CID F43.1 Dá Direito a Auxílio-Doença do INSS? 2026

Conteúdo revisado por Amanda Ribeiro Cavalcante, advogada — OAB/CE 51.361, em 21/08/2026
Imagem representando CID F43.1 (Transtorno de Estresse Pós-Traumático): Afastamento, Auxílio-Doença e Aposentadoria — Ribeiro Cavalcante Advocacia
Breve resumo

O CID F43.1 pode dar direito a auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente ou BPC/LOAS, mas o INSS não paga pelo diagnóstico, e sim pela incapacidade de trabalhar que o TEPT causa. Você precisa comprovar na perícia que a doença impede o exercício da sua função.

Você sofreu um assalto, um acidente grave ou passou por uma situação de violência no trabalho e desde então não consegue mais dormir, sente pânico ao sair de casa e não dá conta de voltar à rotina. O médico anotou o CID F43.1 (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) no atestado. Agora você quer saber: isso dá direito a benefício do INSS?

A resposta direta é: pode dar, sim. O CID F43.1 pode gerar auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença), aposentadoria por incapacidade permanente ou até o BPC/LOAS, dependendo do seu caso. Mas atenção a este ponto, que é o que mais derruba pedido: o INSS não paga pelo diagnóstico. Ele paga pela incapacidade de trabalhar que a doença causa.

Ou seja, ter o laudo com F43.1 é o começo, não o fim. Duas pessoas com exatamente o mesmo diagnóstico podem ter respostas opostas na perícia: uma volta ao trabalho, a outra não consegue. O que separa as duas é a prova da limitação funcional, não a letra do CID.

Neste guia você vai entender qual dos três benefícios encaixa no seu caso, quanto tempo de contribuição precisa, como montar o laudo que a perícia leva a sério e o que fazer quando o pedido é negado. Se quiser a visão geral de todos os benefícios do INSS por doença, comece por ali e depois volte para os detalhes do TEPT.

O CID F43.1 dá direito a benefício do INSS?

Sim, o CID F43.1 pode dar direito a benefício, mas só se ele impedir você de exercer seu trabalho. Segundo a Lei 8.213/1991, o INSS concede auxílio quando a incapacidade dura mais de 15 dias. O diagnóstico sozinho não basta: é preciso comprovar que o transtorno limita a sua capacidade de produzir.

Pense assim: o F43.1 é a “identidade” da doença. Mas o INSS não está comprando a identidade, está avaliando o efeito prático dela na sua vida de trabalho. Por isso o laudo não pode parar em “paciente com TEPT”. Ele precisa dizer o que você não consegue mais fazer.

O TEPT costuma atingir com força quem trabalha exposto a situações de risco ou violência: vigilantes, bancários, motoristas de transporte de valores, policiais, socorristas e profissionais de saúde. Nesses casos, além do benefício comum, pode haver o enquadramento como doença do trabalho, o que muda a carência e traz mais direitos.

Importante: se o TEPT teve origem em um evento ligado ao seu trabalho (assalto no expediente, acidente durante o serviço), o benefício pode ser acidentário. Isso dispensa a carência de 12 contribuições e garante estabilidade no emprego após o retorno. Guarde o boletim de ocorrência e a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Auxílio por incapacidade temporária: quanto tempo de contribuição preciso?

Para o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), você precisa de qualidade de segurado e, em regra, 12 contribuições mensais de carência, conforme o art. 25 da Lei 8.213/1991. O valor é 91% da média dos seus salários de contribuição, respeitando o piso de R$ 1.621,00 e o teto de R$ 8.157,41 em 2026.

Esse é o benefício mais comum para o TEPT, porque muitos quadros são tratáveis. A ideia é: você fica afastado, faz tratamento, e quando melhorar, volta ao trabalho. O INSS costuma dar uma data para reavaliação (a chamada “alta programada”).

Exemplo prático: imagine que você tenha média de contribuição de R$ 2.000,00. O auxílio sairia por volta de R$ 1.820,00 (91% da média). Agora imagine média de R$ 1.500,00: os 91% dariam R$ 1.365,00, abaixo do mínimo, então o INSS paga o piso de R$ 1.621,00.

Uma dúvida frequente: o TEPT não está na lista de doenças que dispensam carência (que inclui casos como neoplasia maligna e cardiopatia grave). Então, se você não tiver as 12 contribuições, o pedido comum tende a ser negado. A exceção é justamente quando o transtorno vem de um acidente, aí a carência cai.

