Imfinzi Plano de Saúde Negou? Veja Como Recorrer

Conteúdo revisado por Amanda Ribeiro Cavalcante, advogada — OAB/CE 51.361, em 05/07/2026
Caixa do medicamento IMFINZI (DURVALUMABE) em embalagem farmacêutica brasileira conforme RDC 768/2022 da ANVISA
Breve resumo

A negativa de cobertura do Imfinzi pelo plano de saúde é passível de recurso, pois o STJ entende que tratamentos prescritos por médico são obrigatórios mesmo fora do rol da ANS. Você pode recorrer internamente ao plano ou entrar com ação judicial buscando liminar para liberar o medicamento imediatamente.

Essa situação, infelizmente, é mais comum do que se imagina no Brasil em 2026. Os planos de saúde frequentemente negam a cobertura do Imfinzi ou de outros medicamentos oncológicos de alto custo, alegando que o tratamento seria “experimental”, “off-label” ou “fora do rol de procedimentos da ANS”. Mas o que muitos pacientes não sabem é que essa negativa nem sempre é legítima. Existem caminhos legais e direitos que podem garantir o acesso ao medicamento prescrito pelo seu médico, preservando a continuidade do tratamento e o seu direito à saúde.

Entender os motivos por trás da negativa, conhecer seus direitos e saber como agir são passos cruciais para reverter essa situação. Este artigo foi feito para você, que busca respostas e apoio para garantir que o plano de saúde cumpra com suas obrigações. Vamos detalhar cada etapa, desde a compreensão da negativa até a possibilidade de acionar a Justiça para assegurar o seu tratamento com Imfinzi.

Plano de Saúde Negou a Cobertura do Imfinzi: Por Que Isso Acontece?

A negativa da cobertura do Imfinzi pelo plano de saúde geralmente se baseia em argumentos como “tratamento experimental”, “uso off-label” ou a ausência do medicamento no Rol de Procedimentos da ANS, mas estas justificativas muitas vezes não se sustentam legalmente, especialmente se há indicação médica expressa e a aprovação pela ANVISA.

Quando você recebe a indicação médica para o uso de Imfinzi (Durvalumabe), que é um medicamento de imunoterapia fundamental para o tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo o mesotelioma de pleura, a expectativa é de que o plano de saúde autorize o procedimento sem grandes dificuldades. Contudo, a realidade pode ser bem diferente. Os planos de saúde, muitas vezes, utilizam justificativas padronizadas para negar a cobertura, visando principalmente a redução de custos.

  • Alegação de “Tratamento Experimental”: Esta é uma das justificativas mais frequentes. No entanto, o Imfinzi é um medicamento aprovado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil e já tem eficácia comprovada para diversas indicações. A alegação de “experimental” é, na maioria das vezes, indevida quando o medicamento já possui registro e é amplamente utilizado na comunidade médica para o tratamento oncológico.
  • Uso “Off-label”: “Off-label” significa que o medicamento está sendo usado para uma condição ou de uma maneira que não está explicitamente descrita na bula aprovada pela ANVISA. Por exemplo, se o Imfinzi foi aprovado para um tipo específico de câncer de pulmão, mas seu médico o prescreve para um tipo diferente de câncer, como o mesotelioma de pleura, baseado em evidências científicas e estudos clínicos, o plano pode negar alegando uso “off-label”. No entanto, a medicina evolui rapidamente, e a experiência e o conhecimento do médico especialista são cruciais para definir o melhor tratamento. Tribunais brasileiros têm entendido que, com indicação médica expressa e embasada, o uso “off-label” não pode ser motivo para negativa.
  • Medicamento de “Alto Custo”: O Imfinzi, como muitos medicamentos oncológicos modernos, tem um custo elevado. Este é um motivo financeiro implícito, embora raramente declarado abertamente pelos planos de saúde. A operadora busca evitar a despesa, repassando o ônus para o paciente.
  • “Fora do Rol de Procedimentos da ANS”: A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publica uma lista de procedimentos e medicamentos de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, o chamado Rol da ANS. Se o Imfinzi, para a sua condição específica, não estiver expressamente listado no rol para aquele cenário, o plano pode usar isso como argumento. Contudo, essa justificativa também tem sido flexibilizada pela Justiça, como veremos a seguir.

