isso causa danos emocionais irreversíveis na criança. Se o outro genitor não paga pensão, você não pode proibir as visitas. A falta de pagamento de pensão deve ser resolvida com uma ação de execução, e não impedindo o convívio familiar.
Guarda de fato vs. Guarda de direito: Qual a diferença?
Muitas famílias vivem na “guarda de fato”. Isso acontece quando os pais se separam e combinam tudo “de boca”. A criança mora com a mãe, o pai visita quando quer e paga um valor que eles acham justo. O problema é que isso não tem validade jurídica.
Se amanhã o pai decidir parar de pagar ou a mãe decidir mudar de cidade sem avisar, nenhum dos dois tem proteção legal imediata. A guarda de direito é aquela oficializada pelo juiz e registrada em papel. Em 2026, recomendamos fortemente que toda guarda de fato seja oficializada para evitar surpresas desagradáveis.
Na prática: Sem o papel da guarda oficial, você pode ter dificuldades para matricular o filho em certas escolas, solicitar passaporte ou até mesmo incluir a criança como dependente em planos de saúde. Se você tiver problemas com o plano de saúde do seu filho, veja como proceder em casos de negativas de cobertura.
Tabela Comparativa: Guarda Compartilhada vs. Guarda Unilateral
| Característica | Guarda Compartilhada | Guarda Unilateral |
|---|---|---|
| Tomada de Decisões | Conjunta (Ambos os pais) | Apenas o guardião |
| Residência da Criança | Uma base principal definida | Com o guardião |
| Pensão Alimentícia | Obrigatória (ajuste de renda) | Obrigatória para quem não tem a guarda |
| Direito de Visitas | Livre ou regulamentado | Regulamentado pelo juiz |
| Fiscalização | Ambos fiscalizam tudo | Não guardião fiscaliza o guardião |
O que mudou na lei de guarda em 2026?
Embora a base da lei continue sendo o Código Civil, a jurisprudência (forma como os juízes decidem) evoluiu. Em 2026, há um foco muito maior em provas digitais. Conversas de WhatsApp, áudios e postagens em redes sociais são aceitos como provas de alienação parental ou de condições financeiras para pagar pensão.

Além disso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem reforçado que o desentendimento entre os pais não é mais desculpa para impedir a guarda compartilhada. Antigamente, se os pais brigavam muito, o juiz dava a unilateral. Hoje, entende-se que eles devem aprender a conviver pelo bem do filho, forçando o compartilhamento da guarda como forma de obrigar o diálogo.
Outro ponto relevante em 2026 é a agilidade dos processos digitais. Audiências de conciliação por vídeo chamadas tornaram-se o padrão, facilitando a vida de quem mora em cidades diferentes.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quem pede demissão pode parar de pagar a pensão?
Não. O dever de sustento do filho permanece. Se você pediu demissão ou foi demitido, o valor da pensão continua valendo até que você entre com uma “Ação Revisional de Alimentos” pedindo para baixar o valor. Se você simplesmente parar de pagar, pode ser preso em até 30 dias após o atraso. Entenda mais sobre direitos na demissão para planejar seu orçamento.
A partir de qual idade o filho pode escolher com quem morar?
Não existe uma idade “mágica” na lei, mas o juiz costuma ouvir a criança a partir dos 12 anos (adolescência). No entanto, o desejo do filho não é soberano. Se o adolescente quiser morar com o pai porque lá “não tem regras”, mas o juiz entender que a mãe oferece melhor estrutura educacional, a vontade do jovem pode ser negada em favor do seu bem-estar.
O pai/mãe pode levar o filho para morar em outro estado?
Somente com autorização do outro genitor ou do juiz. Mudar de cidade ou estado sem aviso prévio e sem autorização pode ser considerado alienação parental ou até subtração de incapaz. Se a mudança prejudicar o direito de visitas do outro, o juiz pode inclusive inverter a guarda.
Avós podem pedir a guarda dos netos?
Sim, em casos excepcionais onde os pais não possuem condições de cuidar da criança (drogadição, abandono, falecimento ou prisão). Os avós também possuem direito de visitas garantido por lei. Se você é avô/avó e está sendo impedido de ver seus netos, pode entrar com uma ação de regulamentação de visitas.
O que acontece se um dos pais não cumprir os dias de visita?
O descumprimento injustificado do regime de convivência gera multas pesadas. Se o pai deveria buscar a criança na sexta e não aparece sistematicamente, a mãe pode pedir uma indenização por abandono afetivo ou aplicação de multa. O contrário também vale: se a mãe impede o pai de buscar, ela pode sofrer as mesmas sanções.
Como Garantir seus Direitos sobre Guarda de Filhos em 2026
Resolver a situação da guarda dos seus filhos não é apenas uma questão de assinar papéis; é garantir que eles cresçam com segurança jurídica e emocional. Em 2026, com a justiça cada vez mais rápida e digital, não há motivos para deixar a situação do seu filho na informalidade. Lembre-se que o diálogo é sempre o melhor caminho, mas quando ele falha, a lei está aí para proteger os mais vulneráveis.
Se você percebe que o convívio está se tornando tóxico ou que os direitos básicos do seu filho (como alimentação e educação) não estão sendo cumpridos, procure orientação profissional. Documente tudo, guarde comprovantes e, acima de tudo, mantenha a calma. Conflitos de família são desgastantes, mas ter uma decisão judicial clara em mãos traz a paz que você e seus filhos precisam para seguir em frente.
Ainda tem dúvidas sobre como proceder no seu caso específico? Nossa equipe está preparada para ouvir você e encontrar a melhor solução para sua família.
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