Você foi ao supermercado e percebeu que o preço do arroz mudou de novo. Passou na farmácia e o remédio que você compra todo mês está mais caro. Pagou a conta de luz e veio um valor diferente do esperado. E agora você ouve falar em “Reforma Tributária”, “extinção de 5 impostos”, “IBS” e “CBS” — mas o que isso significa de verdade para o seu bolso?
A resposta direta é: a partir de 2026, o Brasil começou a maior transformação no sistema de impostos dos últimos 30 anos. Cinco tributos que você nunca viu (mas sempre pagou escondidos no preço dos produtos) estão sendo substituídos por apenas dois novos impostos: o IBS e a CBS.
Neste artigo, você vai entender exatamente como essa mudança afeta o preço da sua comida, da sua roupa, dos seus remédios e de todos os serviços que você contrata. Vou explicar de forma simples, com exemplos práticos em reais, para que você saiba o que esperar nos próximos anos.
Importante: A Reforma Tributária foi aprovada pela Emenda Constitucional 132/2023 e está sendo implementada gradualmente. Em 2026, estamos na fase inicial de testes, mas as mudanças completas só acontecem até 2033.
Quais são os 5 impostos que vão acabar e quando isso acontece?
Você nunca viu esses impostos separados na nota fiscal, mas eles estão embutidos no preço de tudo que você compra. São cinco tributos que empresas pagam e repassam para você:
- PIS (Programa de Integração Social) — imposto federal sobre o faturamento das empresas
- COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) — outro imposto federal sobre faturamento
- ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) — imposto estadual que varia de 7% a 20% dependendo do estado
- ISS (Imposto sobre Serviços) — imposto municipal que varia de 2% a 5%
- IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) — imposto federal sobre produtos da indústria
O calendário de extinção funciona assim:
- 2026: Fase de teste — começa a cobrança de 1% (0,9% CBS + 0,1% IBS) junto com os impostos antigos
- 2027: PIS e COFINS são extintos — a CBS entra com alíquota cheia (estimada em 8,8%)
- 2027-2032: Transição gradual — ICMS e ISS vão sendo reduzidos enquanto o IBS aumenta proporcionalmente
- 2033: Sistema completo — apenas IBS e CBS existem, os cinco impostos antigos desaparecem totalmente
Exemplo prático: Imagine uma camisa que custa R$ 100,00 hoje. Desse valor, cerca de R$ 35,00 a R$ 40,00 são impostos embutidos (PIS, COFINS, ICMS, IPI). A partir de 2027, esses impostos serão substituídos pela CBS e IBS, mas a promessa é que a carga total não aumente — apenas fique mais transparente.
A legislação completa está na Emenda Constitucional 132/2023, que alterou diversos artigos da Constituição Federal para permitir essa unificação tributária.
O que são IBS e CBS e como eles funcionam na prática?
Os novos impostos têm nomes complicados, mas o funcionamento é mais simples do que o sistema atual. Vamos entender cada um:
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): É o imposto federal que substitui PIS, COFINS e IPI. A alíquota estimada é de 8,8% sobre o valor de produtos e serviços. O dinheiro vai para a União (governo federal).
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): É o imposto compartilhado entre estados e municípios que substitui ICMS e ISS. A alíquota ainda não está definida, mas estimativas apontam para cerca de 18% a 20%. O dinheiro é dividido entre o estado e a cidade onde você mora.
A grande diferença é que esses impostos seguem o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), usado em mais de 170 países. Na prática, isso significa:
- A alíquota é a mesma para todo o Brasil (acabou a guerra fiscal entre estados)
- O imposto é cobrado no destino (onde você compra), não na origem (onde foi fabricado)
- Empresas podem compensar o imposto pago nas compras com o imposto devido nas vendas
- O valor do imposto aparece destacado na nota fiscal (você vê quanto está pagando)
Dica prática: A partir de 2027, todas as notas fiscais devem mostrar claramente quanto você está pagando de IBS e CBS. Isso vai ajudar você a comparar preços de forma mais justa e entender o peso dos impostos no seu orçamento.
O sistema de IVA é regulamentado pela Lei Complementar 214/2025, que detalha como será feita a cobrança, fiscalização e distribuição dos valores arrecadados. Você pode consultar a lei completa no portal do Planalto.