Importante: É crucial que, diante de qualquer negativa, você solicite a justificativa por escrito e de forma clara. Segundo a Resolução Normativa 566/2022 da ANS, a operadora deve informar o motivo da negativa de forma detalhada, inclusive com os dados técnicos do contrato. Este documento será fundamental para os próximos passos.

O Medicamento Imfinzi É de Cobertura Obrigatória Pelo Plano de Saúde no Brasil?

Sim, o Imfinzi (Durvalumabe) é considerado de cobertura obrigatória pelos planos de saúde quando há expressa indicação médica e registro na ANVISA, mesmo que não esteja explicitamente no Rol da ANS para a condição específica, conforme o entendimento majoritário dos tribunais brasileiros em 2026, amparado pela Lei 9.656/98 e a Súmula 102 do TJSP.

A questão da cobertura obrigatória de medicamentos de alto custo, especialmente os oncológicos como o Imfinzi, é complexa e tem sido amplamente debatida na Justiça brasileira. A Lei 9.656/98, conhecida como Lei dos Planos de Saúde, estabelece as regras gerais para a atuação das operadoras. Ela prevê a cobertura de doenças listadas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID), e o câncer está incluído nessa lista.

A Importância do Rol da ANS e a Posição do STJ

Por muito tempo, a interpretação do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS gerou controvérsia. Havia um debate sobre se este rol seria “taxativo” (ou seja, apenas o que está na lista é de cobertura obrigatória) ou “exemplificativo” (a lista serve como exemplo, mas outros procedimentos necessários também devem ser cobertos).

Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou parte dessa discussão, adotando a tese do “rol exemplificativo mitigado”. Isso significa que, em regra, o rol é taxativo, mas existem exceções que permitem a cobertura de tratamentos não listados, desde que preenchidos certos requisitos, como:

  • Não haver substituto terapêutico no rol da ANS para a doença;
  • A inclusão do tratamento foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC);
  • Existência de comprovada eficácia do tratamento;
  • Aprovação pela ANVISA.

No caso do Imfinzi, que é um medicamento com registro na ANVISA e comprovada eficácia para o tratamento de diversos tipos de câncer, a negativa baseada unicamente na ausência no rol para uma indicação específica (o uso “off-label” com respaldo científico) é frequentemente derrubada pela Justiça.

A Súmula 102 do TJSP: Um Aliado do Paciente

Importante: Para os pacientes de São Paulo, a Súmula 102 do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) é um dos maiores aliados. Ela afirma: “Havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da ANS.”

Esta súmula é um reconhecimento claro de que a indicação médica é soberana e que o plano de saúde não pode interferir no tratamento. Se o médico especialista prescreveu o Imfinzi para o seu caso de câncer (como o mesotelioma de pleura) com base em relatórios detalhados e evidências científicas, o plano deve cobrir o medicamento, independentemente de ele estar ou não no Rol da ANS para aquela indicação específica, ou se é considerado “experimental” ou “off-label” pela operadora.

A negativa, nesse contexto, pode ser considerada abusiva e contrária ao Código de Defesa do Consumidor, que visa proteger a parte mais vulnerável da relação, o paciente. O direito à vida e à saúde prevalece sobre interesses econômicos dos planos.

Dica: Sempre que seu médico prescrever um medicamento, peça um relatório médico detalhado, explicando a necessidade, a gravidade da doença, os riscos da não utilização do medicamento e por que o Imfinzi é a melhor opção para o seu caso. Este documento será sua principal prova.

Como Reverter a Negativa de Cobertura do Imfinzi: Passo a Passo Prático

Para recorrer da negativa do plano de saúde na cobertura do Imfinzi, você deve solicitar a recusa por escrito e, em seguida, registrar reclamações formais junto à ouvidoria da operadora, na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e no Procon, garantindo um registro oficial de todos os seus esforços administrativos.

Diante da negativa de cobertura do medicamento Imfinzi, é fundamental agir de forma organizada e estratégica. Seus passos iniciais podem ser decisivos para reverter a situação, seja pela via administrativa ou preparando o terreno para uma possível ação judicial.