Fique atento: os primeiros 15 dias de afastamento, para quem tem carteira assinada, são pagos pela empresa. O INSS só entra a partir do 16º dia. Para autônomos e contribuintes individuais, o INSS paga desde o início da incapacidade comprovada.

Quando o TEPT vira aposentadoria por incapacidade permanente?

A aposentadoria por incapacidade permanente (antiga invalidez) é concedida quando o TEPT torna você incapaz de forma definitiva e sem chance de reabilitação para outra função, conforme o art. 42 da Lei 8.213/1991. Exige qualidade de segurado e, em regra, a mesma carência de 12 contribuições.

Depois da Reforma da Previdência (Emenda Constitucional 103/2019), o cálculo mudou. Agora é 60% da média das contribuições mais 2% para cada ano que passar de 20 anos de contribuição (homem) ou 15 anos (mulher). Só em casos de acidente de trabalho ou doença ocupacional o benefício volta a ser integral (100% da média).

Caso real: um motorista de transporte de valores vítima de assalto violento pode desenvolver TEPT tão grave que não consegue mais dirigir nem ficar em ambientes fechados. Se o perito confirmar que não há função que ele consiga exercer, o caminho é a aposentadoria, não o auxílio temporário.

Existe um adicional que pouca gente conhece: se você precisar de ajuda permanente de outra pessoa para atividades básicas do dia a dia, tem direito a um acréscimo de 25% sobre o valor. Esse adicional pode até ultrapassar o teto do INSS. Para entender como funciona a incapacidade permanente na prática, vale ver também como funciona a aposentadoria por invalidez em casos de AVC, que segue a mesma lógica de prova.

E se eu nunca contribuí? O BPC/LOAS pode ser a saída

Se você tem TEPT grave mas nunca contribuiu para o INSS, ou perdeu a qualidade de segurado, ainda pode ter direito ao BPC/LOAS. É um benefício assistencial de um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026), previsto no art. 20 da Lei 8.742/1993, que não exige contribuição, mas cobra dois requisitos: impedimento de longo prazo e baixa renda familiar.

Pessoa deitada em sofá com as mãos na cabeça, sinalizando estresse ou dor.
O cid f43. 1 dá direito a benefício do inss? — foto: timur weber

O impedimento de longo prazo significa que o transtorno deve limitar você por, no mínimo, dois anos. Não é qualquer crise passageira, é um quadro que afeta sua participação plena na sociedade e no trabalho por período prolongado.

O critério de renda é o ponto que mais reprova: a renda familiar por pessoa precisa ser inferior a 1/4 do salário mínimo, ou seja, menos de R$ 405,25 em 2026. Soma-se a renda de todos que moram na casa e divide pelo número de pessoas.

Exemplo prático: imagine uma família de 4 pessoas com renda total de R$ 1.600,00 por mês. Divide por 4 e dá R$ 400,00 por pessoa, abaixo do limite de R$ 405,25. Nesse caso, há chance de conseguir o BPC. O cadastro precisa estar atualizado no CadÚnico.

Lembre-se: o BPC não paga 13º salário e não gera pensão por morte. É diferente da aposentadoria. Mas para quem está sem cobertura e com TEPT incapacitante, é muitas vezes a única porta aberta. Você pode conferir as regras oficiais no portal do INSS .

Como comprovar a incapacidade na perícia do INSS?

A perícia médica do INSS decide o pedido, e ela avalia a incapacidade para o trabalho, não só o diagnóstico. Por isso o laudo precisa ir além do “paciente tem CID F43.1”. Deve descrever a limitação funcional concreta: crises, insônia, incapacidade de concentração, evitação de ambientes, medicação em uso e tempo de tratamento.

Na prática, o que mais enfraquece o pedido de TEPT é o laudo genérico. Um documento que só cita o CID e uma frase de “afastar por 30 dias” dá ao perito margem para concluir que você está apto. O laudo forte conecta o sintoma à tarefa: “não consegue permanecer em ambiente com público”, “apresenta crises de pânico que impedem a direção de veículos”.