Como a Reforma Tributária afeta o preço dos alimentos no supermercado?
Esta é a pergunta que mais preocupa as famílias brasileiras. A boa notícia é que a Reforma criou um sistema de alíquotas reduzidas e isenções para produtos essenciais da cesta básica.
Veja como funciona:
Cesta básica nacional (alíquota ZERO): Uma lista de produtos essenciais terá isenção total de IBS e CBS. Isso inclui:
- Arroz, feijão, macarrão, pão comum
- Carnes (bovina, suína, frango)
- Leite, manteiga, margarina, óleo de soja
- Açúcar, café, farinha de trigo e de mandioca
- Ovos, frutas, verduras e legumes in natura
Alíquota reduzida em 60%: Outros produtos alimentícios terão desconto de 60% na alíquota padrão. Exemplos:
- Massas alimentícias
- Produtos de panificação não incluídos na cesta básica
- Queijos tipo mozarela, minas, prato
- Mel, cereais, farinhas
- Sucos naturais
Exemplo prático: Hoje, quando você compra um pacote de arroz de R$ 20,00, cerca de R$ 6,00 a R$ 7,00 são impostos embutidos. Com a Reforma completa em 2033, esse mesmo arroz terá alíquota zero de IBS e CBS. O preço pode cair para R$ 13,00 a R$ 14,00 (dependendo de outros fatores como frete e margem do varejista).
Mas atenção: produtos industrializados e ultraprocessados (refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados) não têm desconto. Eles pagarão a alíquota cheia de IBS + CBS, o que pode torná-los proporcionalmente mais caros em relação aos alimentos in natura.
Importante: A lista completa da cesta básica nacional ainda está sendo definida pelo Comitê Gestor do IBS. A previsão é que seja publicada até o final de 2026 para valer a partir de 2027.
Para pequenos produtores rurais, há uma proteção adicional: quem fatura até R$ 3,6 milhões por ano fica isento de IBS e CBS. Isso protege a agricultura familiar e pode ajudar a manter preços baixos em feiras livres e mercados locais.
Medicamentos e planos de saúde vão ficar mais baratos ou mais caros?
A área da saúde teve tratamento especial na Reforma Tributária. Vamos dividir por categoria:

Medicamentos de uso contínuo e genéricos: Terão alíquota reduzida em 60%. Isso inclui remédios para diabetes, hipertensão, colesterol, depressão e outras doenças crônicas. A lista será definida pela ANVISA.
Dispositivos médicos e de acessibilidade: Cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, fraldas geriátricas, absorventes higiênicos — todos terão alíquota zero de IBS e CBS.
Serviços de saúde e educação: Aqui está a mudança mais significativa. Hospitais, clínicas, laboratórios e planos de saúde terão alíquota reduzida em 60%. Mas isso não significa necessariamente que os preços vão cair.
Exemplo prático: Um plano de saúde que custa R$ 500,00 por mês hoje tem cerca de R$ 20,00 a R$ 25,00 de PIS e COFINS embutidos. Com a CBS (alíquota reduzida de 60%), o imposto seria de aproximadamente R$ 15,00 a R$ 18,00. A diferença é pequena e pode não aparecer no bolso do consumidor, pois outros custos (como reajuste de sinistralidade) continuam subindo.
Cuidado: A Reforma Tributária NÃO altera as regras de cobertura obrigatória dos planos de saúde. Os prazos para autorização de cirurgias, carências e rol de procedimentos continuam regulados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) através da RN 566/2022. Se você tiver problemas com negativa de cobertura, pode gerar direito a indenização por dano moral.
Para mais informações sobre prazos e direitos em planos de saúde, consulte a Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Roupas, eletrônicos e eletrodomésticos: o que muda no preço?
Produtos manufaturados e importados são os que mais sofrem com a complexidade do sistema tributário atual. A Reforma promete simplificar, mas os efeitos no preço dependem de vários fatores.
Produtos nacionais: A tendência é de estabilidade ou leve redução de preços. Hoje, uma empresa que fabrica geladeiras no Brasil paga PIS, COFINS, IPI e ICMS em cascata (um imposto sobre o outro). Com IBS e CBS, a tributação fica mais limpa e previsível.