  • 1. Solicite a Negativa por Escrito: Este é o primeiro e mais importante passo. O plano de saúde tem a obrigação de fornecer a negativa por escrito, com a justificativa clara e objetiva. Esta solicitação deve ser feita assim que você for informado da recusa. Guarde o protocolo da ligação ou e-mail. Este documento é a prova formal da recusa.
  • 2. Reclame na Ouvidoria do Plano de Saúde: Todo plano de saúde possui um serviço de ouvidoria, que é a última instância para resolução de conflitos internos. Registre sua reclamação, explicando a situação, o medicamento negado e anexe o relatório médico e a negativa por escrito. Anote o número do protocolo e o prazo de resposta, que geralmente é de até 7 dias úteis, conforme as regras da ANS para ouvidorias.
  • 3. Acione a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): A ANS é o órgão regulador dos planos de saúde no Brasil. Se a ouvidoria do plano não resolver seu problema, ou se o prazo de resposta for excedido, você deve registrar uma reclamação formal na ANS.

Canais de Reclamação da ANS:

  • Plataforma Consumidor.gov.br : É a forma mais recomendada. Você faz sua reclamação online, e o plano de saúde tem um prazo para responder e tentar resolver. É uma plataforma pública e monitorada.
  • Disque ANS (0800 701 9656): Para atendimento telefônico e registro de reclamações.
  • Site da ANS: Através da área do consumidor.

A ANS pode intermediar a situação e, em muitos casos, pressiona o plano a cumprir a cobertura. O prazo máximo para autorização de cirurgia e outros procedimentos pelo plano é de 21 dias úteis, conforme a Resolução Normativa 566/2022 da ANS. Embora a RN trate de autorização de procedimentos, serve como balizador para a agilidade esperada nas respostas.

  • 4. Registre uma Reclamação no Procon: O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) também pode ajudar, pois a relação entre você e o plano de saúde é uma relação de consumo. O Procon atua na defesa dos direitos do consumidor e pode notificar o plano para que cumpra suas obrigações.
  • 5. Consulte um Advogado Especialista em Direito da Saúde: Mesmo que você esteja tentando as vias administrativas, procurar um advogado especializado é crucial. Ele poderá analisar seu caso, verificar a legalidade da negativa e orientar sobre os próximos passos. Em muitos casos de negativa de Imfinzi, a via judicial é a mais eficaz e rápida para garantir o tratamento.

Cuidado: Não perca tempo esperando demais. Em casos de câncer, a agilidade é fundamental. Cada dia sem o tratamento adequado pode comprometer sua saúde.

Etapa de Recurso Prazo Típico para Resposta Documentos Essenciais
Solicitar negativa por escrito Imediato / Até 48h Protocolo da solicitação
Ouvidoria do Plano de Saúde Até 7 dias úteis Negativa por escrito, relatório médico, protocolos de contato
ANS (Consumidor.gov.br ) Depende do caso (monitoramento) Negativa por escrito, relatório médico, protocolos da ouvidoria
Procon Variável, conforme órgão Negativa por escrito, relatório médico, comprovantes

Ação Judicial para Garantir a Cobertura do Imfinzi Negado

Quando todas as tentativas administrativas para obter a cobertura do Imfinzi falham, a ação judicial é o recurso mais eficaz, permitindo que, por meio de uma tutela de urgência (liminar), o paciente obtenha o medicamento em poucos dias, evitando a progressão da doença.

A ação judicial é, muitas vezes, a solução mais rápida e definitiva para garantir o acesso ao Imfinzi, especialmente em casos de câncer onde a urgência do tratamento é inquestionável. Entrar com um processo contra o plano de saúde pode parecer intimidante, mas é um direito seu e uma ferramenta poderosa para proteger sua saúde e sua vida.

Como Funciona a Ação Judicial?

  • Contratação de Advogado Especializado: O primeiro passo é buscar um advogado com experiência em Direito da Saúde. Este profissional saberá exatamente quais documentos reunir, como argumentar seu caso e qual o melhor caminho processual.
  • Pedido de Tutela de Urgência (Liminar): Este é o ponto mais crucial para pacientes com câncer. Dada a gravidade da doença e a necessidade de início imediato do tratamento com Imfinzi (como no caso de mesotelioma de pleura, que exige tratamento urgente por tempo indeterminado), o advogado pode solicitar ao juiz uma “tutela de urgência” ou “liminar”.

A liminar é uma decisão provisória, tomada pelo juiz em caráter de emergência, que obriga o plano de saúde a fornecer o medicamento imediatamente, mesmo antes do julgamento final do processo. Em casos de câncer, as liminares podem ser concedidas em poucos dias, geralmente entre 24 e 72 horas, devido à urgência e ao risco de dano irreparável à saúde do paciente.