Leve para a perícia estes documentos:

  • Laudo médico detalhado, com CID F43.1, descrição da limitação funcional e tempo previsto de incapacidade
  • Receitas e caixas dos remédios em uso (comprovam tratamento contínuo)
  • Relatórios de psicólogo ou psiquiatra, com histórico das sessões
  • Boletim de ocorrência e CAT, se o TEPT veio de assalto ou acidente
  • RG, CPF, carteira de trabalho e comprovante de residência
  • Todos os atestados anteriores, em ordem de data

Dica de ouro: peça ao seu médico que escreva no laudo, com todas as letras, quais atividades da sua profissão você não consegue mais realizar. O perito do INSS não conhece sua rotina. Se o laudo não faz essa ponte entre a doença e o trabalho, ele presume que você pode trabalhar.

Nos transtornos psiquiátricos, a perícia costuma ser mais dura, porque não há exame de imagem que “mostre” o TEPT como uma radiografia mostra uma fratura. A prova é construída com histórico consistente. Por isso a continuidade do tratamento importa tanto: sumir do psiquiatra por meses enfraquece a alegação de incapacidade.

Auxílio-doença ou aposentadoria: qual pedir no seu caso?

A escolha depende de o quadro ser reversível ou não. Se há previsão de melhora com tratamento, o caminho é o auxílio por incapacidade temporária. Se o TEPT é crônico e não há função que você consiga exercer, o pedido é de aposentadoria por incapacidade permanente. O BPC entra quando falta qualidade de segurado.

CritérioAuxílio temporárioAposentadoria permanenteBPC/LOAS
Precisa ter contribuído?Sim (12 meses, salvo acidente)Sim (12 meses, salvo acidente)Não
Duração da incapacidadeTemporáriaDefinitivaMínimo 2 anos
Valor em 202691% da média (piso R$ 1.621)60% da média + 2% por ano extra1 salário mínimo (R$ 1.621)
Exige baixa renda?NãoNãoSim (menos de R$ 1.621,00 por pessoa)
Tem 13º?SimSimNão

Você não precisa “adivinhar” qual escolher no pedido. Ao requerer o benefício por incapacidade, o próprio INSS avalia se o caso é temporário ou permanente na perícia. O mesmo racional de prova vale para outras doenças neurológicas, como se vê no auxílio-doença para Parkinson.

Como pedir o benefício pela internet: passo a passo

O pedido é feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, sem sair de casa. Você agenda a perícia médica e recebe uma data. O prazo de resposta após a perícia é, em regra, de até 45 dias, segundo o INSS. Se for BPC, o requerimento também sai pelo Meu INSS, mas o CadÚnico precisa estar em dia.

Passo a passo:

  • Acesse o Meu INSS pelo app ou site e faça login com a conta gov.br
  • Clique em “Novo Pedido” e busque por “Benefício por Incapacidade” (ou “BPC” se for o caso)
  • Anexe os documentos digitalizados: laudos, receitas, atestados e documentos pessoais
  • Agende a data da perícia médica
  • Compareça no dia com os documentos originais na mão
  • Acompanhe o resultado pela própria plataforma

Cuidado: não deixe o benefício “vencer” sem pedir prorrogação. A alta programada tem data. Se você continua incapaz, precisa solicitar a prorrogação nos 15 dias antes do fim, também pelo Meu INSS. Perder esse prazo faz o benefício cessar e obriga você a começar tudo de novo.

Antes de acionar a Justiça ou entrar com o pedido, tenha três documentos em mãos: o laudo psiquiátrico detalhado com a limitação funcional, o histórico de contribuições (extrato CNIS) e, se houver, a carta de negativa do INSS. O erro que mais derruba esses pedidos é o laudo que descreve só o diagnóstico e esquece de dizer o que você não consegue mais fazer no trabalho. Se quiser, a nossa equipe lê esses documentos e diz se falta alguma peça antes de você protocolar.

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O que fazer se o INSS negar o benefício?

Se o INSS negar, você tem dois caminhos: o recurso administrativo, com prazo de 30 dias a partir da ciência da negativa, ou a ação judicial. Na negativa vem escrito o motivo, e ele é a peça mais importante para montar a defesa. Guarde esse documento.

Mão escrevendo em um formulário sobre uma mesa.
O cid f43. 1 dá direito a benefício do inss? — foto: kampus production

O motivo mais comum de recusa em TEPT é “não constatada incapacidade laborativa”. Ou seja, o perito viu o diagnóstico mas concluiu que você pode trabalhar. Contra isso, você reúne provas novas: laudos mais completos, relatório de acompanhamento psiquiátrico, prova de internações ou crises.