Produtos importados: Continuarão pagando Imposto de Importação (que não foi alterado pela Reforma) mais IBS e CBS. A vantagem é que o cálculo fica mais transparente. Hoje, muitos consumidores reclamam de taxas surpresa na alfândega — isso deve diminuir.
Exemplo prático: Você compra um celular de R$ 2.000,00 em uma loja física. Hoje, cerca de R$ 700,00 a R$ 800,00 desse valor são impostos (ICMS, PIS, COFINS, IPI). Com a Reforma completa, o valor de IBS + CBS será semelhante, mas aparecerá destacado na nota fiscal. Você saberá exatamente que está pagando, por exemplo, R$ 360,00 de CBS e R$ 400,00 de IBS.
Para compras online, a regra de direito de arrependimento em 7 dias continua valendo normalmente, conforme o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. A Reforma Tributária não altera os direitos do consumidor.
Dica de ouro: Guarde sempre a nota fiscal dos produtos que você compra. A partir de 2027, ela mostrará claramente o valor de IBS e CBS. Se houver erro na cobrança, você pode contestar junto à loja ou ao Procon. A loja continua obrigada a trocar produtos com defeito nos prazos do CDC.
Serviços de telefonia, internet e streaming ficam mais baratos?
Serviços de telecomunicações e digitais são grandes pagadores de impostos hoje. A Reforma muda significativamente a tributação nesse setor.
Telefonia e internet residencial: Atualmente pagam ISS (municipal, cerca de 5%) + PIS + COFINS (cerca de 9,25%). Com a Reforma, pagarão CBS + IBS com alíquota padrão (estimada em 26,5% a 28% no total).
Isso significa que o preço pode subir? Não necessariamente. Hoje, muitos municípios cobram ISS sobre o valor bruto, sem permitir desconto de créditos. Com o IBS, as operadoras poderão compensar impostos pagos na compra de equipamentos e infraestrutura, o que reduz o custo final.
Serviços de streaming (Netflix, Spotify, etc.): Empresas estrangeiras que prestam serviços digitais no Brasil já pagam impostos desde 2020. Com a Reforma, passarão a pagar IBS e CBS de forma mais clara e fiscalizada.
Exemplo prático: Sua conta de internet de R$ 100,00 por mês tem cerca de R$ 14,00 de impostos embutidos hoje. Com IBS e CBS (alíquota padrão), o imposto seria de aproximadamente R$ 26,00 a R$ 28,00. Mas as operadoras terão créditos maiores para compensar, então o preço final pode ficar estável ou subir apenas R$ 5,00 a R$ 10,00.
Importante: A ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) continua regulando reajustes de preços. Se sua conta subir acima do permitido, você pode reclamar no site da agência ou no Procon.
Combustível, energia elétrica e gás de cozinha: como fica o preço?
Este é um dos pontos mais sensíveis da Reforma, pois afeta diretamente o custo de vida de todas as famílias.
Gasolina e diesel: Hoje, você paga ICMS (varia de 17% a 25% por estado) + PIS + COFINS + CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Com a Reforma, o ICMS é substituído pelo IBS, mas a alíquota será uniforme em todo o Brasil.
A grande mudança: acabou a guerra fiscal. Hoje, você paga ICMS diferente se abastecer em São Paulo (25%) ou no Rio de Janeiro (34%). A partir de 2033, o IBS sobre combustíveis será o mesmo em qualquer estado.
Energia elétrica: Terá alíquota reduzida em 60% de IBS e CBS. Isso é importante porque a conta de luz já tem muitos encargos setoriais (bandeiras tarifárias, encargos de transmissão). A redução tributária pode compensar parte desses custos.
Gás de cozinha (GLP): Também terá alíquota reduzida em 60%. Para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico, o governo federal mantém o programa Vale-Gás (subsídio direto), que não é afetado pela Reforma.
Exemplo prático: Um botijão de gás de 13kg que custa R$ 100,00 hoje tem cerca de R$ 18,00 de ICMS. Com a Reforma completa e alíquota reduzida de 60%, o IBS + CBS seria de aproximadamente R$ 10,00 a R$ 12,00. O preço final poderia cair para R$ 92,00 a R$ 94,00 (dependendo de outros fatores como preço internacional do petróleo e dólar).