  • Processo Principal: Após a concessão da liminar (ou se o juiz entender que não há urgência, o que é raro em casos de câncer), o processo continua. O plano de saúde será citado para apresentar sua defesa, e haverá a fase de produção de provas. Ao final, o juiz proferirá uma sentença definitiva sobre o caso.

Documentos Essenciais para a Ação Judicial

A preparação de documentos é vital para o sucesso da sua ação. Tenha em mãos:

  • Laudo Médico Detalhado: É o documento mais importante. Deve ser recente, assinado pelo médico especialista, com o Código Internacional da Doença (CID) do seu câncer (ex: mesotelioma de pleura), a justificativa para o uso do Imfinzi, a comprovação da sua eficácia, os riscos da não utilização e a urgência do tratamento.
  • Receita Médica: A prescrição do Imfinzi, com a dosagem e tempo de uso.
  • Negativa do Plano de Saúde por Escrito: O documento formal da recusa, com a justificativa da operadora.
  • Comprovante de Residência.
  • Documentos Pessoais: RG, CPF.
  • Carteirinha do Plano de Saúde e Contrato do Plano: Se possível, todas as páginas do contrato.
  • Comprovantes de Pagamento das Mensalidades: Para demonstrar que o plano está ativo e em dia.
  • Exames e Relatórios Anteriores: Que comprovem seu diagnóstico e a evolução da doença.
  • Comprovante de Renda: Essencial para solicitar a gratuidade de justiça, caso você não tenha condições de arcar com as custas do processo sem prejuízo do seu sustento ou de sua família (por exemplo, se sua renda for próxima ou abaixo do salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026).

Exemplo prático: Imagine que você recebe um salário de R$ 3.000,00 e o Imfinzi custa mais de R$ 10.000,00 por dose. Claramente, arcar com esse tratamento comprometeria sua subsistência. O comprovante de renda, juntamente com a declaração de hipossuficiência, pode garantir a isenção de custas processuais.

Gratuidade de Justiça

Se você não tem condições financeiras de arcar com as custas processuais e os honorários advocatícios sem prejudicar seu sustento, pode solicitar a gratuidade de justiça. O advogado fará essa solicitação ao juiz, que, se aprovada, isentará você do pagamento dessas despesas.

Decisões Favoráveis: A Jurisprudência Ajuda na Cobertura do Imfinzi Negado

A jurisprudência brasileira é amplamente favorável ao paciente em casos de negativa de medicamentos como o Imfinzi, com tribunais como o TJSP e o STJ reiterando a abusividade da recusa quando há expressa indicação médica, como na Súmula 102 do TJSP.

Você não está sozinho nessa luta. O Poder Judiciário brasileiro, em diversas instâncias, tem se posicionado de forma consistente a favor dos pacientes, obrigando os planos de saúde a cobrir medicamentos de alto custo para tratamento oncológico, mesmo quando há alegações de “tratamento experimental”, “off-label” ou “fora do rol da ANS”.

Súmulas e Entendimentos dos Tribunais

  • Súmula 102 do TJSP: Conforme mencionado, esta súmula é uma das mais importantes e aplicadas em São Paulo. Ela deixa claro que “Havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da ANS.” Isso significa que a decisão do seu médico, respaldada por evidências, tem um peso legal muito grande.
  • Posicionamento do STJ: O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem consolidado o entendimento de que a recusa do plano de saúde em custear tratamento de câncer, mesmo que a terapia não esteja prevista no rol da ANS ou seja “off-label”, é abusiva, desde que haja indicação médica justificada e o medicamento seja registrado pela ANVISA. A interpretação do rol como “exemplificativo mitigado” (que permite exceções) tem sido crucial para essas decisões. Por exemplo, em recentes decisões de 2026, a 1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, seguindo o STJ, obrigou um plano de saúde a fornecer o medicamento Ivosidenibe para câncer hepático raro, reforçando que o plano deve cobrir o tratamento mais apropriado e eficaz.
  • Direito à Vida e à Saúde: Os tribunais sempre colocam o direito fundamental à vida e à saúde, previsto na Constituição Federal, acima dos interesses econômicos das operadoras. A recusa ao Imfinzi pode gerar consequências graves e irreversíveis ao paciente, sobretudo em casos de câncer em estágio avançado, o que reforça a urgência e a importância da intervenção judicial.