No recurso administrativo, o caso vai para a Junta de Recursos. Entre o pedido e a resposta, é comum surgir uma segunda solicitação de documentos. É nesse ponto que muita gente desiste, achando que perdeu. Não desista: responda dentro do prazo indicado.

Na via judicial, o juiz costuma nomear um perito independente do INSS. Isso muda o jogo em muitos casos de transtorno psiquiátrico, porque a avaliação tende a ser mais detalhada. Você pode consultar o texto oficial da Lei 8.213/1991 no portal do Planalto para entender os fundamentos usados.

Perguntas frequentes sobre CID F43.1 e benefícios do INSS

Qual a diferença entre CID F43.0, F43.1 e F43.2?

Os três são reações a estresse, mas com gravidade e duração diferentes. O F43.0 é a reação aguda ao estresse, geralmente breve. O F43.1 é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, o mais grave e persistente, com maior impacto na capacidade de trabalho. O F43.2 é o transtorno de adaptação, em regra transitório. Para o F43.2, o auxílio temporário costuma ser o mais adequado. Já o F43.1 crônico pode levar à aposentadoria por incapacidade permanente. Em todos, o que decide é a incapacidade comprovada, não o código em si.

Recebo seguro-desemprego. Posso pedir auxílio-doença ao mesmo tempo?

Não é possível acumular seguro-desemprego com auxílio por incapacidade no mesmo período. São benefícios com finalidades opostas: um pressupõe que você está apto e procurando emprego, o outro pressupõe que você está incapaz de trabalhar. Se você fica incapaz durante o recebimento do seguro-desemprego, e ainda mantém qualidade de segurado, pode requerer o benefício por incapacidade. Nesse caso, o seguro-desemprego é suspenso. Reúna os laudos e faça o pedido pelo Meu INSS o quanto antes, para não perder a proteção previdenciária.

Posso trabalhar enquanto recebo o auxílio por incapacidade?

Não. O benefício existe justamente porque você está incapaz de trabalhar. Se o INSS descobrir que você exerceu atividade remunerada durante o recebimento, o benefício é cortado e pode haver cobrança dos valores pagos. A exceção é o retorno gradual em programa de reabilitação profissional coordenado pelo próprio INSS. Se você se sentir apto a exercer outra função, o correto é comunicar o INSS e passar por nova avaliação, não voltar ao trabalho por conta própria enquanto recebe.

Quanto tempo demora para o INSS pagar depois da perícia?

Após a perícia com resultado favorável, o INSS tem prazo de até 45 dias para implantar o benefício, segundo as regras do órgão. Na prática, esse prazo às vezes se estende por atraso na análise administrativa. Acompanhe pelo Meu INSS a situação do pedido. Se passar muito do prazo sem resposta, é possível registrar reclamação na Ouvidoria ou buscar orientação jurídica, inclusive com pedido judicial de análise, que força a Administração a decidir. Guarde o número do protocolo de tudo o que você fizer.

Se o TEPT foi causado por assalto no trabalho, muda alguma coisa?

Muda bastante. Quando o TEPT decorre de evento ligado ao trabalho, como assalto no expediente, ele pode ser tratado como doença ocupacional. Isso dispensa a carência de 12 contribuições, garante estabilidade de 12 meses no emprego após o retorno e, em caso de aposentadoria, permite cálculo mais vantajoso (integral). Para isso, é essencial ter a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e o boletim de ocorrência. Se a empresa se recusar a emitir a CAT, você, o médico ou o sindicato podem fazê-lo. Guarde toda a documentação do episódio.

Não deixe o TEPT passar sem buscar o benefício que é seu

O caminho começa hoje, com organização. Separe três coisas: o laudo psiquiátrico que descreva não só o CID F43.1 mas o que você não consegue mais fazer no trabalho, o extrato das suas contribuições (CNIS, disponível no Meu INSS) e, se o INSS já negou, a carta de negativa. Se a recusa veio por escrito, ela é a peça mais importante do processo.

Com esses documentos em mãos, o pedido fica muito mais forte na perícia. Se ainda não pediu, o próximo passo é agendar pelo Meu INSS. Se já pediu e foi negado, corra contra o prazo de 30 dias do recurso.

Quando você nos manda uma mensagem, a gente lê seus documentos e diz se o caso tem base legal, qual dos três benefícios encaixa e qual o caminho, antes de qualquer contratação. Sem promessa de resultado, só uma leitura honesta da sua situação.

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