Para mais informações sobre a tributação de combustíveis, consulte o site da Agência Nacional do Petróleo.
O que é o Split Payment e como ele afeta suas compras?
O Split Payment é uma das inovações tecnológicas da Reforma Tributária. O nome é complicado, mas o conceito é simples: separação automática do imposto no momento do pagamento.
Funciona assim: quando você paga uma compra com cartão, PIX ou boleto, o banco separa automaticamente o valor do IBS e CBS e transfere direto para o governo. O vendedor recebe apenas o valor líquido (sem o imposto).
Vantagens para você, consumidor:
- Menos sonegação fiscal (o que pode reduzir a carga tributária geral no futuro)
- Preços mais justos (empresas que sonegam hoje não terão mais vantagem competitiva)
- Mais transparência (você vê na nota quanto foi direto para o governo)
Exemplo prático: Você compra uma TV de R$ 1.500,00 no cartão de crédito. No sistema atual, a loja recebe os R$ 1.500,00 e depois precisa calcular e pagar os impostos (o que abre espaço para sonegação). Com Split Payment, o banco já separa automaticamente R$ 400,00 de IBS/CBS e transfere direto para o governo. A loja recebe R$ 1.100,00 líquidos.
Dica prática: O Split Payment não muda nada na sua experiência de compra. Você não precisa fazer nada diferente. É um sistema automático entre bancos, empresas e governo. Mas aumenta a segurança de que os impostos estão sendo pagos corretamente.
Como fica o preço de serviços profissionais (advogado, dentista, mecânico)?
Profissionais liberais e prestadores de serviços também são afetados pela Reforma. Hoje, eles pagam ISS (municipal) que varia de 2% a 5%. Com a Reforma, pagarão IBS + CBS.
Microempreendedores Individuais (MEI): Não são afetados. Continuam pagando o valor fixo mensal (que em 2026 é de R$ 70,00 para comércio/indústria, R$ 75,00 para serviços e R$ 76,00 para comércio e serviços).
Simples Nacional: Terá regras especiais de transição. Micro e pequenas empresas continuarão com tributação simplificada, mas com alíquotas ajustadas para refletir IBS e CBS.
Profissionais de nível superior: Advogados, médicos, dentistas, engenheiros e outros profissionais regulamentados terão que se adaptar ao novo sistema. A tendência é que os honorários subam levemente para compensar a mudança tributária.
Exemplo prático: Uma consulta com dentista que custa R$ 200,00 hoje tem cerca de R$ 10,00 de ISS (5%). Com IBS + CBS (mesmo com possível alíquota reduzida para serviços de saúde), o imposto pode subir para R$ 20,00 a R$ 25,00. O dentista pode repassar esse custo, e a consulta passaria para R$ 210,00 a R$ 215,00.
Se você precisar de orientação jurídica sobre seus direitos como consumidor durante essa transição, o escritório Ribeiro Cavalcante Advocacia está à disposição para esclarecer dúvidas específicas do seu caso.
Cashback de impostos: quem tem direito e como funciona?
Uma das novidades mais interessantes da Reforma Tributária é o cashback de IBS e CBS para famílias de baixa renda. É uma forma de devolver parte dos impostos pagos para quem mais precisa.
Quem tem direito:
- Famílias inscritas no CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais)
- Beneficiários do Bolsa Família
- Pessoas com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 810,50 em 2026)
Como funciona: Quando você compra produtos ou serviços e pede CPF na nota, o governo calcula quanto de IBS e CBS você pagou. Uma parte desse valor volta para você mensalmente, depositado em conta bancária ou no aplicativo Caixa Tem.
Percentual de devolução: O projeto prevê devolução de 100% da CBS e 20% do IBS sobre compras com gás de cozinha, energia elétrica e água. Para outros produtos, o percentual ainda será definido.
Exemplo prático: Uma família de 4 pessoas com renda de R$ 1.621,00 (1 salário mínimo) gasta R$ 500,00 por mês em supermercado. Desse valor, cerca de R$ 130,00 a R$ 150,00 são impostos. Com o cashback, ela pode receber de volta R$ 20,00 a R$ 30,00 por mês. Parece pouco, mas em um ano são R$ 240,00 a R$ 360,00 extras.