Na prática, o que observamos em nosso escritório é que a apresentação de um bom laudo médico, somada à negativa por escrito do plano e à demonstração da urgência, cria um cenário muito favorável para o paciente na Justiça. Os juízes entendem a complexidade das doenças oncológicas e a necessidade de acesso aos melhores tratamentos disponíveis, como o Imfinzi (Durvalumabe), sem que o plano de saúde possa arbitrar sobre a escolha terapêutica do médico.

Dica importante: Pesquisar por decisões judiciais favoráveis em casos semelhantes ao seu pode te dar mais confiança e argumentos. Seu advogado especialista certamente fará essa pesquisa para embasar seu pedido. Para mais informações sobre jurisprudência, você pode consultar o site do Superior Tribunal de Justiça.

Perguntas Frequentes Sobre a Negativa do Imfinzi Pelo Plano de Saúde

O que é o Imfinzi (Durvalumabe) e para que serve?

O Imfinzi, cujo princípio ativo é o Durvalumabe, é um medicamento de imunoterapia utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo o câncer de pulmão de pequenas células, mesotelioma de pleura e câncer de bexiga. Ele age estimulando o sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células cancerígenas, sendo uma ferramenta valiosa na oncologia moderna para prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida.

Meu plano de saúde negou o Imfinzi alegando que é “experimental”. O que significa isso?

Quando o plano alega “experimental”, geralmente tenta evitar a cobertura. Contudo, o Imfinzi é um medicamento registrado pela ANVISA no Brasil e amplamente utilizado na prática clínica com comprovada eficácia. A justificativa de “experimental” é, na maioria dos casos, indevida e pode ser contestada judicialmente, especialmente com um relatório médico detalhado atestando a necessidade e eficácia para o seu quadro específico.

Se o Imfinzi for “off-label”, o plano pode negar a cobertura?

Não necessariamente. “Off-label” significa que o medicamento está sendo usado para uma indicação que não consta na bula, mas com base em evidências científicas e a critério do médico especialista. A jurisprudência brasileira, incluindo a Súmula 102 do TJSP, entende que, havendo expressa indicação médica e relatórios que comprovem a eficácia e a necessidade, a negativa por uso “off-label” é abusiva.

Qual o prazo para o plano de saúde responder à minha solicitação de cobertura?

Para procedimentos complexos, como o fornecimento de medicamentos oncológicos, a ANS estabelece prazos máximos para a resposta do plano. Conforme a Resolução Normativa 566/2022 da ANS, a operadora tem até 21 dias úteis para autorizar o procedimento. Se a resposta for uma negativa, ela deve ser fornecida por escrito e de forma clara em até 48 horas da decisão.

Quanto tempo leva para conseguir uma liminar na Justiça para o Imfinzi?

Em casos de extrema urgência, como o tratamento de câncer com Imfinzi, a liminar (tutela de urgência) pode ser analisada e concedida pelo juiz em um curto espaço de tempo, geralmente entre 24 e 72 horas após o ajuizamento da ação. Essa decisão provisória obriga o plano de saúde a fornecer o medicamento imediatamente, garantindo que o tratamento não seja interrompido ou atrasado.

Preciso pagar um advogado para entrar com a ação judicial contra o plano de saúde?

Sim, a representação por advogado é obrigatória em ações judiciais. No entanto, se você não tiver condições financeiras de arcar com os custos do processo e os honorários sem prejuízo do seu sustento ou da sua família (por exemplo, se sua renda for próxima ao salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026), seu advogado pode solicitar a gratuidade de justiça. Se concedida pelo juiz, você estará isento do pagamento das custas processuais.

Posso pedir ressarcimento se eu já paguei pelo Imfinzi após a negativa?

Sim, é possível solicitar o ressarcimento dos valores que você gastou com o Imfinzi, caso tenha adquirido o medicamento por conta própria após a negativa indevida do plano de saúde. Esse pedido pode ser feito dentro da própria ação judicial, e o plano, se condenado, terá que reembolsar os valores, geralmente com correção monetária e juros de mora de 1% ao mês, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Não Enfrente a Burocracia Sozinho: Garanta Seu Direito à Saúde

Receber a negativa de um tratamento tão importante como o Imfinzi, em um momento tão delicado de sua vida, é um fardo pesado. Você não precisa e nem deve enfrentar essa batalha sozinho. A legislação brasileira e a jurisprudência estão ao seu lado, protegendo o seu direito fundamental à saúde e à vida. Buscar orientação jurídica especializada é o passo mais eficaz para reverter a negativa do plano de saúde e garantir que você tenha acesso ao tratamento que seu médico indicou.

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