Importante: O sistema de cashback só entra em operação completa a partir de 2027. Para receber, você precisa estar cadastrado no CadÚnico e sempre pedir CPF na nota fiscal. O pagamento será automático — você não precisa solicitar.
Para se cadastrar no CadÚnico, procure o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da sua cidade ou acesse o site gov.br/cidadania.
Produtos que podem ficar mais caros com a Reforma Tributária
Nem tudo são boas notícias. Alguns produtos e serviços podem ter aumento de preço por causa da mudança no sistema tributário. É importante você saber quais são para planejar seu orçamento.

Serviços em geral: Hoje, o ISS varia de 2% a 5%. Com IBS + CBS, a carga sobre serviços pode chegar a 26,5% (alíquota padrão estimada). Isso afeta:
- Salões de beleza e barbearias
- Academias de ginástica
- Oficinas mecânicas
- Serviços de limpeza e manutenção
- Restaurantes e bares
Produtos importados de luxo: Além do Imposto de Importação (que não mudou), pagarão IBS e CBS cheios. Isso inclui eletrônicos de alto padrão, roupas de grife, perfumes importados e vinhos.
Bebidas alcoólicas e cigarros: Continuarão com tributação pesada. Além de IBS e CBS, pagarão o Imposto Seletivo (novo tributo criado pela Reforma para desestimular consumo de produtos prejudiciais à saúde). A alíquota do Imposto Seletivo ainda não foi definida, mas pode adicionar 20% a 50% ao preço.
Exemplo prático: Uma garrafa de whisky que custa R$ 150,00 hoje pode chegar a R$ 200,00 ou mais com a Reforma completa. Isso porque, além de IBS e CBS, pagará o Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas.
Cuidado: Se você tem dívidas e está preocupado com o aumento de custos, saiba que existe a Lei do Superendividamento, que permite renegociar dívidas de forma mais justa. Não deixe a situação piorar — busque ajuda o quanto antes.
Perguntas Frequentes sobre IBS, CBS e a Reforma Tributária
A Reforma Tributária vai aumentar ou diminuir o preço das coisas?
A resposta honesta é: depende do produto e do prazo. No curto prazo (2026-2029), os preços devem se manter estáveis porque a transição é gradual. Produtos da cesta básica, remédios e transporte público tendem a ficar mais baratos. Serviços em geral podem ficar um pouco mais caros. No longo prazo (após 2033), a expectativa é que a simplificação reduza custos de conformidade (burocracia) e isso se reflita em preços menores. Mas o governo prometeu que a carga tributária total não vai aumentar — apenas será redistribuída de forma mais justa e transparente.
Vou pagar mais imposto em 2026 por causa da Reforma?
Não. Em 2026, você está pagando apenas 1% adicional (0,9% CBS + 0,1% IBS) em fase de teste. Mas esse valor pode ser compensado pelas empresas com os impostos antigos que continuam existindo. Na prática, o consumidor final não deve sentir diferença em 2026. As mudanças reais começam em 2027, quando PIS e COFINS são extintos e a CBS entra com alíquota cheia. Mesmo assim, a promessa constitucional é de que a carga total não aumente — apenas fique mais transparente na nota fiscal.
Como sei quanto de imposto estou pagando em cada compra?
A partir de 2027, todas as notas fiscais (físicas e eletrônicas) deverão mostrar separadamente o valor de IBS e CBS que você está pagando. Isso vale para compras em lojas físicas, supermercados, farmácias e e-commerce. Hoje, os impostos vêm embutidos no preço e você não consegue ver claramente quanto está pagando. Com a Reforma, a transparência é obrigatória. Você poderá comparar produtos não só pelo preço total, mas também pela carga tributária. Se a nota fiscal não mostrar esses valores, você pode reclamar no Procon.
O que acontece se eu comprar em um estado e morar em outro?
Com a Reforma, o imposto é cobrado no destino (onde você mora), não na origem (onde a empresa está). Isso acaba com a guerra fiscal entre estados. Na prática: se você mora em Minas Gerais e compra pela internet de uma loja em São Paulo, o IBS será recolhido para Minas Gerais (seu estado). Isso é justo porque os serviços públicos que você usa (saúde, educação, segurança) são financiados pelo seu estado e município. Para você, consumidor, não muda nada no processo de compra — a loja é que precisa se adaptar ao novo sistema de recolhimento.
Pequenas empresas e MEI também pagam IBS e CBS?
MEI (Microempreendedor Individual) não é afetado pela Reforma. Continua pagando o valor fixo mensal do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), que em 2026 varia de R$ 70,00 a R$ 76,00 conforme a atividade. Empresas do Simples Nacional terão regras especiais de transição, com alíquotas ajustadas que incluem IBS e CBS, mas mantendo a simplicidade do regime. A ideia é proteger micro e pequenas empresas da complexidade do novo sistema. Empresas com faturamento acima do limite do Simples (R$ 4,8 milhões/ano) precisarão se adaptar completamente ao IBS e CBS.
Posso pedir devolução de imposto se o produto vier com defeito?
Sim, mas a devolução é do valor total pago, incluindo os impostos. Funciona assim: se você comprou um produto por R$ 100,00 (sendo R$ 27,00 de impostos) e ele veio com defeito, você tem direito à devolução dos R$ 100,00 completos. A loja é que depois acerta com o governo a devolução dos impostos recolhidos. Você não precisa fazer nada além de exigir seus direitos normais de consumidor. O prazo para reclamar de produto com defeito continua sendo 30 dias (não durável) ou 90 dias (durável), conforme o Código de Defesa do Consumidor. A Reforma Tributária não altera esses direitos.
Reforma tributária 2026: O que é a alíquota de teste de 1% em 2026?
É uma fase experimental para testar os sistemas de cobrança de IBS e CBS antes da implementação completa. Em 2026, empresas estão pagando 0,9% de CBS e 0,1% de IBS sobre suas vendas, além dos impostos antigos (PIS, COFINS, ICMS, ISS, IPI) que continuam normais. Parece que está pagando imposto em dobro, mas não: as empresas podem compensar esse 1% com os impostos antigos. É como um teste de estresse do sistema. O objetivo é identificar problemas técnicos, ajustar os sistemas de Split Payment e treinar fiscais e empresas antes da mudança real em 2027.
Reforma Tributária 2026: Proteja Seus Direitos Como Consumidor
A Reforma Tributária é a maior mudança no sistema de impostos do Brasil em três décadas. Como você viu ao longo deste artigo, ela afeta diretamente o preço de tudo que você compra e consome no dia a dia — desde o arroz e feijão até a conta de luz e o plano de saúde.
A extinção dos cinco tributos antigos (PIS, COFINS, ICMS, ISS e IPI) e a criação de apenas dois novos (IBS e CBS) promete simplificar o sistema, torná-lo mais transparente e, em alguns casos, reduzir preços. Mas a transição é longa (vai até 2033) e complexa.
O mais importante para você, consumidor, é:
- Sempre peça CPF na nota fiscal (para ter direito ao cashback se for elegível)
- Guarde as notas fiscais por pelo menos 90 dias (prazo para reclamar de produtos com defeito)
- Compare preços considerando a carga tributária (que estará destacada a partir de 2027)
- Fique atento aos seus direitos como consumidor — a Reforma não altera o Código de Defesa do Consumidor
Se você tiver dúvidas sobre como a Reforma Tributária afeta seus direitos específicos, ou se enfrentar problemas com cobranças indevidas, produtos defeituosos ou serviços mal prestados durante essa transição, não hesite em buscar orientação jurídica especializada.
O escritório Ribeiro Cavalcante Advocacia está acompanhando de perto todas as mudanças da Reforma Tributária e pode ajudar você a entender como elas impactam sua situação particular. Nossa equipe está preparada para orientar consumidores, trabalhadores e pequenos empreendedores nesse novo cenário.
Tem dúvidas sobre seus direitos como consumidor? Precisa de ajuda para resolver um problema com cobrança indevida ou produto com defeito? Entre em contato conosco:
Fale agora com um advogado especialista
Falar com Advogado no WhatsApp